Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

A minha crueldade…

30 de janeiro de 2007

Hoje sou toda Chico, arrumo o quarto do filho que morreu, sou toda dor de instinto, sou toda a falta que sobrou…

 

Um velho amigo veio ao escritório hoje cedo, me ver, ficou sentado, me observando por minutos que pareceram horas. Este amigo me declarou amor em silêncio, e como sentir isso dói! Como sentir o amor escorrendo na pele dói. Como eu quis morrer, como eu quis morrer…

 

Dói porque eu não pude aceitar ser amada, porque eu fui injusta comigo mesma, e me julguei incapaz de merecer o amor que me devotavam. Durante toda a minha vida eu me neguei o direito de sentir o amor do outro. Eu me neguei o direito de vida. Eu me neguei o sentir, porque não consegui enxergar que eu era boa. Como fui cruel.

 

Este meu amigo me amou durante longos anos de sua vida. Durante terríveis longos anos, em que eu desprezei seu amor. Sempre acreditei que estava usando da sinceridade, que fere mas que se faz necessária, quando lhe pedia que me esquecesse. Ele não me obecedeu.

 

E hoje, quando, ao se despedir, este amigo beijou-me as mãos, minha verdade oculta apresentou-se à luz. Quando sua cabeça se inclinou, e seus lábios tocaram tão pura e resignadamente meus dedos, me senti uma sacerdotisa. A pureza imaculada de Vesta.

 

Tantos foram os sentimentos que me tomaram…tantos fantasmas que me assaltaram. Tamanho foi meu sofrimento, que creio ser impossível me olhar no espelho, não suportaria me analisar nos olhos. Minhas verdades, as verdades que eu escondi! Que ocultei até mesma de mim. Como é grande a dor, céus! Como é grande este sofrimento!!!

 

Por que não há como culpar outra pessoa, não há como transferir a culpa pra alguém. Não há meio. Li o blog de uma amiga hoje (http://tatyana.legal.zip.net) , onde ela dizia que sempre usou régua muito justa consigo mesma. Como foi custoso me identificar ali.

 

Que o amor tenha piedade de mim!! E que ele volte às minhas entranhas.

 

"Ah.. G.Y, doce é o seu veneno que cura. Meu olhar tinha razão quando falava de seus olhos, tão limpos eles são, parecem o total eclipse da Paixão. Já havia tempos que eu passava fome de mim mesmo. Você trouxe de volta a existência escondida em mim. Antes dos nossos diálogos eu era apenas um castelo de ilusões, mas nós conseguimos a queda, graças a palavras destruidoras de conformismo e rótulos, que saíram de nossas almas. Sejamos o deserto onde não há nada, apenas a nossa paixão pelo Desconhecido. Sejamos o adubo que alimenta a terra e constrói a cítrica do amor. Adubo de restos fragmentados do vazio, que por justiça se torna o supra-sumo de toda vida. Que a minha loucura seja perdoada, pois metade de mim é amor, e a outra metade… é Você".

 

Este é um presente do Érico pra mim. E me prova o tamanho da minha crueldade para comigo mesma…

E viva minhas amigas…E as frivolidades também!

29 de janeiro de 2007

Pra minhas amigas…o que de bom há nessa vida…

 

Sábado o Quarteto Fantástico se reuniu de novo!!! Quarteto esse que, de novo, formava um terceto(rsrsrsrsrs), né, D.Yaísa Furona Faltei de Novo Melina? Eu e minhas Alines. Me preparei, acordei cedo, dei aquela geral na casa-desordem-inferno-bagunça-revirada, porque eu também tenho vocação,ainda que contrária à vontade própria desta que vos fala, pra ser mulher de verdade…

 

Bom, aviso por e-mail de "Glendaaaa…não vem de saltoooo!!!!!", meti o velho e empoirado All Star no pé, todo desbotado, com calça jeans rasgada (e viva a antiga Srta. Rock n’ Roll…), suspirei fundo e disse, resignada: tudo por elas.

 

A Alininha mora longe pacas do lugar habitável, região-limite, onde ônibus chega: Pernas pra que te quero!! Dá-lhe caminhada, que as pernas de louça da moça precisam, e muito!!! E sol, com chuvisco, que é verão e essa estação aqui costuma fugir da normalidade calor-céu azul limpinho-picolé de frutas. Chuvisco demaquilante!!!!!

