Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

O que eu me permito hoje…

23 de outubro de 2006

Hoje é um novo dia, tenho hoje uma nova chance, uma nova escolha a fazer: estar ou não estar feliz, ser ou não ser vítima dos outros, ser atriz ou mera expectadora da minha vida…
Um mundo de possibilidades se abre como um leque pra mim, o fim de semana foi levado meio aos arrastões, meio anestesiado, a sexta-feira foi ótima, a trilha sonora é que não ajudou muito, mas é uma outra história, hoje é uma nova vida que se oferece pra mim, que se insinua, louca pra que eu a tome nos braços, hoje eu decido a favor de mim mesma.
As dores na alma andam disfarçadas, de vez em quando elas emergem, reclamando lágrimas que deveriam ser derramadas e que não são, sempre faço isso, costumo sufocar dores, gritos e sorrisos, sou meio egoísta de quando em quando. Não preciso levar meu sentimento, assim, nas mãos, pra quem quiser ver, é meu, faz parte de mim.
Hoje eu quero estar feliz, não ser feliz, por que já seria querer demais, só estar feliz, de bem comigo, com meu mundo, com as pessoas que me cercam, hoje eu quero a minha leveza habitual, há muito perdida, quero uma tarde sem aquela preparação para a noite, como se eu estivesse a caminho da guerra. Quero olhar ao lado sem aquele ímpeto de torcer o pescoço mais próximo, que quase sempre é um bem conhecido, assim como o dono do pescoço.
Hoje eu me dou o direito de rir de mim mesma, de sentir falta de meu ex-namorado sem precisar lembrar que ele mentiu em algum momento, na sexta eu o vi, depois fiquei sentindo o perfume dele em todo lugar, ou era o perfume que eu usava quando estava com ele, ou era o perfume que surgia quando os nossos cheiros e pernas se misturavam…
Deu saudade, foi bom como descascar a ferida ainda em processo de cicatrização, eu ainda o amo, e vou amá-lo sempre, nunca entendi isso de dizer “eu te amo” hoje e três dias depois, quando o namoro acaba, o amor sumir também.
Hoje eu me permito abraçar alguns amigos, beijar alguns rostos, dizer uns “eu te amo”, meio a torto e a direito, cantar uma música, com a minha voz de taquara rachada, que me faça esboçar um sorriso, sentir falta de pessoas, e dizer isso a elas.
Hoje eu me permito ser desejada, permito que olhos curiosos me dispam, que mãos me contornem sem me tocarem, que línguas passeiem pela minha boca, ainda que de lembrança ou vontade.
Hoje eu me desejo, me abraço, me afago os cabelos e me desnudo dos medos e pudores.

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