Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Imensidão…

29 de novembro de 2006

Ainda é madrugada no dia que não abriu seus olhos, já chequei os e-mails, nada de novo sobre a Terra, tenho uma reunião me esperando, e ela não será nada boa, passei nos blogs favoritos (Nilton? Taty, Carpinejar…) e no último encontrei inspiração para um suspiro, Fabrício Carpinejar é um poeta gaúcho, maravilhoso.

Na minha mesa um Goethe emprestado, que devoro delicada e vagarosamente, telefones, fax, celulares, calendário, no qual nunca tomo nota dos dias que já se passaram de minha eternidade, o micro, personagens silenciosos de minha vida diária, minha renovada vida diária com gosto de comida de ontem.

 Falando em ontem, noite guardada pelo silêncio, pedidos secretos de socorro, gritos que ecoaram apenas na minha cabeça. Não tenho medo, mas cubro a cabeça com as cobertas, não gosto de escuro.

Meus cabelos cacheados ainda estão úmidos do banho, estou bem, nada além do habitual desconforto, silêncio, paz. Já chorei meus mortos. Aos poucos encaixo minhas peças, pinto meus quadros, planto minhas

flores, em especial, gérberas laranjas (presente para uma amiga…). Sento-me na varanda de minha casa, aqui as horas são eternas.

Sou culpada por tudo o que acontece enquanto usufruo o sopro de vida, minhas glórias e meus fracassos são frutos de minha semeadura, então cabe a mim toda a mudança para melhorar.

 Cultivo os amores dentro de minha alma, o terreno é pedregoso, mas é o que me cabe.

Reli hoje meus papéis antigos (e quem não os tem?), cartas de ex-namorado, cartas minhas que não foram entregues, poemas, frases soltas, letras que não viraram música, e descobri que a melancolia é companheira genética, corre no sangue, como a solidão.

Eu era mais poética antigamente, a vida fluía mais facilmente, minha visão era menos complicada, se resumia a meu mundo e às pessoas que eu colocava nele.

Agora vejo diante dos olhos a amplidão, um imenso vale, uma vastidão profunda…

Preciso achar meu lugar, o espaço que é dado a mim nesse mundo, os olhos ainda não se habituaram, cegam na luz do fim de tarde.

Daqui de cima o olhar vai mais longe, o pulmão ganha outros ares, mais puros…

Respiro vida e preparo os pés para a descida e caminhada. Tenho um sorriso discreto.

* Meu querido Nilton, grata por tudo.

** Taty, sinta-se presenteada…

*** A Deusa me guarda, o campo é grande, e estou cansada.

Eu, barroca…

28 de novembro de 2006

Buenas…

Confissões que tenho a fazer: Realmente, o que digo e o que faço não seguem a mesma linha. Sou contraditória, não entro em acordos, sou filha da inconstância.

Barroca, sou eterno conflito, minhas palavras afirmam, minhas ações desmentem… Sou opostos, que nunca se atraem, linhas paralelas, minhas partes brigam entre si pelas rédeas da situação. E assim vou levando.

Enquanto brinco de malabarista, minha vida segue…

Minhas partes não concordam, fato. Aprendi a viver e conviver com elas. Exponho minhas verdades em barraca de feira…

Ontem eu e ele conversamos durante a volta pra casa, antes disso euforia por parte dele, cabeça longe e preocupada pela parte que me cabia, tentei (e lá se vai mais uma tentativa pro lixo…) dizer-lhe o que penso sobre nós, e além de incompreendida fui acusada de não casar minhas palavras e minhas ações (verdade!), ele também não concilia vontades e ações, fazer o quê?

 O fato de eu estar apaixonada não significa que desejo estar ao lado dele, não vejo necessidade, não preciso ser namorada dele pra ser feliz, no fim de todos os meus papéis resta sempre o de amiga no final da peça.

Pra mim tão pouco importa.

Será isso apenas costume e familiaridade com o gosto na boca?

 Não sei, queria respostas concretas, mas elas se desfazem feito fumaça quando espalmo as mãos.

Sei apenas que quero vê-lo bem, ele é uma coisa muito bonita quando está desarrumado, quando seus cabelos desalinhados procuram abrigo e compreensão ele é a coisa mais bonita do mundo.

No sábado pedi para que não me deixasse sair da vida dele dessa maneira, mas começo a achar que eu é que estou guardando-o numa sensação doce de paz.