 

E eu ainda tenho que manter a pose! Quase sentei no meio fio! Cuidado que o santo é de barro! Foi quando avistei dois pontos de tamanhos diferentes se movendo em minha direção (a diferença de altura entre elas é, digamos, considerável!), agitando os braços e gritando: "Amooooooooooooooooooooooooooooorrrr" no meio da rua, ai, minhas amigas não são apaixonantes? Não dá pra fingir que não é comigo, eu até que tento, mas a boca teima em abrir sorrisos, acenei também…

Somos todas loucas!!! rsrsrsrsrs.

 

 Aí pra pôr ordem no galinheiro, só com reza brava!!!!!!!! Abraço de cá, riso de lá, fomos as três. desordenando a vida e a vizinhança. Que fazer? Contar as novidades, fuçar na vida alheia (mais precisamente na do ex da minha amiga, coitado! Depois que terminou com a Aline adquiriu um PÉSSIMO gosto pra mulheres…), e assistir ao "Deu a Louca na Chapéuzinho", tá, a nossa faixa etária tá destoando do filme, mas e daí?

 

A gente gosta mesmo é de esquecer do mundo, e que maneira melhor de fazer isso do que voltando a ser criança? Filme de animação, pipoca, refrigerante, tudo isso com as três pregando os traseiros lado a lado na cama da Alininha!! Êee vidão!! Cena mais bonitinha as três juntas, sentadas uma ao lado da outra, encostadas no guarda-roupa (a gente virou o quarto de pernas pro ar), compenetradas, ou descontroladas, dependendo da cena do filme.

 

Eu acertei o vilão da estória! Kkkk, acerto com dança à Cameron em Panteras, só elas mesmo pra presenciarem aquela cena. Depois do filme, fotos, que a gente adora aparecer! A gente saiu pelo bairro tirando foto onde bem entendia e melhor enquadrava. Essa tresloucada aqui cantando Cry Baby da Janis, e o trio pulando amarelinha imaginária coreografada no meio da rua…

A gente é assim mesmo.

 

Depois, carona com a mãe da Aline, que é uma figuraça! Casa, cama. Camaaaaaaaa!!!! Recuperar o soninho de beleza, que a pele não ajuda, que o ritmo frenético da vida não ajuda, que ser mulher não ajuda, que o stress (maior descoberta da humanidade, agora tudo é stress!) não ajuda, que meu desânimo não ajuda, bem como a minha preguiça, que também não ajuda…

 

Ontem: Creminho pra celulite nas coxas e barriga, hidratante no bumbum, devidamente esfoliado, creme hidratante nos pés de Cinderela tamanho 39, com pantenol, loção balanceadora no rosto, formulada especialmente com um ácido sei-lá-o-que para minha pele mista-oleosa-às vezes quase seca, isso tudo depois do meu banho morno, com direito a sabonetinho de iogurte no corpo e gel de limpeza facial com microesferas anti-bacterianas no rosto, sem esquecer do creme hidratante à base de Manteiga de Karité, manteiga de cupuaçu, aloe vera e silicone, turbinado com um tubinho de queratina, nos cabelos!

Viva minhas frivolidades!!!

 

 

 *Semana corrida, faltam sete dias pra voltar pra faculdade, e minha vida tá um caos..Aff, já tô cansada.

**Será que já agradeci minhas amigas? Meninas, obrigado por tudo. Eu AMO vocês.

*** Exames ginecológicos de rotina: a atendente me disse que preciso ficar sem relações ao menos nos três dias que antecedem o exame, será que ela faz idéia de há quanto tempo não sei o que é sexo?!?!?!?!?!?! Tive ímpetos de contar…

Chuva pra lavar…

26 de janeiro de 2007

Hoje choveu na minha alma, choveu a semana sem chuva. Esqueço o medo e lavo o espírito…

Fomos almoçar, eu e "ele", eu pra ser sincera, sem um pingo que sinalizasse fome, fiquei brincando com a comida, revirando feito criança que faz birra na mesa. Eu evito carne ao máximo, até porque nunca me fez bem, então almoçar em restaurante é uma batalha troiana, Em resumo, ele comeu o prato que pediu e um pouco do meu…

 

 "Ele" tem uma certa aversão a restaurantes, disse que parece que todas as outras pessoas o olham, eu consegui arrastá-lo pra um! Saímos, e chuva!!!!!!! Resultado: ficamos ilhados debaixo do toldo de uma loja. Chuva dando trégua, lá fomos nós de novo, pra ter de parar num restaurante, "ele" não gosta dessa situação.

