Dezoito de janeiro…e XV séculos atrás…
18 de janeiro de 2007
E cá estou eu de novo, repetindo, repetindo, repetindo. Hoje sou só pés descalços e água de chuva. Hoje sou só cabelos molhados provando alma lavada. Todos os dias são iguais, toda minha vida foi igual. Toda natureza minha é morta.
Antítese, hipérbole. Todas as emoções são iguais. Lampejo de loucura. Grito de socorro preso na parede da garganta. Luta contra minha sanidade, porque preciso sair de mim. Hoje sou vontade de ser aberta, sou presente de véspera…
Todos os dias são iguais. Toda ação é sem sentido. Toda reação é indolor. Os olhos ardem com a luz. Sentidos aguçados. Boca salivando. Não quero nada. Todos os dias são iguais. Todos os dias é a mesma conversa. A dor acionando piloto automático.
Todas as minhas lembranças são iguais, e minha caixinha precisa queimar. Vinte anos não são nada.
Um ano não é nada. XV séculos não são nada. Todos os dias as pessoas brincam de jogar meu coração…
De novo, de novo, de novo, círculo vicioso. Preciso de gosto novo. Quero sair pelo mundo. Quero ser útil. Quero sentir diferente. A vida não é minha caixinha de lembranças.
Eu sou o avesso de mim. E isso não basta.
Confesso, eu confesso, eu preciso de alguém. Ainda que seja de mim.

