Imensidão…
29 de novembro de 2006
Ainda é madrugada no dia que não abriu seus olhos, já chequei os e-mails, nada de novo sobre a Terra, tenho uma reunião me esperando, e ela não será nada boa, passei nos blogs favoritos (Nilton? Taty, Carpinejar…) e no último encontrei inspiração para um suspiro, Fabrício Carpinejar é um poeta gaúcho, maravilhoso.
Na minha mesa um Goethe emprestado, que devoro delicada e vagarosamente, telefones, fax, celulares, calendário, no qual nunca tomo nota dos dias que já se passaram de minha eternidade, o micro, personagens silenciosos de minha vida diária, minha renovada vida diária com gosto de comida de ontem.
Falando em ontem, noite guardada pelo silêncio, pedidos secretos de socorro, gritos que ecoaram apenas na minha cabeça. Não tenho medo, mas cubro a cabeça com as cobertas, não gosto de escuro.
Meus cabelos cacheados ainda estão úmidos do banho, estou bem, nada além do habitual desconforto, silêncio, paz. Já chorei meus mortos. Aos poucos encaixo minhas peças, pinto meus quadros, planto minhas
flores, em especial, gérberas laranjas (presente para uma amiga…). Sento-me na varanda de minha casa, aqui as horas são eternas.
Sou culpada por tudo o que acontece enquanto usufruo o sopro de vida, minhas glórias e meus fracassos são frutos de minha semeadura, então cabe a mim toda a mudança para melhorar.
Cultivo os amores dentro de minha alma, o terreno é pedregoso, mas é o que me cabe.
Reli hoje meus papéis antigos (e quem não os tem?), cartas de ex-namorado, cartas minhas que não foram entregues, poemas, frases soltas, letras que não viraram música, e descobri que a melancolia é companheira genética, corre no sangue, como a solidão.
Eu era mais poética antigamente, a vida fluía mais facilmente, minha visão era menos complicada, se resumia a meu mundo e às pessoas que eu colocava nele.
Agora vejo diante dos olhos a amplidão, um imenso vale, uma vastidão profunda…
Preciso achar meu lugar, o espaço que é dado a mim nesse mundo, os olhos ainda não se habituaram, cegam na luz do fim de tarde.
Daqui de cima o olhar vai mais longe, o pulmão ganha outros ares, mais puros…
Respiro vida e preparo os pés para a descida e caminhada. Tenho um sorriso discreto.
* Meu querido Nilton, grata por tudo.
** Taty, sinta-se presenteada…
*** A Deusa me guarda, o campo é grande, e estou cansada.