* Meu querido Nilton, obrigado pela atenção, pelas conversas, pela companhia…

Travo guerra para manter a sanidade. Problemas (e quem não os têm?), brigas para abrir feridas, uma perda pra morte que não quero assistir, o corpo refletindo meu descaso com uma doença de caráter hereditário e um nódulo no seio esquerdo que completa três meses de aniversário (mal que persegue as mulheres de minha família há gerações, e do qual receio ser vítima…). O trabalho não vai bem, não vai nada bem.

** Fí, saudade, lembra de nossas noites de chuva?

 Luto para salvar meu lirismo, resgato a poesia dos destroços…

***Tudo o que preciso é de um pouco de proteção, que não venha de mim.

**** Taty, a inspiração do termo veio de você. 

Minha casa, minha aquarela…

24 de novembro de 2006

Estou discretamente feliz, sem maiores motivos pra isso. Estou feliz, e ponto.

Ontem encontrei uma amiga da 5ª série, relembramos amigos, amores de criança, a gente.

Aos poucos entro em meu eixo, aos poucos a alma se acalma, torno-me planície…

Sentei-me à sombra do salgueiro, já chorei, pendurei minha harpa, agora me permito tocá-la de novo, e preencher o silêncio que me rodeia.

 Olho minha criança correndo em volta, os pés na grama verde, é um olhar amável, um olhar de proteção. Deixo-a livre, e me liberto.

Tenho uma coisa de amar o que é humano, imperfeito, mania de ver beleza em tudo…

Lembrei-me agora de uma praça aonde ia sempre, abandonada, reduto de maconheiros, solitários e poetas (onde me enquadro), de mosquitos e casais apaixonados e sem-vergonhas. Era um bosque perdido entre concreto e asfalto, aquele foi meu lugar no mundo durante muito tempo, e sei que ainda existo lá.

Caminhava do colégio até lá, chutando pedras, deitava na grama, debaixo de árvores, ou sentava no coreto, cheio de poeira. Gostava do barulho de água corrente, que vinha de um riachinho, tinha sempre um cão pra me fazer companhia…

Quantas vezes não chorei naquele coreto? Quantos poemas não escrevi naquele lugar esquecido por deus? Quantos amores não alimentei, suspirando?

 Aquele lugar era minha casa, e perdi a conta de quantas vezes fui até lá pra me abraçar e colar meus pedaços de um coração de porcelana. Pareço sentir o sol no rosto, a grama embaixo do corpo, a tranqüilidade que sentia ali, abandonada em mim.

Faz quase um ano que não vou lá, que não sinto minha respiração pausada, meu silêncio de quem grita para abrir os olhos do mundo. Vou dar um jeito de ir lá esse fim de semana, não são os dias ideais, mas fazer o quê? São os que me restam.

Melhoras? Conforto na alma.

Ontem ele me pediu para não deixar de amá-lo, e para ficar ao lado dele, involuntariamente solto as cordas, é um movimento natural, minha alma arrisca seus próprios passos. Dela sou expectadora.

Minha paz é algo de que não vou abrir mão, nem por ele, nem por ninguém.

*É Aline, estou me amando, amiga.

 Deixei meus dias em preto por muito tempo, as cores encontradas hoje são as mesmas que eu tinha antes, só que minhas misturas são mais alegres hoje.

Hoje pinto meu dia com vida. Com minha cor favorita.

**Tenho vida na ponta do pincel, uma miragem na selva de pedra, música na ponta dos dedos. Por que não ser feliz?

***Não se finda o que não teve início na roda eterna do tempo.

 Qual sua cor favorita? Qual lugar você chama de casa?

Fiandeira…

23 de novembro de 2006

Hoje choveu os meses sem chuva, o calor dos dias de minha cidade, eu costumava fazer tudo para tomar banho de chuva, até de granizo, pra ficar com marcas roxas na pele.

Quando estava mal, e chovia, eu pensava que a Deusa chorava minhas dores comigo, que ficava enfurecida com minha tristeza.

 Agora sei que ninguém perde tempo chorando dores que não são suas, embora eu ainda faça isso com algumas pessoas, a Deusa talvez, os homens não. Fomos fadados ao egoísmo, falo com simplicidade de quem assiste na penumbra o Teatro Humano.

