Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Sobre silêncio forçado e medo

11 de dezembro de 2006

As palavras teimam em forçar silêncios, não querem sair, não querem quebrar a longevidade de uma tarde inquieta.

Dias anestesiada, uma cabeça pesada, olhos fundos devido às noites insones. O mundo não me tem mostrado os dentes em sorrisos, não têm sido fácil conviver comigo. Tudo é desordem, tudo é caótico, sou toda desacordos.

Uma dignidade irritante por que não sou brinquedo velho, não me sujeito obedecer a vontades alheias, cansei de proteger outros e me obrigar a pagar o preço sozinha. Não tenho alguém que cuide de mim, então eu devo cuidar.

 No fundo estou furiosa por que assisti a tudo calada, por que fui incapaz de gritar bem alto o que desejava, o que achava necessário pra mim. Deixei que guiassem meu carro de Apolo ao bel prazer, como se eu não fosse dona de meus amanheceres, como se não fosse Senhora de meu caminho. Basta. Foi o suficiente, agora basta.

Não hei de me sujeitar. “Não se resigne”, é isto. Travo guerras comigo. Mato-me mil vezes, se necessário, mas construo minhas verdades, sem querer ignorá-las depois. Acabo encontrando meu próprio caminho, para perder-me nele depois. Não há de ser o mais cômodo, é certo. Mas é o meu.

Não tenho medo de encarar a realidade, porém me tomam mais fraca do que sou, me julgam imatura, que seja então. Sigo só, mas de cabeça erguida. O desejo chamou um nome três ou quatro vezes, e não obtendo resposta, guardou-se no armário empoeirado das lembranças, sentindo ainda a língua quente nos campos da pele.

O que me assusta não é a solidão, pois eu me adapto bem aos meus maus modos (capacidade de adaptação, lembra Nilton?), não me assustam os esforços perdidos, que escoam pelo ralo, não me assusta a rejeição de um sentimento que só desejava estar presente. O que me assusta é a ruína. A ruína de tudo o que construí.

E para evitar que meus olhos sejam testemunhas disso, me guardo como brinco sem par no porta-jóias.

 “(…)e para mim não havia chave nem barcarola,

nada senão uma ferida pelo amor aberta…”

Abandono-me em mim. Deixo-me estar perdida em meus labirintos…

 Não preciso de mais nada, é isso, e só.

Arquivado em: Sem categoria I

1 Comentário »

  1. Comentário por Eliseu — 12 de dezembro de 2006 (0:45)

    Depoios de um tempao eu me pego acessando seu blog…
    Eu estou de malas prontas, essa semana viajo,Desejo a vc um ano novo de muitas virtudes e alguns pecados suaves.
    lembrete: meu aniversário!”pelo menos uma mensagem”
    Bjsss

Deixe um comentário

Feed RSS dos comentários deste post. URL de TrackBack

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://entremeusrins.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.