Mares intranquilos…
17 de janeiro de 2007
"Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil"…
Assim comecei o dia, relendo G.H, ouvindo Rolling Stones, cultivando minhas pequenas imperfeições, ouvindo verdades via e-mail e ao vivo. Assim quis sumir no mundo, deixar tudo pra trás, porque eu não me ajusto mais a mim mesma aqui. Eu não me ajusto a mim mesma em lugar nenhum.
Eu não tenho um lugar meu, onde possa deslizar suavemente pela existência. Eu não tenho um lugar de descanso. Eu não tenho um lugar pra chamar de casa. Eu sou minha casa, e isso me incomoda, a ponto de eu quase sufocar. Isso me incomoda porque não consigo existir em consenso, minha natureza é revolta, sou um mar de sentimentos e sentidos.
Oh, por favor, não queiram navegar-me, não queiram banhar-se em minhas águas intranqüilas. Não se arrisquem, não sou segura. Não queiram desvendar o que escondo sob as roupas de vestal. Mantenham distância da minha essência corrosiva. Ira furiosa de Vênus. Egoísmo gritante de Hera.
Desisto, desisto de mim. Me abandono porque sou mais eles do que eu. Minha humanidade é desumana. Eu desisto de mim, para que me salve. Eu mato-me, para que outra, mais centrada, mais forte, mais mediana, tome meu lugar. Ou pra que esta tresloucada assuma de vez seu posto, e tire totalmente meu mundo dos eixos da normalidade.
O que realmente importa é que uma delas tome as rédeas. Não posso mais resistir a esse confronto, as várias de mim, não posso arrastar-me pela vida enquanto as muitas de mim lutam entre si, matando, morrendo, destruindo, vivificando…
Isso ainda me mata.
(Ontem a gente se viu, acabei discutindo com "ele" pelo celular, enquanto tomava meu café com rum, escrevia na agenda feito louca, enquanto o atendente do café da livraria procurava um livro, e escutava tudo. Nós somos ímpares, não conseguimos entrar em acordo. Nós não sabemos conciliar vontades e ações. Encontrei ele no centro [Nilton, você me conhece mesmo, mais do que eu pensava...], ele me ligou dizendo que estava indo pra casa, perguntei se eu ia tomar um café com ele, depois de discutir, o café virou uma coca ligth, e pra ele, um abacaxi com hortelã. Conversamos, ele, como sempre, me disse que queria ficar comigo, mas depois se arrependia de querer, disse que era meu, que eu podia fazer com ele o que quisesse…Jogou a batata quente de decidir se ficamos ou não nas minhas mãos, mais uma vez…
Foi embora sozinho, pra pensar…)
*Acho que jogarei "ele" no lixo. No lixo das recordações.
**Uma amiga muito amada me mandou um e-mail dizendo que "ele" estava se auto-destruindo, e que estava me levando junto. Acho que ela tem razão, mas não sei parar esse meu processo destrutivo, e continuo ao lado dele.
***Hoje a natureza humana deu sinal de presença. Está difícil controlar. Não sou feita de mármore…


Comentário por Aliadopoars — 17 de janeiro de 2007 (18:16)
Pelo seu próprio bem, gostaria de não conhecê-la tanto assim.
Beijo aliado
Comentário por Aline — 18 de janeiro de 2007 (7:41)
Miga passei apenas pra te dar BOM DIA e dizer: Seja como a chuva que cai fina mas que faz transbordar rios…