Não serei eu quem vai arrastar as correntes, não é necessário, cada pessoa deve bastar e cuidar de si (acesso de egoísmo!), sentimento de amor próprio no corpo.Taty, aprendo devagar, no meu ritmo, mas aprendo.

Bom, tenho passado por horas difíceis (Você sabe, Nilton…), mas tenho passado por elas de maneira leve, minha amada leveza, sei de passos que devo dar num futuro próximo, e não tenho medo, são coisas por mim, para mim, preparo meus pés descalços para o caminho.

Desando o mundo, mas não deixo turvar minha transparência, minhas águas correm tranqüilas, serenas.

Sou pau pra toda obra: amiga, filha (quando me deixam ser…), namorada, ex-namorada, sou o perdão no minuto derradeiro, sou a mão do carrasco, sou amante, mulher, leve, implacável. E não vou soltar minha mão para cair no abismo, agarro-me às pedras, então.

Fui nomeada presente no dia de hoje, se estou feliz? A mim já não faz tanto diferença, sofri os dissabores do amor, mas sigo meu caminho em paz, nômade, eternamente sem chegada.

 Deixo fluir, deixo que os sentimentos se acalmem, deixo que cada um tome seu lugar na dança das cadeiras de minha vida, um ficará sem lugar, é certo. No mais tudo segue sua normalidade…

Bem, obrigada. Um celular desligado pra não correr o risco de dizer sim, amigas pra me defender de mim mesma, se necessário, uma serenidade que volta de viagem, melancolia pra horas vagas.

Nilton…Não importa o tamanho da alma, ela tem apenas o que merece ter. Teçamos então nosso próprio destino, eu já comecei a tecer meus fios de eternidade.

 E minhas mãos trabalham incansavelmente neste trabalho, tecendo meus fios de dias melhores…

Silenciosamente…

22 de novembro de 2006

Eis-me aqui novamente, eu, filha do vento, da inconstância…Estive a passear pelo mundo, viajei campos verdes e trigais, rocei levemente a mão por plantações de girassóis.

Estive à beira do Inferno, fui Perséfone durante todos estes dias de silêncio, cuidei de meu reino, cuidei de meus mortos. É chegada a primavera, e volto aos braços de minha mãe, Ceres.

Habituo os pés ao solo conhecido, faço-os sentir cada grão da terra, cada pedra. É esta minha casa.

Tive muitos cacos pra recolher desde o último post, aquelas antigas pedras que minha família atirou no lago do esquecimento emergiram novamente, é o fluxo, o refluxo da ordem natural que as coisas seguem.

O trabalho de sexta sobre o Eça foi muito bom, eu e ele conversamos e surpreendentemente ficamos nisso apenas.

Meu irmão mais velho veio de Marília na sexta-feira, ficou até domingo, é engraçado perceber quantos anos se passaram desde que os estilhaços de minha família se espalharam pelo mundo.

Nossa casa parecia um sanatório, sete pessoas, dois cachorros, barulho, desordem, caos. Era cheia de vida, de calor, de cores…

Hoje nem conheço minha casa, outro dia me peguei estranhando o jardim, meu jardim de noites com coração partido. Hoje a casa parece um mausoléu, abriga dores, fantasmas e silêncios forçados. As paredes segredam acontecimentos e nós fingimos indiferença.

Depois do fim de semana carregado feito nuvem que precede temporal, estou sutilmente mais conformada, aceito e abro os olhos para o que tive medo de enxergar…

* A delimitação do que tenho de meu é pouca e aleatória.

* Sou transparente, não sei vestir personagem, o figurino nunca é do tamanho da alma.

* Minha mesa precisa de uma limpeza (já cuidei disso!).

Ligação de minha irmã mais velha, a Nana, ela e meu sobrinho estão bem, alívio e um quê de felicidade. A Fí não está muito bem, e por razões e ligações que só o sangue e a magia das mulheres de minha família explicam, eu também não.

Ontem meu encanto se desfazendo, num estalar de dedos, ou melhor, em vários. Ele não quer minha paixão, sua boca disse isso, seu olhar disse isso, seus dedos disseram, num estalo.

 ** Tristeza confortável, dele carreguei a tocha e a espada, que agora deito no chão.

 Os ombros agradecem… Silêncio. Basta. Silêncio.

