Sobre erros meus e coisas nossas…
7 de dezembro de 2006
Ontem cometi um erro apoteótico no trabalho: assinei um contrato com uma empresa-fantasma de São Paulo, corre dali, liga daqui, contrato cancelado, depois de muito sufoco. Culpa da minha distração, maior ultimamente. Ganhei a faixa de Miss Topeira.
Minha irmã passou no trabalho ontem, pediu-me pra ir até a casa dela. Fui. De cara ela me empurrou comida (bolo e suco), depois, dança, o corpo respirando a vida que exalava do chão verde, meu corpo se livrando das amarras, mais leve que o ar.
Fiz massagem nela, declamei-lhe Neruda e Drummond, estava tão senhora de mim. É como se precisasse dela para ser em minha totalidade. E realmente preciso.
Montamos pastéis de pizza! Uma amiga e o marido iam pra lá, ela me fez escutar música sertaneja por quase duas horas, enquanto conversávamos sobre ex-amores presentes, amores que florescem agora, lembranças, vidas e sobre a magia de nossas mulheres.
Os pastéis ficaram ótimos, apesar de estarem frios, a cerveja com espuma estava maravilhosa, conversa animada, encontro de um ramo de nossa família…
Os sentimentos subiram à garganta. Despedida, fingi esquecer algo pra deixar-lhe um bilhete escrito num guardanapo, declaração de amor e saudade. Hoje soube que o bilhete a levou às lágrimas. A mim também, quando escrevi.
Agora bem mais tranqüila…
Comecei a numerar o que eu e ele temos de nosso, se é que temos algo…Alguns e-mails em nossas caixas de entrada (ele em menor número, pois deletou a maioria num “acesso de vontade de paz”), algumas mensagens no celular, duas fotos em que estamos juntos, tiradas por uma amiga.
Temos provas e trabalhos em dupla, dois namoros relâmpagos, amigos em comum, mais dois anos na mesma sala, algumas paixões, como a literatura e o rock n’ roll, noites bêbadas, um show de uma fraude “underground”, passos compartilhados pelas ruas de nossa cidade, em noites longas, regadas à inquietação, receio, ternura…
Incluem-se aí também algumas idas a uma sorveteria para tomar cappucino e refrigerantes, uma ida ao mercado para comprar pêssegos e maçãs (ganhei um mini panetone!), algumas caminhadas silenciosas, lado a lado.
Temos paixão por café, paradas em praças, meia dúzia de beijos, olhares repressivos, mas alguns ternos também. Um ou outro momento de entrega, algumas discussões, incluindo uma no meio da rua, onde, cada qual de um lado dela, armados até os dentes, jogamos verdades na mesa.
Temos um blog juntos, uma certa pontinha de superioridade que é ridícula, um quê de idealismo utópico e revoltas que não mudam um mundo, temos conversas mudas, que explodem em chuva de palavras e dedos apontados, umas poucas ofertas de colo e atenção. Uns “eu odeio você!”, medo, certas vontades, chocolates…
De nosso temos um ou outro poema, confissões, ora desejo de estar junto, ora de estar separado. Temos tristezas em noites insones, palavras caladas, nós na garganta, lirismo pelo celular…
Ah…Não posso esquecer…Temos uma flor amarela em um Goethe…
* Mãos que se seguram pra não caírem no abismo, será que conseguiremos?

