Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Ontem,meu reflexo…

14 de novembro de 2006

Quem visita meu espaço regularmente, e é um leitor atento, já deve ter reparado que quase nunca uso ponto final, sou feita de idéias vagas, de vazios a serem preenchidos, de espaços em branco…

Melhor hoje, ao passar a tarde conversando com um amigo, mais sincera, mais calma, resolvi assumir certas coisas, também tenho meus segredos, meus medos, minhas coisas ocultas.

Bom, ontem, quando voltava da faculdade, uma menina entrou no ônibus, devia ter seus cinco anos, meu mundo parou, fiquei olhando pra ela, tão natural, tão despreocupada, tão senhora de si…Parecia não se preocupar com as pessoas, nem com o universo nosso de cada dia, tão vasto, tão assustador.

Lembrei de mim, eu também já fui natural, espontânea, cheia de vida. Eu costumava pensar em mim, era senhora de mim, era leve, minha existência era suave, quase não tocava o chão.

Agora eu me pergunto: Onde é que eu larguei minha mão para segurar a de outras pessoas? Onde exatamente foi o lugar em que eu me abandonei pela primeira vezs?

Esse momento da minha vida, quando foi? Como eu não percebi? Em que desenrolar de hora eu optei por levar nos ombros as cruzes que não eram minhas?

Por que esse momento existiu, só não consigo me lembrar quando é que ele aconteceu.

Aquela menina era um reflexo meu, um espelho. Como? Como eu pude me abandonar? Amar alguém mais do que eu mesma é amar, quem não ama a si pode realmente amar outra pessoa (Nilton…?)?

Hoje meu dia amanheceu de olhos abertos (licença poética), caminhei de encontro ao sol, sem vendas nos olhos, caminhada apressada para fugir do atraso, vi pessoas olhando o horizonte para fugir do monstro de olhar a si mesmas, e não me senti em casa.

Estou retomando os passos, em busca de cacos de mim que eu deixei pelo caminho, na beira de estradas ruins, por onde me obriguei a passar. Em determinada hora  eu me deixei, larguei-me no mundo por outra pessoa.

Não me importa agora quem foi responsável, e eu creio sinceramente que fui eu mesma, ontem, ao me ver ali, naquela menina, eu me amei.

Eu estou APRENDENDO a me amar (é o começo, Nilton…), ontem estendi os braços e me abracei, me afaguei a alma, e como minha mão está leve, ainda que áspera,leve.

 

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3 Comentários »

  1. Comentário por Aliadopoars — 14 de novembro de 2006 (21:36)

    Não queria escrever agora, porque há muito que comentar no que está escrito, mas não posso deixar passar a chance de dizer que, depois da primeira frase, todas as outras tiveram ponto ou de interrogação, ou final. Portanto, tudo que veio após a primeira frase foi diferente da auto-definição.Quem se ama, se auto-define de outras maneiras, até inconscientemente. Você está na sua trilha sagrada. Beijo aliado

  2. Comentário por Aliadopoars — 16 de novembro de 2006 (7:54)

    Crianças, acima de tudo, se amam, e se considerasm a pessoa mais importante do mundo. Isso é alimentado pelas pessoas importantes que a rodeiam e lhe dão banho de auto-estima enquanto pequenas. Muito provavelmente são estas mesmas pessoas que começam o processo de “tirar o brilho”, quando passam a dizer que antes de pensar em si é preciso pensar primeiro nas outras pessoas. Você não soltou a sua mão, ela foi solta pelas mãos dos “educadores” de plantão.

  3. Comentário por Taty — 19 de novembro de 2006 (11:14)

    A “culpa” sempre é nossa, ninguém nos carrega para lugares que não queremos ir; quem sofre faz essa escolha sei disso pq “sou bandida, solta na vida e sob medida para os carinhos dele”, acha que sou sou ingênua????? francamente isso não existe, só existem os que gostam de explorar, pq tem quem goste de ser explorado, o motivo… está dentro da criança que cada um de nós carrega e destrata.

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