Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Minha casa, minha aquarela…

24 de novembro de 2006

Estou discretamente feliz, sem maiores motivos pra isso. Estou feliz, e ponto.

Ontem encontrei uma amiga da 5ª série, relembramos amigos, amores de criança, a gente.

Aos poucos entro em meu eixo, aos poucos a alma se acalma, torno-me planície…

Sentei-me à sombra do salgueiro, já chorei, pendurei minha harpa, agora me permito tocá-la de novo, e preencher o silêncio que me rodeia.

 Olho minha criança correndo em volta, os pés na grama verde, é um olhar amável, um olhar de proteção. Deixo-a livre, e me liberto.

Tenho uma coisa de amar o que é humano, imperfeito, mania de ver beleza em tudo…

Lembrei-me agora de uma praça aonde ia sempre, abandonada, reduto de maconheiros, solitários e poetas (onde me enquadro), de mosquitos e casais apaixonados e sem-vergonhas. Era um bosque perdido entre concreto e asfalto, aquele foi meu lugar no mundo durante muito tempo, e sei que ainda existo lá.

Caminhava do colégio até lá, chutando pedras, deitava na grama, debaixo de árvores, ou sentava no coreto, cheio de poeira. Gostava do barulho de água corrente, que vinha de um riachinho, tinha sempre um cão pra me fazer companhia…

Quantas vezes não chorei naquele coreto? Quantos poemas não escrevi naquele lugar esquecido por deus? Quantos amores não alimentei, suspirando?

 Aquele lugar era minha casa, e perdi a conta de quantas vezes fui até lá pra me abraçar e colar meus pedaços de um coração de porcelana. Pareço sentir o sol no rosto, a grama embaixo do corpo, a tranqüilidade que sentia ali, abandonada em mim.

Faz quase um ano que não vou lá, que não sinto minha respiração pausada, meu silêncio de quem grita para abrir os olhos do mundo. Vou dar um jeito de ir lá esse fim de semana, não são os dias ideais, mas fazer o quê? São os que me restam.

Melhoras? Conforto na alma.

Ontem ele me pediu para não deixar de amá-lo, e para ficar ao lado dele, involuntariamente solto as cordas, é um movimento natural, minha alma arrisca seus próprios passos. Dela sou expectadora.

Minha paz é algo de que não vou abrir mão, nem por ele, nem por ninguém.

*É Aline, estou me amando, amiga.

 Deixei meus dias em preto por muito tempo, as cores encontradas hoje são as mesmas que eu tinha antes, só que minhas misturas são mais alegres hoje.

Hoje pinto meu dia com vida. Com minha cor favorita.

**Tenho vida na ponta do pincel, uma miragem na selva de pedra, música na ponta dos dedos. Por que não ser feliz?

***Não se finda o que não teve início na roda eterna do tempo.

 Qual sua cor favorita? Qual lugar você chama de casa?

Arquivado em: Sem categoria I

2 Comentários »

  1. Comentário por Taty — 25 de novembro de 2006 (14:10)

    Eu sou minha casa, para o que for bom e para todo resto também, minha cor é a busca pelo amor, não o perfeito, mas aquele tão lindo quanto às gérberas laranjas.

  2. Comentário por Aliadopoars — 27 de novembro de 2006 (16:54)

    Assim como não se pode perder aquilo que não se tem.
    Azul. A minha casa.
    Beijos aliados.

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