Atravesso o dia, cheia de poesia

16 de novembro de 2006

Cheia de poesia, hoje começo o dia sensivelmente apaixonada, amando secretamente homens e coisas…

O feriado se arrastou pela minha imperceptível existência, de manhã bem cedo fui para a casa da minha irmã, com uma amiga nossa. É tão acolhedor vê-la de cabelos emaranhados, de pijama, é uma volta ao meu passado doce.

Tomamos café, assistimos desenho, fizemos almoço juntas, depois da limpeza da geladeira. Fiz massagem nela, dormimos um pouco, depois banho, ela pro trabalho, eu pra casa dele (o Eça ta me custando caro!).

Uma caminhada debaixo de Sol escaldante, do ponto em que desci até a casa dele, pra me lembrar o quanto amo o frio (odeio sol, odeio sol, odeio sol!).

Bom, pra não fugir ou mentir…

Ficamos juntos (e eu me entrego de novo!), depois, conversa deitados no chão, olhando pro teto, lágrimas minhas, esforço dele pra prender o choro (isso me deu um nó na garganta). Pedi pra ele respirar, comecei uma massagem (uma das poucas coisas que faço excepcionalmente bem.), ao menos ele relaxou.

 Depois o trabalho de sexta, o Eça, alguns risos tortos para aliviar a tensão…

Trabalho quase pronto, um café que virou refrigerante, mais conversa, olhares de quê e por quê…

Consenso sobre algumas coisas que nos dizem respeito: somos diferentes, muito mesmo, pra ser fácil, seria impossível, temos as famílias, a questão da idade, sou cheia de vida, ele gosta de adotar pedras…

Fiz a escolha a meu favor, e como disse Bram Stoker, em seu célebre Drácula: “A vida é curta e é pecado perder tempo(…).

Ontem dia da poesia, hoje dia da poetisa.

Hoje o lirismo de Cazuza, e no caminho para o trabalho, um terreno abandonado totalmente coberto por flores laranjas, parecidas com aquelas que nascem nas beiras de muros de cemitério, mas ainda são flores, não são?

Cheia de poesia, hoje atravesso o dia, como o carro de Apolo.

Amando secretamente coisas, flores, homens e a mim.

* Ligação de ex-namorado, tão amável, tão saudoso (sabor conhecido gravado na língua…).

Ontem,meu reflexo…

14 de novembro de 2006

Quem visita meu espaço regularmente, e é um leitor atento, já deve ter reparado que quase nunca uso ponto final, sou feita de idéias vagas, de vazios a serem preenchidos, de espaços em branco…

Melhor hoje, ao passar a tarde conversando com um amigo, mais sincera, mais calma, resolvi assumir certas coisas, também tenho meus segredos, meus medos, minhas coisas ocultas.

Bom, ontem, quando voltava da faculdade, uma menina entrou no ônibus, devia ter seus cinco anos, meu mundo parou, fiquei olhando pra ela, tão natural, tão despreocupada, tão senhora de si…Parecia não se preocupar com as pessoas, nem com o universo nosso de cada dia, tão vasto, tão assustador.

Lembrei de mim, eu também já fui natural, espontânea, cheia de vida. Eu costumava pensar em mim, era senhora de mim, era leve, minha existência era suave, quase não tocava o chão.

Agora eu me pergunto: Onde é que eu larguei minha mão para segurar a de outras pessoas? Onde exatamente foi o lugar em que eu me abandonei pela primeira vezs?

Esse momento da minha vida, quando foi? Como eu não percebi? Em que desenrolar de hora eu optei por levar nos ombros as cruzes que não eram minhas?

Por que esse momento existiu, só não consigo me lembrar quando é que ele aconteceu.

Aquela menina era um reflexo meu, um espelho. Como? Como eu pude me abandonar? Amar alguém mais do que eu mesma é amar, quem não ama a si pode realmente amar outra pessoa (Nilton…?)?

Hoje meu dia amanheceu de olhos abertos (licença poética), caminhei de encontro ao sol, sem vendas nos olhos, caminhada apressada para fugir do atraso, vi pessoas olhando o horizonte para fugir do monstro de olhar a si mesmas, e não me senti em casa.

Estou retomando os passos, em busca de cacos de mim que eu deixei pelo caminho, na beira de estradas ruins, por onde me obriguei a passar. Em determinada hora  eu me deixei, larguei-me no mundo por outra pessoa.

Não me importa agora quem foi responsável, e eu creio sinceramente que fui eu mesma, ontem, ao me ver ali, naquela menina, eu me amei.

