Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Sono, música, filme e teimosia…

8 de novembro de 2006

Hoje ainda não acordei, as pálpebras fecham-se sozinhas, estou ouvindo pela 60ª vez uma música do Youngbloods, que me transporta pra uma época que eu não vivi, mas de que tenho saudade, estranho, né?

Levantei com um filme que assisti na cabeça, “Café da Manhã em Plutão”, simplesmente maravilhoso, não vou contar aqui o enredo, mas deixo a dica. O filme tem uma beleza tão leve, mas tão profunda, é pra ser um desses que você assiste um milhão de vezes e ainda chora…

Não parei pra analisar meu estado de espírito hoje, estou bem, ocupando a cabeça com as coisas da faculdade, trabalhos, provas, mais trabalhos, mais provas. Ontem tacaram umas verdades na minha cara, verdades que eu conhecia por que são minhas, mas que eu não fazia questão de lembrar que existiam, foi duro, mas necessário, preciso encarar meus fantasmas, ao invés de passar meu tempo fugindo deles.

 Fui chamada de covarde, talvez algumas pessoas pensem isso de mim mesmo, afinal medo tem um pouco de covardia, não me importo, tenho fases, um dia estou bem, noutro melhor, em outro estou um trapo, são meus vários “ser eu”, minhas partes que não se conciliam, e que nem por isso são menos amadas por mim. Taty, realmente a pior guerra é aquela travada consigo, não posso vencer e destruir meu inimigo, pois ele sou eu. Travo essa luta há anos em minha vida, mas ainda não sei amar mais a mim do que aos outros, e não acredito que esteja perdendo tempo dando amor a quem não merece, isso prova que tenho algo que valha a pena, um quê de lirismo, não vou perder isso pra me proteger, não quero me fechar numa casca para evitar possíveis arranhões.

Taty, não tenho amor próprio o suficiente para me importar mais comigo do que com aqueles que me são caros, por esse ou por aquele motivo. Não acredito que seja perda de tempo dedicar amor a quem quer que seja, ainda mais nesse mundão egoísta.

Não quero decepcionar ninguém, mas minha teimosia me faz continuar a ser exatamente quem sou, não sei se isso é bom, mas aprendo logo, descubro logo, podem deixar…

*Procurem o filme, é uma injeção de poesia nas veias.

Declaração de amor para minha irmã…

7 de novembro de 2006

Sensivelmente melhor, algumas risadas para presentear amigas, chuva à noite para esfriar as calçadas, frio nos pés para sentir vida, boca roxa…

Vida correndo pelo labirinto do meu corpo! Uma carona que não chega e uma impaciência que é só minha, o eterno desejo de ser agora, de ter agora, de agora pertencer…Já disse isso antes, sou URGENTE!

À minha frente um baile de ônibus, gigantes idiotas de aço, grandes, sim, mas inúteis, não sabem seguir seus caminhos, é sempre necessário alguém pra guiar…Talvez eu seja um pouco ônibus, é tão mais fácil quando alguém indica a direção.

Minha irmã ligou, combinamos um brigadeiro de panela na casa nova dela, fui lá só uma vez, na faxina… Sinto falta dela, que sempre foi minha família pra mim, eu só tinha ela pra ocupar minhas linhas em branco, e como ela preenchia bem os meus vazios!

Bagunça, a cama sempre com roupas, pra ela dizer que não as tinha, os copos embaixo do sofá, ao lado da cama, os pratos que eu vivia chutando, os acessos de egoísmo, meus e dela, namoricos de adolescente, que sempre acha que dessa vez será eterno, os doces que aliviavam as dores da alma às 03:20 da madrugada.

Ela sempre dizia: “Não me deixa engordar sozinha!”, era quase uma ordem (Fí, eu devo ter engordado uns 3 kg à força…), ela sempre foi a mais séria de nós, eu era a ovelha negra, a gente se completava perfeitamente, ela era meu par de pantufas depois de um dia de caminhada, seu colo me dava a sensação de estar em casa. Ela era o lar pra onde eu sempre regressava das minhas conturbadas viagens, e estava sempre ali para ajudar a cuidar das feridas.

Ela saiu de casa, a ovelha ficou. Ficou com o espaço livre do quarto, com a cama do lado da janela, com o guarda-roupa, agora tão espaçoso!

 Eu fiquei com o vazio, Fí, com a solidão, eu herdei os fantasmas que habitavam a nossa noite, o vácuo que ficou pela falta do seu abraço foi deixado pra mim.

Saudades de nossas “músicas de fossa”, de quando você escrevia e me fazia escutar seus textos até o final (achava aquilo um saco!), de seus puxões de orelhas, tantos e tão sinceros…

Hoje chove no quintal de minha alma, e a saudade, muito gentil, me acompanha num chá.

