Silenciosamente…
22 de novembro de 2006
Eis-me aqui novamente, eu, filha do vento, da inconstância…Estive a passear pelo mundo, viajei campos verdes e trigais, rocei levemente a mão por plantações de girassóis.
Estive à beira do Inferno, fui Perséfone durante todos estes dias de silêncio, cuidei de meu reino, cuidei de meus mortos. É chegada a primavera, e volto aos braços de minha mãe, Ceres.
Habituo os pés ao solo conhecido, faço-os sentir cada grão da terra, cada pedra. É esta minha casa.
Tive muitos cacos pra recolher desde o último post, aquelas antigas pedras que minha família atirou no lago do esquecimento emergiram novamente, é o fluxo, o refluxo da ordem natural que as coisas seguem.
O trabalho de sexta sobre o Eça foi muito bom, eu e ele conversamos e surpreendentemente ficamos nisso apenas.
Meu irmão mais velho veio de Marília na sexta-feira, ficou até domingo, é engraçado perceber quantos anos se passaram desde que os estilhaços de minha família se espalharam pelo mundo.
Nossa casa parecia um sanatório, sete pessoas, dois cachorros, barulho, desordem, caos. Era cheia de vida, de calor, de cores…
Hoje nem conheço minha casa, outro dia me peguei estranhando o jardim, meu jardim de noites com coração partido. Hoje a casa parece um mausoléu, abriga dores, fantasmas e silêncios forçados. As paredes segredam acontecimentos e nós fingimos indiferença.
Depois do fim de semana carregado feito nuvem que precede temporal, estou sutilmente mais conformada, aceito e abro os olhos para o que tive medo de enxergar…
* A delimitação do que tenho de meu é pouca e aleatória.
* Sou transparente, não sei vestir personagem, o figurino nunca é do tamanho da alma.
* Minha mesa precisa de uma limpeza (já cuidei disso!).
Ligação de minha irmã mais velha, a Nana, ela e meu sobrinho estão bem, alívio e um quê de felicidade. A Fí não está muito bem, e por razões e ligações que só o sangue e a magia das mulheres de minha família explicam, eu também não.
Ontem meu encanto se desfazendo, num estalar de dedos, ou melhor, em vários. Ele não quer minha paixão, sua boca disse isso, seu olhar disse isso, seus dedos disseram, num estalo.
** Tristeza confortável, dele carreguei a tocha e a espada, que agora deito no chão.
Os ombros agradecem… Silêncio. Basta. Silêncio.


Comentário por Aliadopoars — 22 de novembro de 2006 (18:20)
Glenda, você é uma grande fonte de inspiração. Uma ou duas frases que você escreve sempre colocam meus pensamentos em revoada, e parto do que você escreveu. (e no de hoje tenho quase certeza de que você sabe de quais frases estou falando). Vou ter que dar um jeito de garantir seus copirraites.
Beijo aliado