Em 4 de Outubro…
18 de outubro de 2006

Não preciso que alguém se apaixone por mim, preciso sim que eu me apaixone por mim mesma.
Meus problemas trocam de nome como eu troco de adjetivos, a causa é sempre a mesma: amar muito os outros e amar quase nada quem sou.
Projetos…poderia tentar dar a volta por cima fazendo planos e mais planos: dietas, novo corte de cabelo, quem sabe uma nova cor? Planos para um novo emprego, maneiras de ganhar dinheiro…
Mas eu não quero escapar assim.
Desejos,isso é o que vale pra mim. Hoje eu desejo um pouco de carinho, o guerreiro precisa descansar também, desejo paz pra minha alma, ela anda tão arredia!
Desejo um pouco de chuva para lavar o telhado de minha casa, o que eu chamo de mim.
Desejos devem ser realizados, ou não, quando se quer que eles não sejam mais desejos, mas o real é palpável demais…
Minhas janelas estão abertas, meus sapatos fazem um toc-toc interminável, como se meus pés batessem à porta e perguntassem: Posso entrar?
Hoje disseram a eles que não, mas tudo bem, eles dão meia volta, continuam o toc-toc e um dia, eu sei, eles baterão numa porta(toc-toc,toc-toc) e alguém vai abrí-la com um belo sorriso, os dentes são os melhores recepcionistas do mundo! dizendo que estava à espera deles desde agora.
Eu estou aberta, como se para visitação , e quem quiser espionar minha alma poderá entrar pelo portão, exclusivamente aberto hoje, e ficar na ponta dos pés debruçado na janela.
Acho que um pouco disso é tristeza,é, talvez toda essa imagem seja triste. Mas me conforta as dores como uma xícara de chá no inverno.
Ainda remexo os destroços que sobraram, existem sempre pregos e cacos de vidro pra me machucarem as mãos, que foram sem luvas…
Não é tão assustador, pra mim é até poético, mal de acadêmico de Letras que nasceu virado pro chão mesmo, e com a melancolia a embalar as noites sem sono.
"Outro inverno gela o meu coração, nesse inferno é sempre a mesma estação"