-Feche os olhos, minha irmã, vou sussurar-lhe um segredo no ouvido.

*escrito em 06/11, noite insone, chuvosa, regada a sorvete de passas ao rum, inspiradora de poesia…

Vocação pra Tisbe…

6 de novembro de 2006

Sábado,compras, roupas e sapatos, frescurinhas, só não encontrei novos sentimentos, novos perfumes, novos ares, nada de novo para pendurar no móbile da minha vida, as sensações e os pensamentos de sempre, assustadoramente familiares. Aprendi a conviver com as dores, elas são minha ponte com a poesia de minha vida, sempre achei que minha melancolia era uma maneira de ser simples, sem grandiosidade, exatamente como gosto de me sentir.

“Amor, e o que é o sofrer para mim que estou jurado pra morrer de amor?”. Tenho brincado de ser Tisbe, de me matar com o punhal de Príamo, queria deixar que Príamo morresse sozinho, preciso ser drástica, nunca entro em acordo comigo, por mais que eu tente não consigo me distanciar, têm algo que me prende, que me arrasta, não sei nadar contra a correnteza, ainda não sou forte o suficiente pra conseguir, e ele precisa de ajuda, sempre penso que um dia ele vai agradecer por ter permanecido ao lado dele, ele não é um crápula, seria injusta se afirmasse isso, apenas para diminui-lo. Ontem não suportei a tristeza, fui ao shopping resolver uns problemas, o desespero me tomou, pavor de solidão, logo eu, a eterna solitária, a filha do abandono, liguei pra ele, fui até a casa dele, me afoguei no abraço dele, que me sufocou, mas manteve minha alma no corpo, senti um alívio, um alento, não sei o que acontece, ultimamente não consigo sentar pra falar comigo, minhas partes não sabem se socializar, chorei um choro sem lágrimas, mas não consegui falar a razão de minha angústia, ele até tentou, mas não confio nele, não o bastante para me expor dessa maneira, fiquei muda. Ontem tive a certeza de que ele não quer se envolver, não comigo, eu sou mais uma maneira dele tentar melhorar.

 E eu sempre termino me matando com o punhal que ele decidiu carregar.

*Música pra me traduzir? Sorri, uma versão para Smile, de Chaplin, é assim que tenho levado meus dias.

“Sorri quando a dor te torturar

E a saudade atormentar

Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar

Quando nada mais restar

Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz

E sentires uma cruz

Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a tua dor

E ao notar que tu sorris

Todo mundo irá supor Que és feliz”

Assaltante da goiabeira do vizinho…

3 de novembro de 2006

Quero falar de coisas mais leves hoje, meus últimos dois dias pareceram nuvens negras carregadas de chuva, ainda não me recuperei da queda, estava preparada, já tinha consciência de que ele não ia conseguir, mas quando vc sente os joelhos no chão é outra coisa, eu vi meus joelhos ralados, e isso doeu um bocado!

Não esperava que desse certo, mas no fundo a gente sempre torce a favor, lá no fundo, bem escondidinho, tudo bem, vai ficar tudo tranqüilo de novo, eu não vou cultivar minhas dores, como ele faz, elas estão aqui, fazem parte de mim, mas não são senhoras da minha vida, tenho muita coisa pra fazer, algumas pedras pra catar e outras pra chutar, gosto dessas pedras, elas me lembram sempre que eu não sou intocável, gosto da sensação de ser uma pessoa qualquer, é menos pesado…

Sinto-me meio abandonada, mas isso é passageiro, quem nunca sentiu aquela dor que ia durar a vida toda, e depois de um certo tempo nem se lembrou de que sofreu? Não vai durar pra sempre, preciso de um tempo para cuidar de mim, brinquei de pular o muro do vizinho pra roubar goiaba e zombar do cachorro, me ralei toda, mas o gosto doce ninguém me tira da boca nem da lembrança, faria tudo de novo, não tenho dúvidas…

Admiro a vontade dele, não deve ser fácil, queria poder ajudá-lo, mas quanto mais próxima dele, mais distante de mim, fico aqui, torcendo no íntimo pra que ele melhore, as dores que recebo com amor eu pago, sou meio às avessas, apegada ao desequilíbrio, uma de minhas faces sempre sobressai, dependendo da situação e da companhia. Sou adjetivável, utilizem-me como bem quiserem.

