Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Motivos de nascimento…

28 de dezembro de 2006

Há muito evito pensar nos meus íntimos, meus abismos em mim mesma, tenho fugido, mas sei que eles estão todos lá, rodeando as minhas fogueiras de Beltane. Não é que eu esteja sendo covarde, apenas coloquei minhas paixões um pouco de lado, pra respirar outros ares, girar incessantemente em volta de uma mesma coisa estava deixando minha cabeça tonta, escapo para ser racional (ao menos um pouco.), minhas maneiras de ser precisam ser um pouco mais civilizadas, nem que seja para um pouco de proteção.

Tomo chá com a solidão todos os dias, sempre no mesmo horário, quando o sol se recolhe pra dormir, convivi a vida toda com essa sensação de que falta algo, há algum tempo entendi não me faltar nada, é sensação que ganhei de herança, e que me transborda em tardes de chuva forte.

 Pra ser sincera, acho que desacostumei estar acompanhada, ter alguém pra passar parte das horas (e vê bem que digo "parte", em geral os apaixonados querem estar o tempo todo ao lado da pessoa amada.), gosto de ser só, aprendi a ser só, apanhei na cara, mas aprendi.

Acho que nasci para comprar porções individuais, visitar sebos, ouvir discos (LPs, por favor…) de minhas bandas favoritas no meio da noite, com uma xícara de café forte. Nasci para dançar sozinha no tapete da sala, abraçando vestidos. Nasci para ter cachorro me esperando no apartamento, pra deixar calcinhas no box do banheiro de vez em quando (e que mulher nunca fez isso?), comer brigadeiro de madrugada assistindo filmes que tenham, no mínimo, vinte anos de idade, pra ler meus livros favoritos pela trigésima vez, sem me incomodar em lembrar quase todas as falas das personagens.

Sou mulher pra ler poesia às 3:40 da madrugada, pra ir em bares escondidos em becos da cidade, só por que me parece underground, pra beber vodca pura, sou mulher que chega ao orgasmo sozinha, e que não tem vergonha de assumir isso, nem puritanismo quando o assunto é sexo. Sou mulher que assumiu, e assume pra quem quiser, sua própria sexualidade.

 "Eu acho que nasci procurando o infinito", nasci com adoração à arte de contestar, com ânimo incansável para revoltas e revoluções (a começar por revoluções em mim…), com voz firme e garganta resistente, para gritar amores e horrores em praça pública. Nasci com sede, mas não de água, minha sede é de vida, minha vida escorre garganta abaixo, como remédio amargo, mas vital.

Uma vida acompanhada não me comporta, uma vida em casa não me comporta, um homem não me comporta, paredes não me comportam. Uma vida calma não me comporta. Um único amor não me comporta.

Basta um único gesto que beire o aprisionamento, ou que pareça me limitar, e estou a anos-luz de distância, não suporto grades, sufocamento e cobrança. Não abro mão de minha individualidade, não abro mão de minha leveza, não abro mão de mim mesma, ainda que o outro seja atraente aos olhos.

 

Eu preciso existir em expansão. Preciso ser em expansão. Preciso amar em expansão.

 

Realmente, acho que fui escolhida a dedo para ser sozinha, abraço de solidão não fere, confronta. Ainda não encontrei alguém que me deixe existir em mim mesma, que entenda que amor solta as correntes e enche os pulmões de ar, e não o contrário (a não ser um amigo de Porto Alegre).

 

*Nilton, meu querido, obrigado pela companhia, tão constante nos últimos dias, e por se parecer tanto comigo, você tem salvo meu humor…

**Ex-namorado ligando no celular, e vinte minutos de conversa depois, um doce carinho me toma. Eu amei este homem também. E talvez ele tenha me amado mais do que qualquer outro, e esse foi exatamente o problema que causou o fim do nosso relacionamento.

***A mãe do meu filho é uma velha amiga, dos tempos de colegial, ela é peça que sustenta minha base, amiga pra todas as horas, colo, conforto, e metralhadora de verdades que só ela tem o direito de me dizer, pelos anos de amizade, e pela ligação de eternidade que nos une. Vou batizar o Leoni, fui convidada pra ser madrinha, e bancando a mãe coruja, meu filhote é o bebê mais lindo do mundo. Karol, obrigado por tudo,até mesmo pelos atos suicidas que cometemos, por que estavámos vivas, e obrigado por ter nos presenteado com o Leoni. Eu amo você, minha amiga.

 

Licença, volto pra mim, cantarolando a poesia de nosso grandioso Cartola (e quem não gosta que me perdoe, mas ele é divino!)…

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3 Comentários »

  1. Comentário por O Amigo De Porto Alegre — 28 de dezembro de 2006 (16:45)

    1)”Se você quiser prender o seu amor dê liberdade pra ele, mas nunca lhe diga adeus, que adeus é tempo demais.”
    2)”É um desperdício comum, dois viver vida de um.”
    São dois trechos da mesma música, cantada em 1986 pela Zizi Possi. (me fugiu o nome)
    3)”Quando duas pessoas se tornam uma só, o resultado final são duas meias pessoas.” Dr. Wayne Dyer.
    E tem gente que acha que não temos razão em não só querer preservar a nossa individualidade, como também zelar pela individualidade da outra pessoa. Fazer o quê, se parece tão difícil para as pessoas “normais”?
    Beijo aliado.

  2. Comentário por Taty — 30 de dezembro de 2006 (14:28)

    Glenda que texto lindoooo!!!

    Parabéns menina!!!!

    Que 2007 seja repleto de amor e realizações! e muita paz no coração.

    Taty

  3. Comentário por Patricia — 3 de janeiro de 2007 (12:04)

    Vc não e só. Tem a si. Pode nao bastar para todos, mas se basta a vc, continue firme e forte, seguindo sua vida de coragem!! Vc e linda, vc e vida!!
    Feliz 2007! Q sua foça seja renovada a cada dia e a cada noite!!!

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