Eu estou APRENDENDO a me amar (é o começo, Nilton…), ontem estendi os braços e me abracei, me afaguei a alma, e como minha mão está leve, ainda que áspera,leve.

 

Dèja Vu…

13 de novembro de 2006

Um pouco receosa, ontem não consegui postar, desespero, medo,confusão. Esse fim de semana minha cabeça fervilhou.

O show foi uma droga, "eu quero chá de cogumelo amarelo" não é bem meu tipo de letra favorita, o cara? Uma fraude! Um hippie que viaja de avião, pode?

Bom, aconteceu o esperado, ficamos, não adianta, é sair junto e estamos aos beijos, sinceramente, a noite valeu por isso, não adianta mentir.

Estar com ele provoca em mim um misto de amor e ódio, por mim e por ele. Ele estava de camiseta amarela, que voltou a usar como marca de uma nova fase.

Sábado e domingo anestesiados, estive à beira da insanidade (Valeu Lú, por ter acalmado minha alma, amo vc), tive que salvar a mim e a ele, que estava rodeado dela, por sua antiga vida, por seus velhos fantasmas alegres e saudosos, por ela…

E mais uma vez ele descobriu que não está pronto, que não sabe como recomeçar, que é incapaz…Tudo o que eu já sabia, pediu pra que eu o ajudasse, para que esperasse alguns meses até ele melhorar (meses esse que vêm se arrastando), pra que ficasse ao lado dele.

A questão é: Desde que nos envolvemos não faço outra coisa senão tentar ajudá-lo a melhorar, não tenho todo o tempo do mundo para sentar, parar minha caminhada e esperar que ele decida dar o primeiro passo, e simplesmente não dá pra ficar ao lado de alguém que só me leva pro buraco, que me arrasta pro abismo.

Fiz o que pude, tentei deseperadamente e de todas as formas, mas não dá pra alimentar isso por mais tempo, não posso dedicar integralmente minha força (não tão notável) nessa relação(e isso é o que venho fazendo). Uma relação que tanto eu quanto ele sabemos que não vai dar certo, isso se ela vier a acontecer.

Aos poucos a leveza se esvai, minha leveza tão característica, tão minha. Não posso deixar que a presença dele domine minha vida. Isso é fato, o problema é como conseguir isso. (Amor próprio, Taty?).

Ontem à noite ele não estava bem, novamente num abismo (outro?!?), não queria ficar sozinho, fiz-lhe companhia através de mensagens pelo celular, ficamos nessa até eu adormecer. Ele passou a noite com seus demônios, eu com minha paz, tão inquieta.

Dormi um sono sem sonhos, dura realidade, mas tranquilo, sem maiores dores.

Tentativas, um passo de cada vez, para que eu não saia do eixo (o ponto de equilíbrio,Nilton), não estou triste, um leve desconforto talvez. Como disse a ele "não espero que fiquemos juntos, só quero que a gente fique bem".

Hoje eu só quero ficar bem.

*Até o perfume que eu usava mudou por causa dele, não tinha reparado até ele comentar. Hoje em dia só uso o que agrada seu olfato.

–Coisa que preciso recuperar: Individualidade

**Caro Aliado, fui considerada propriedade de alguém, logo eu? Acredita?

Metendo o dedo…

10 de novembro de 2006

Estou pensativa no dia de hoje, e quando é que não estou? Momento voltado apenas pra mim e para minha condição humana.

 Li o Nilton hoje cedo, falando sobre ciúme, algo que me dá arrepios! Nunca gostei de chiclete pisado enquanto caminhava para o nada, não suporto a idéia de ser limitada por alguém, pior ainda, por alguém que afirme me amar.

Ô humanidade cabeça-dura, quem foi que disse que é preciso sufocar o outro, cercá-lo por todos os lados, destruir sua individualidade e sua vida para estar junto a ele, quem foi?

Será que é tão difícil compreender que amar é soltar, libertar das amarras para que o outro caminhe sozinho, com suas próprias pernas, respeitar a vida do outro, seu espaço, seu ar pra respirar? Ô dificuldade…

Pobre homem limitado, busca a liberdade, sonha com ela, idealiza…Mas tem tanto medo. Pensa que ao soltar, perde, e que ao aprisionar, mantém. *

Para fugir de mim, hoje meto o dedo na ferida alheia.