 

Vive dizendo que eu devia procurar um moçoilo jovem, com carro, e sem filhos.Não quero ficar com um carro, com dinheiro ou com disponibilidade. Só não sei como fazer entender isso.

 

Ontem fui ao cinema, sozinha, pra variar, assistir a uma sessão de curtas do Festival, adoro curtas metragens! Chorei num curta gaúcho, de animação, muito lindo. Me afundei na poltrona, e esqueci do mundo. Me afundei na poltrona e me esqueci.

Me deixei do lado de fora da sala. Me deixei do lado de fora de mim.

 

 Depois dos curtas, fui bancar a dona de casa no supermercado, porque a geladeira estava quase berrando, pedindo que alguém colocasse ao menos uns ovos lá dentro.

 

Como o ônibus não passava, resolvi descer até o supermercado a pé mesmo, caminhadas no ar da noite me fazem bem. Encontrei uma amiga do colegial, relembramos da época de "porra louca", a gente era o grupo dos rockeiros-encrenqueiros-mau encarados-fumantes-com tendências suicidas-e mãos pesadas…Quanta diferença!!!!

 

Ela de salto alto, eu num agulha baixo, a gente riu muito, muito mesmo, lembrando das coisas que fazíamos. Está trabalhando numa locadora, disse que têm ótimos filmes "de arte". Passo lá essa semana.

 

 Amanhã vou encontrar as meninas do Quarteto Fantástico, pra putinhar, ando precisando de um pouco de distração, pra sair de mim. Elas são maravilhosas, as melhores amigas que alguém pode ter, elas me tiram o melhor que tenho, e me apresentam pra mim!!!!!!! Programação do fim de semana? Deixar que as coisas corram com suas próprias pernas, o dia foi deveras bom pra mim. Não quero criar expectativas…

 

 

 *Vou à casa do meu ex-namorado pra passar um tempo com a minha pequena, ela não tá muito bem…

**Estou bem, de alma lavada por água da chuva!!!!!!!!

Caixa azul de lembranças…

25 de janeiro de 2007

Passei o dia ouvindo o vozeirão da Janis, mais animada, mais despreocupada, um pouco menos irritante. Quase me suporto, e gosto de mim. Ontem, quando cheguei em casa, lavei a alma no banho, vesti o pijama, assisti a um especial do Tom Jobim, suspirei resignadamente e mergulhei nas lembranças.

Minhas lembranças quase esquecidas, quase não lembradas…

 

Minhas águas de março que fecham verões, são bilhetes, recortes de revistas e jornais velhos, alguns rabiscos, esboços de desenhos que não soube traçar, da mesma maneira que os caminhos da minha vida, recados, papéis rasgados. Sou toda passado quando me revolvo a terra.

 

Tive minha cota de saudosismo, ao abrir a madeira azul das recordações, tive pela primeira vez uma falta doce, que não me fez morrer ou entristecer. Sorri como há muito desaprendi a fazer, "eu te amo" num pedaço mínimo da folha de um caderno tem um poder incrível de resgatar a suavidade que caiu no poço. Cavalheiros acudindo, de chápeu nas mãos.

 

Abri meu mundo, e pelas antigas confidências descubro que não mudei tanto assim. "Controle seus impulsos, todos eles!" dizia uma carta de uma velha amiga, até hoje não aprendí a controlá-los, por acaso se meus impulsos me obedecessem eles continuariam sendo impulsivos?

Sempre fui um poço de revolta infame!

 

Meus amores antigos, que saudade! Que saudade das preocupações de antigamente, tão despreocupadas! Que saudade de mim, eu era adorável! Fechei a caixa, depois de rasgar as letras de que falei anteriormente, e jogá-las no abismo de um cesto de lixo. Fechei a caixa. Ponto. Me guardei de mim.

