Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Declaração de amor a E.V…

18 de dezembro de 2006

Meu doce E., falhei de novo, não tenho as respostas, não me igualo a G.H., embora tenha plantado no teu íntimo minhas sementes de girassol.

Quantas vezes não nos sentamos para falar sobre solidão, meu querido? Ou nos calamos para respeitar o silêncio que tomava posse? Foram sempre os mesmos vazios, as mesmas questões fervendo as entranhas, as mesmas inquietudes da alma.

Nosso ânimo para falar de bandas velhas, cheirando a poeira e barata (sempre tivemos vocação para rato!). Nosso cigarro, que eu vivia tentando largar e que você adotava como filho, a paixão pela literatura (você largou o Direito por ela!), o apego ao vazio, ao outro lado…

Nosso vazio, E., nosso vazio tão singular, tão meu e seu.

É meu amado, roubaram-nos a solidão, quebraram nossas janelas, arrebentaram a fina teia que mantinha nossas paredes de pé. Levaram nossas preces, que destinávamos ao deus que não tínhamos. Nos levaram espada, elmo e escudo.

Nossos ideais utópicos, os sonhos, nos despiram da rebeldia, da audácia, do gosto pela vida em sua crueza, sem atenuantes. E você me diz hoje que assassinaram o que você era (Da primeira vez que me assassinaram…Mário Quintana, lembra?).

 Eu criei raízes, habituei os pés ao conhecido, e hoje tenho medo. Eles me domesticaram, me enjaularam, e me mantêm viva com migalhas que despejam em minha tigela.

Hoje arrasto correntes, mediocridade de minha existência, fecho os olhos, fecho o monstro dentro de mim, fecho o corpo.

Você presenciou minha metamorfose, e consentiu com um aceno de cabeça. Fazíamos uma bela dupla, malditos sejam aqueles que escancaram a verdade, fomos perdição.

Rasgamos com as unhas e os dentes o tecido da conveniência. Rasgamos a alma como folha de papel.

Estou aqui, meu amado E., não sou G.H., mas tenho o colo e a mudez que precisa, em cada uma das mulheres que sou.

*O amor só destrói quando se esquece que é necessário ar para respirar.

Respire, meu doce E., respire. As sementes germinam, e que nasçam os girassóis…

***Érico Vinícius, isso é pra você… são palavras de G.H, mas servem pra nós…

(…) – E então não suportei mais a tortura e confessei, e estou delatando. Não suportei mais e estou confessando que já sabia de uma verdade que nunca teve utilidade e aplicação, e que eu teria medo de aplicar, pois não sou adulta bastante para saber usar uma verdade sem me destruir.

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