 

Meu caro Aliado,

*Pra meter o dedo nas minhas feridas…

Hoje tranqüila, tranqüilidade inquieta, mas calma, passei por uma situação embaraçosa ontem, com uma amiga que amo muito, não vou entrar em detalhes, mas fiquei muito constrangida.

Provas e trabalhos para a próxima semana, o que significa cabeça ocupada nesse fim de semana.

Show hoje, e de novo, nada que eu goste, vou ver se a cabeça espairece, difícil… Companhia? Eu, ele, e um amigo em comum, receio, receio, receios… Que fazer? Não dá pra fugir o resto da vida, né?

Outra discussão no trabalho, com outro colega, com quem já me envolvi, acho que ele ainda não digeriu o fim do que nem começamos.

 Ando nervosa, feito onça, a paixão por mim custa caro aos outros, mas se for preciso eu pego minhas estrelas, ponho na cesta e vou brilhar em outra freguesia.

Sou inconstante, instável (ao menos não sou monótona!). Eterno andarilho, sempre pelas pedras, sempre descalça… Meus caminhos nunca tem chegada e eu nunca tenho um ponto final. Sorte pra mim, e para meus espaços em branco…

 *Eli, você ainda se lembra do gosto doce de nossas noites de conversa, depois de muita tapioca? Saudades, pra variar…

 ** Terminei de ler “Noites Brancas”, do Dostoievski, estou no segundo ato de “A Dama das Camélias”, semana proveitosa…

Com raiva, eu?

9 de novembro de 2006

Bom, ainda não são oito horas da manhã e meu dia ruim já deu o ar da graça, brigas em casa, um acampamento que não vai mais acontecer, minha cabeça dando sinal de loucura, estou a um passo do surto…

Meu trabalho não é exatamente o que pedi pra minha Deusa, trabalho muito, ganho pouco, tenho aspirações maiores, mas preciso me manter nesse pelo menos por mais uns três meses, sabe ninho de cobra criada? É assim, cada qual destilando seu veneno.

Pra passar o tempo, o dia de hoje arrasta-se ao som de Djavan e dos Rolling Stones, pra salvar minha centelha divina, Neruda, por que ninguém é de ferro, e eu sou feita quase que 57% de poesia, o resto fica para a incerteza, para a pressa, para a melancolia, algo para as paixões e os amores, uma pequena parte para a solidão, que não gosta muito de excessos.

Quase dez horas, sutil melhora de humor, dei uma passado nos blogs que estão na minha lista de favoritos, o da minina, o da Taty (que não posta faz um bom tempo, adoro os textos dela), o do Aliado (estou pegando sua mania, Nilton, meus dias estão sendo divididos em partes de tempo: manhã sonolenta esgueirando-se debaixo da janela, tarde longe, interminável como o horizonte, sempre milhas à frente e noites de guerra, contra mim, contra todos), são pessoas que por algum motivo fazem parte de minhas horas.

O blog têm sido um desabafo, um lugar pra gritar, salvando a garganta do que teima em se prender nela, coisa estranha, escrever pra milhares de pessoas por não conseguir falar com nenhuma sobre o que ando sentindo!

Hoje gostando mais de mim, comprei briga com um colega de trabalho, pra me defender, dá pra acreditar? Bati boca, logo eu, sempre tão calma, sempre tão leve, estou meio farta de tudo, querendo que meio mundo vá pelos ares.

Meu dia caminha vagarosamente, com longas horas, com uma raiva descomunal, com um peso ao qual eu não estou habituada, não sei como utilizar a energia de minha raiva em algo criativo.

 A noite ontem foi boa, dentro dos limites da possibilidade, prova, pé sujo, passos, passos, passos, carinho de amiga e resistência, não fiquei com ele, mantive distância segura entre a boca dele e a perdição da minha alma no dia seguinte…

 No dia de hoje estou insuportavelmente dedicada a mim, não vou aturar a falsidade, não vou baixar a cabeça, não vou escutar calada, nem me desdobrar pra preencher expectativas. No dia de hoje me defendo como onça protegendo filhote, como Heitor defendendo Tróia, como eu devia me defender sempre.

 - E não é que eu consegui utilizar raiva em combustível?

 - E não é que o gostinho ácido me agrada?

 - Com raiva, eu?

 - “Eu sou o rei do mar da minha cidade natal”.

 

*Aliado, hoje mais apaixonada por mim, estou aprendendo, obrigado.

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