 

 Cantiga de roda, cantiga de roda. E roda o moinho, roda o pião. Roda o mundo. Me perco na tonteante agilidade da vida. Sento na beirada da cama pra nausear…

 

 

*Ganhei um apelido lindo hoje: Amora minha, feminino de amor meu (rsrsrsr), quem me deu? Um amigo deveras amado de Porto Alegre…

**Hoje eu e as meninas do quarteto (que na hora formavam um terceto pela falta da nossa Aline) passamos o horário de almoço "putinhando"  no msn, quando a gente se junta (perdão meninas!!!!!!), aquilo se torna um pardieiro, pra não dizer outra coisa!!!!!

***Quando era mais jovem imitava a Janis Joplin, e acreditem, eu achava que estava abafando ….

Miní…

24 de janeiro de 2007

Não está fácil controlar meus abismos, hoje uma amiga que está milhares e milhares de Km daqui me ajudou a segurar a barra. Nos conhecemos há quase uma década, e ela sempre foi meu apoio e compreensão quando precisei, da mesma maneira que fui o apoio e compreensão dela.

Eu e ela nos completamos, nos entendemos, nos suprimos de tudo o que precisamos.

 

Por ironia do destino tivemos que nos separar, ela foi morar em Ananindeua, no Pará, e nos vimos uma ou duas vezes depois disso. Mas nosso amor não diminuiu, sem um centímetro sequer. Ela é meu porto seguro, onde descanso da agitação de meus mares intranqüilos. E eu sou o cais onde ela atraca sua vida…

 

Ainda guardo todas as fotos, os bilhetes amassados, que fugiam das mãos e dos olhos dos professores. Guardo as cartas, as letras de música. Ela é quase 70% minha caixinha de lembranças, e nunca vi lembrança tão viva quanto ela, tão presente quanto ela, nem saudade tão doce. É pra ela que eu volto quando o novo me cansa. É pra ela que eu volto, quando preciso de mim, ou quando esqueci quem era.

 

 Guardo dela o melhor de mim. Ela conhece o melhor e o pior de mim. E me ama. Nunca precisou amenizar verdades para me poupar, ela é toda sinceridade, mas um sinceridade sensível e doce, que se impõe mais pela afeição que provoca do que pela crueza. Guardo em mim o melhor dela.

 

Há muito não nos falavámos com tanta intensidade, e intensidade profunda, como hoje, quando lhe confessei que me sinto sozinha, e que está muito difícil suportar a solidão que eu mesma me impus, da mesma maneira que confessei isso a uma outra amiga, essa virtual, mas muito querida também, só não corto os pulsos porque tenho amor a mim, não fosse, este blog seria desativado,ou a dona dele (rsrsrsrs).

 

Está cada vez mais complicado conviver comigo, e não tenho escapatória, sou obrigada e me fecho em mim, acuada como um bicho assustado, enraivecida, raiva colérica de mim mesma. Meu algoz e minha cura, eu sou o avesso de mim.

Me amo e me odeio em pé de igualdade, não sou capaz nem de decidir o que sinto mais fortemente aqui no peito. Não aprendi a decidir.

 

Viva. E agradecida, elevo a voz e canto à Deusa sua lealdade, que não é a minha. Me encontrei nas palavras de uma amizade antiga. Mergulhei em minha amiga para resgatar os destroços de mim, e foi como perder toda a matéria, e não ocupar mais lugar nenhum no espaço.

 

 

 *Miní, minha amiga tão amada, obrigado por nossos inúmeros anos, pelo apoio e força, pela sinceridade e amor. Não se sinta culpada, desconhecemos o roteiro da vida, e seguimos encenando…

**Saudades de minha irmã, nossos horários continuam sem colaborar, queria a paz que ela me dá. Paz inconformada.

***A Nana, minha irmã mais velha, está trabalhando, fico aliviada daquela cabecinha de vento, de alma leve, tão leve quanto folha caindo em tarde de outono, começar a pisar um pouco na realidade.

