O natal passou
26 de dezembro de 2006
Festas de fim de ano, grande coisa, aqui debaixo de meu telhado nada muda, as coisas estão como foram deixadas há anos atrás, abandonadas por conta-gotas, apenas a conta bancária sente a mudança, por mais que não se goste da data, presentear é obrigação.
Serão dias comuns, noites comuns, presença de meu irmão e meus dois cachorros apenas, os três e eu. A história de "união familiar" não faz parte de nosso cotidiano há muito tempo, nem as festas de fim de ano, nada de novo riscando o céu de minha medíocre existência.
Fica apenas a impressão conhecida na pele, algo que beira a solidão, sorte minha ser boa atriz, assim me exponho um pouco menos, senão seriam inúmeros tapinhas nas costas e mensagens esperançosas de melhora, coisas que, sinceramente, não suporto. Desde cedo aprendi a existir sozinha, mas confesso que, às vezes, queria alguém pra ceder-me colo e silêncio.
Ficam vácuos, vazios, ficam tristezas, que se por um lado machucam, por outro inundam-me de poesia e lirismo. Meu ponto forte é fraco, meu ponto fraco é marco de força em mim, na fila das qualidades e defeitos só passei uma vez, e o que adquiri serviu-me tanto de bem, quanto de mal.
São cinco dias pra acabar este ano? Desculpe a pergunta, é por que na dimensão onde sou o tempo não se conta, é fonte que jorra, traz vida e morte, e sempre renasce as cinzas de mim, Ó eterna Fênix. Meço a eternidade em anos-luz.
Não vou colocar meu ano na balança, uma coisa que me falta é equilíbrio, e justamente quando acho que vou conseguir um pouco mais de sanidade (ou normalidade), me destruo, porque perderia a essência se encontrasse o eixo, o ponto exato para existir.
Condeno a morrer e renascer, e se alguém tiver a coragem, aconselho que se permitam viver assim, sem atenuar sentimentos e sensações, ainda que só por um dia. Aconselho que se permitam. Que uma vez ou outra vivam Intensidade. Que aprendam para desaprender, que amem só pra sentir calor no corpo, ainda que o preço pareça alto.
A vida foi suficientemente dura comigo, então precisei agarrar rápido seus poucos afagos, por isso sei que meu arrastar por sobre esta terra foi mais verdadeiro, não tenho tempo para alimentar dores ou causar-me males eternos, eu absorvo-os e dissolvo no sangue, queima, claro como a luz do Sol, mas evito desperdício.
A dor que sinto acaba fazendo parte de mim, como devia ser sempre, os amores guardo no íntimo, para que floresçam silenciosamente, e para que eu possa observá-los e contemplar a beleza que tiveram, e realmente, eles foram belos. Solidão é palavra bonita, minha solidão nada têm de assustadora, é a presença constante de minha vida.
*Hoje entrei 12:00 no trabalho, então aproveitei pra ir à casa de minha irmã, cheguei às 8:00, ela estava com enxaqueca (mal de família…), sai, fui até a farmácia, passei na padaria para comprar algo pra ela comer, fiz chá, massagem, velei o sono dela…
Levei os presentes dela, lavei a louça, varri a casa…Sentia falta desse convívio, sinto ainda…
**Algumas escassas ligações, o Cidão me pedindo em casamento (disse que se não nos casarmos a loucura das mulheres de minha família me vence…), e planejando uma viagem nossa no carnaval.
***Anestesia, por favor…Assim levei meus últimos dias…


Comentário por Aliadopoars — 27 de dezembro de 2006 (10:04)
Boba, sua existência não é medÃocre. Ela tem o Cidão querendo livrar você da loucura de sua famÃlia. Pedido de casamento é uma conquista, não um presente.
Beijo aliado