Estarei aqui, se ele precisar, só não vou contar isso pra ele, mas eu sei, e por enquanto é o suficiente, às vezes acho que devia me expor menos, depois sacudo a cabeça negativamente, como que para espantar a idéia, não seria mais eu se fizesse isso, e não quero me abandonar…

Estou bem, e se não estou, vou ficar, tenho que resolver uns problemas: Minha irmã (Fí, a gente sai dessa, juntas.), meu desencanto com minha vida, a dispersão da minha família, amigos, amigos, amigos, sem eles, nada! Com eles, tudo!

A tristeza eu guardo num canto, pra noites insones e dias de chuva, agora preciso me mexer, minhas pernas precisam se mexer!

É Novembro, e tem um mundo lá fora…

*Pietro, as estrelas novas no meu céu eram meros vaga-lumes, mas valeram o brilho…

Minha quarta de cinzas…

2 de novembro de 2006

Não sei por onde começar, ontem vi meus planos, e a gente sempre faz muitos, esfarelando na minha mão,foi difícil, quis sumir, morrer,matar…

Eliseu, não queria que terminasse assim, temos uma amizade tão bonita, não queria que se apaixonasse, eu confiava em você, suas palavras foram um tanto duras, como socos na boca do estomâgo, eu sinto muito.

Sinto-me a própria Psiquê, vítima da fúria de Vênus, não queria a beleza, maldição em forma de presente, não tenho coragem para cumprir minhas tarefas, tão árduas…

Na noite eu quis sumir, meu futuro namorado, por fim, decidiu abraçar seu sofrimento, eu aceitei o pedido, ele se arrependeu do mesmo, no fundo eu já sabia que isso não ia durar, ele demorou mais do que o esperado pra se arrepender,mas,ali, no chão da faculdade eu deixei minhas pedras rolarem abismo abaixo…

Não chorei, achei que não era capaz de fazer isso de novo, tanto tempo sem lágrimas, a dor ficou presa junto à garganta, fiz-lhe algumas confissões, a alma gritou ódio aos mortais, e eu fiquei ferida, o ventre, o seio, a leveza….

O caminho de volta fiz de forma anestesiada, não sei como agir, triste fim de alguém que sempre se doa um pouco mais, não consigo odiá-lo, ontem eu sentí raiva de mim, não quero mais isso, desprendo-me dele para segurar minha mão antes que eu caia de todo.

Hoje, brigas em casa, saudade do colo de minha irmã, preocupação, a vida dela está pior do que a minha,acusações…Visita de dois amigos que salvaram minha vida à tarde, Tigrão, obrigado pelos sorrisos tão raros que arrancou de mim, Luiz Guilherme, obrigado pela massagem que salvou minhas costas e pelas lágrimas que derramei sozinha no quarto, depois que vocês foram embora…ainda estou viva.

Estou assustada, impotente, triste e solitária, mas ainda estou viva.

Acho que é o pior de tudo….

Pra mim, uma taça escandinava…

1 de novembro de 2006

Ontem, comemoração do aniversário de uma grande amiga, vinte anos de estrada, vinte primaveras pra comemorar, vinte alegrias… Pé sujo…vinho para aquecer a garoa, pés molhados de água da chuva, vida emanando pelos poros de muitas peles, calor humano… Ontem, chuva para molhar o vestido novo, despentear o cabelo, tirar a maquiagem e lavar a alma… Ontem, um estômago vazio a encher-se e a reclamar depois… Ontem, um certo desconforto e a certeza de que não vai ser fácil… Ontem, a fuga de uma despedida por que não sei lidar com a perda, não sou dada a separações…Alex, ninguém brinca de mão como vc! Ed, sua morena linda vai estar sempre no mesmo lugar, desculpa gente, mas eu não consegui, é que vocês se tornaram parte de mim e de minhas sextas quentes. Desculpem a promessa não cumprida, não sou forte o suficiente para me desprender sem me machucar. Um dia a gente se topa por aí, sei que a gente se encontra. Ontem, beijos no meu futuro namorado (isso é um tanto ridículo pra mim…), um processo de acordos, aquele olhar dele que eu tanto odeio por que parece sempre estar se arrependendo ou se repreendendo pelo que está fazendo. Ontem, declarações de amor para algumas pessoas, sensação de copo transbordando, ligação do meu ex-namorado que desligou antes de eu atender, perguntas de sim e não, de razões e respostas, revoltas racionais… Ontem, vontade de grávida, vontade de corpo jovem, vontade de mulher…Tive muitas vontades no dia de ontem. Hoje ficou só o sentimento de fim de festa, aquela cabeça meio pesada, aquele botão da blusa que fugiu para algum chão distante, aquele desconsolo, aqueles lençóis desarrumados, aqueles copos cheios até a metade… “E agora, José?”. Hoje ficou uma sensação incômoda de vazio, um vazio sem razão de ser.

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