Prece…

23 de janeiro de 2007

Hoje sou como jangada deslizando no rio, tranqüila e silenciosa, pra buscar meu porto, meu barranco de areia, onde eu finalmente parar.

Hoje sou como mata fechada, com seus cantos de pássaro e barulho de riacho. Sou templo intocado, oferenda pra divindade.

Hoje sou ansiedade aquietada, paz de alma, embrulho fechado. Escuto meu sambinha, guardo meus brinquedos na caixa de papelão, prendo o cabelo e mexo os quadris. Uruguaina que sou.

 

Serpente que se enrosca na árvore da vida, vou sacolejando o dna divino que me foi dado. Sou toda quietude inquieta de véspera. Meu samba não vai morrer. Jogo sal na minha terra sagrada. Levo o cântaro na cabeça. Tenho areia de deserto entre os dedos. Cada vez mais incompreensível, trinca de portão escancarado. Sou palavra que não soube ser dita, e se fechou no mar sem fim da garganta.

 

Amo, ano, ando. E por desamor aprendi a amar outro. Por transparência sofri milênios. Por sinceridade machuquei em exposição, e ainda tenho os joelhos ralados como troféus da audácia que alimentei. Cada qual que sinta em suas entranhas o amargo da verdade que vos digo.

Abro o portão para solidão. Minha paz vos deixo, minha paz vos dou…

 

Acalmo o furor de minhas tempestades, até que um raio divida ao meio o palpável de mim. Até que a chuva lave o errado de mim, o torto que não é nem esquerda nem direita. Até que meu contrário escorra pela pele úmida. Acalento o descartável natural em mim, a última cartada, o desespero resignado do que já não tem saída.

 

Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de mim! Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de mim! Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, levai-me a paz…

 

Trazei meus pecados de volta, trazei meus erros de volta. Libertai-me da santidade. Salvai o que ainda é humano em mim. Perdoai-me a beatitude e a compaixão. Perdoai-me o amor desmedido. Abençoai minha inconstância, e afastai de mim a perfeição.

Assim seja.

 

 

* "Passa nuvem negra, larga o dia, e vê se leva o mal que me arrasou, pra que não faça sofrer mais ninguém", a Gal canta em meus ouvidos, nós estamos ilhadas…

As frustrações do fim de semana…

22 de janeiro de 2007

Hoje remexo na minha inquisição, remexo nas mortes de mim, remexo e me perco, absorta em meus pensamentos…

 

O sábado foi insone, enquanto fazia confissões no gravador do celular, e tropeçava nas minhas palavras, tive meu inferno astral. Ficar comigo é insuportável.

O domingo teve seus planos frustrados, fui ao cinema pra assistir "Fonte da vida", começou o Festival!!! Cheguei como sempre, atrasada. Sessão lotada, sem ingressos, quase tive meu primeiro filho ali mesmo.

Acabei me resolvendo ao ligar pra "ele", buscava companhia, apenas. Não tinha a mínima intenção de exercitar os músculos labiais. Caminhamos, eu bebi umas cervejas, sozinha. Conversamos. Ele tocou em "nós", não mudei nada do que tinha dito a ele antes. Continuo seguindo meus passos ébrios.

Não tinha mencionado, mas eu realmente me interessei por outra pessoa, cheguei ao ponto de cogitar em ficarmos juntas (isso mesmo, não é erro de digitação, eu disse: juntas!), mas hoje ela me disse que começou a namorar, logo agora que tinha decidido a tentar algo com ela…

Mais uma frustração. Mas tudo bem, a gente aprende a viver com isso.

Eu e "ele" ficamos, sem maiores dores, só ficamos, não vamos morrer por isso. Foi-se a época em que eu era toda extremos em relação a ele, ele pediu pra ficar comigo, não sei se quero, ando mais receosa depois dos inúmeros papelões dele.

As vontades que precedem os arrependimentos…Dèjá Vu, eu já vi isso…

 

*Estava olhando as fotos arquivadas no PC, minhas amigas…saudades da agitação da faculdade, da despreocupação, sou tão mais eu quando estou com elas. Minhas meninas fazem uma falta na minha vida…

 **Meu filho cada vez mais lindo, mais gordo, mais fofo!! Ele está cada vez mais esperto, já começa a prestar atenção fixadamente nas situações que o rodeiam, eu e a mãe dele ficamos embasbacadas, duas mães babonas…

Meu filho é o homem da minha vida!!! O único.

***Estou bem melhor agora, bem melhor mesmo…ainda que minhas balas de ameixa japonesa tenham acabado, e eu não as encontre em lugar nenhum nesta cidade-fim-de-mundo, me viro com as de cappuccino e com as de café…

 

Diminuindo o cigarro, resgatando muito de mim.

Descarga de nicotina…

19 de janeiro de 2007

Meus sinais de loucura…

Voltei a fumar, depois de três meses, não consegui controlar o nervosismo ontem, não trabalhei à tarde, fui resolver umas coisinhas na faculdade, ando chorando sem motivo, saí do trabalho aos prantos, sem causa aparente, sem que encontrasse uma razão para tanto.

 

Quase não como, me falta ânimo pra comer, perdi três quilos neste último mês, minhas roupas estão largas, minha fisionomia abatida…

 

Não quero dramatizar, mas ando preocupada comigo, estou pálida e triste. Ontem minhas mãos tremiam tanto que não pude segurar um copo d’água, o coração disparou (brinquei que, se não fosse tão jovem, morreria de taquicardia…), o estômago dando voltas e mais voltas. Sei que isso é reflexo de algo errado, só não faço idéia do que seja.

Dormi depois de tomar um relaxante muscular e meio vidro de um xarope antialérgico, que induz ao sono. Me dopei pra dormir, perdi totalmente a noção de tempo e espaço. Acordei hoje sem notar que a noite tinha passado, atrasada e tonta. Estou melhor agora, apenas os músculos estão tensos, acho que tenho uns cinco pontos de tensão nas costas.

Há algo errado, é certo, mas o que? Por que não consigo me animar? Por que as coisas parecem tão sem sentido? Queria mesmo o colo de minha irmã, ou de alguma amiga. Não sei por que, mas estou incomodada com algo que não posso nomear, com algo que conheço, mas que não posso definir. Algo que não cabe no limite de algumas letras unidas.

 

Encontrei a Laura na faculdade, uma amiga da Aline, conversamos, e depois de resolver meus assuntos, e ela os dela, fomos a um posto de gasolina beber à ignorância da humanidade, à hipocrisia imperante neste nosso mundinho de Deus.

Descobri que ela se parece muito comigo, os vazios inconformados, a falta de acordo com o resto das pessoas, porque não aceitamos a comodidade de viver de acordo com as normas ditadas desde o princípio dos tempos.

 Ainda não tinha terminado de reler G.H, mas não tive dúvidas: arrastei o livro na mesa até as mãos dela, e disse que ela precisava daquilo, como eu um dia precisei, existem certas coisas que mudam a vida de uma pessoa, livros são, com certeza, os que mais têm este dom.

 Bebemos cerveja quente, e fumamos cigarros, uma mesa num posto de gasolina, num lugar abandonado pela civilização, vários mundos que se encaixavam, se debatiam, se encontravam.

 Tivemos uma tarde para cuspir verdades, como vespas, e talvez essa tenha sido uma das melhores tardes de minha vida. Quando pude me confessar, sem precisar suavizar a intensidade do meu existir. Quando pude confessar que não me arrastarei pela vida, como vermes pela comida podre, e encontrei nos olhos de uma mulher de 22 anos, com a qual minha relação se resumia à cumprimentos secos, trocas de cigarro e pedidos de fogo.

Agora leio Dostoievski (Recordações da Casa dos Mortos), escuto Placebo e David Bowie (Without You I’m Nothing), minhas mãos já estão mais obedientes, o coração pulsa com normalidade, a alma está inquieta, o que é bom. e estou mergulhada em mim.

 

Sou minha casa. E começo a me acostumar isso.

Dezoito de janeiro…e XV séculos atrás…

18 de janeiro de 2007

E cá estou eu de novo, repetindo, repetindo, repetindo. Hoje sou só pés descalços e água de chuva. Hoje sou só cabelos molhados provando alma lavada. Todos os dias são iguais, toda minha vida foi igual. Toda natureza minha é morta.

 

Antítese, hipérbole. Todas as emoções são iguais. Lampejo de loucura. Grito de socorro preso na parede da garganta. Luta contra minha sanidade, porque preciso sair de mim. Hoje sou vontade de ser aberta, sou presente de véspera…

 

Todos os dias são iguais. Toda ação é sem sentido. Toda reação é indolor. Os olhos ardem com a luz. Sentidos aguçados. Boca salivando. Não quero nada. Todos os dias são iguais. Todos os dias é a mesma conversa. A dor acionando piloto automático.

 

Todas as minhas lembranças são iguais, e minha caixinha precisa queimar. Vinte anos não são nada.

Um ano não é nada. XV séculos não são nada. Todos os dias as pessoas brincam de jogar meu coração…

 

 De novo, de novo, de novo, círculo vicioso. Preciso de gosto novo. Quero sair pelo mundo. Quero ser útil. Quero sentir diferente. A vida não é minha caixinha de lembranças.

 Eu sou o avesso de mim. E isso não basta.

 

Confesso, eu confesso, eu preciso de alguém. Ainda que seja de mim.

Mares intranquilos…

17 de janeiro de 2007

"Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil"…

 

Assim comecei o dia, relendo G.H, ouvindo Rolling Stones, cultivando minhas pequenas imperfeições, ouvindo verdades via e-mail e ao vivo. Assim quis sumir no mundo, deixar tudo pra trás, porque eu não me ajusto mais a mim mesma aqui. Eu não me ajusto a mim mesma em lugar nenhum.

Eu não tenho um lugar meu, onde possa deslizar suavemente pela existência. Eu não tenho um lugar de descanso. Eu não tenho um lugar pra chamar de casa. Eu sou minha casa, e isso me incomoda, a ponto de eu quase sufocar. Isso me incomoda porque não consigo existir em consenso, minha natureza é revolta, sou um mar de sentimentos e sentidos.

Oh, por favor, não queiram navegar-me, não queiram banhar-se em minhas águas intranqüilas. Não se arrisquem, não sou segura. Não queiram desvendar o que escondo sob as roupas de vestal. Mantenham distância da minha essência corrosiva. Ira furiosa de Vênus. Egoísmo gritante de Hera.

Desisto, desisto de mim. Me abandono porque sou mais eles do que eu. Minha humanidade é desumana. Eu desisto de mim, para que me salve. Eu mato-me, para que outra, mais centrada, mais forte, mais mediana, tome meu lugar. Ou pra que esta tresloucada assuma de vez seu posto, e tire totalmente meu mundo dos eixos da normalidade.

O que realmente importa é que uma delas tome as rédeas. Não posso mais resistir a esse confronto, as várias de mim, não posso arrastar-me pela vida enquanto as muitas de mim lutam entre si, matando, morrendo, destruindo, vivificando…

Isso ainda me mata.

 

(Ontem a gente se viu, acabei discutindo com "ele" pelo celular, enquanto tomava meu café com rum, escrevia na agenda feito louca, enquanto o atendente do café da livraria procurava um livro, e escutava tudo. Nós somos ímpares, não conseguimos entrar em acordo. Nós não sabemos conciliar vontades e ações. Encontrei ele no centro [Nilton, você me conhece mesmo, mais do que eu pensava...], ele me ligou dizendo que estava indo pra casa, perguntei se eu ia tomar um café com ele, depois de discutir, o café virou uma coca ligth, e pra ele, um abacaxi com hortelã. Conversamos, ele, como sempre, me disse que queria ficar comigo, mas depois se arrependia de querer, disse que era meu, que eu podia fazer com ele o que quisesse…Jogou a batata quente de decidir se ficamos ou não nas minhas mãos, mais uma vez…

Foi embora sozinho, pra pensar…)

 

 *Acho que jogarei "ele" no lixo. No lixo das recordações.

 **Uma amiga muito amada me mandou um e-mail dizendo que "ele" estava se auto-destruindo, e que estava me levando junto. Acho que ela tem razão, mas não sei parar esse meu processo destrutivo, e continuo ao lado dele.

***Hoje a natureza humana deu sinal de presença. Está difícil controlar. Não sou feita de mármore…

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