Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Descarga de nicotina…

19 de janeiro de 2007

Meus sinais de loucura…

Voltei a fumar, depois de três meses, não consegui controlar o nervosismo ontem, não trabalhei à tarde, fui resolver umas coisinhas na faculdade, ando chorando sem motivo, saí do trabalho aos prantos, sem causa aparente, sem que encontrasse uma razão para tanto.

 

Quase não como, me falta ânimo pra comer, perdi três quilos neste último mês, minhas roupas estão largas, minha fisionomia abatida…

 

Não quero dramatizar, mas ando preocupada comigo, estou pálida e triste. Ontem minhas mãos tremiam tanto que não pude segurar um copo d’água, o coração disparou (brinquei que, se não fosse tão jovem, morreria de taquicardia…), o estômago dando voltas e mais voltas. Sei que isso é reflexo de algo errado, só não faço idéia do que seja.

Dormi depois de tomar um relaxante muscular e meio vidro de um xarope antialérgico, que induz ao sono. Me dopei pra dormir, perdi totalmente a noção de tempo e espaço. Acordei hoje sem notar que a noite tinha passado, atrasada e tonta. Estou melhor agora, apenas os músculos estão tensos, acho que tenho uns cinco pontos de tensão nas costas.

Há algo errado, é certo, mas o que? Por que não consigo me animar? Por que as coisas parecem tão sem sentido? Queria mesmo o colo de minha irmã, ou de alguma amiga. Não sei por que, mas estou incomodada com algo que não posso nomear, com algo que conheço, mas que não posso definir. Algo que não cabe no limite de algumas letras unidas.

 

Encontrei a Laura na faculdade, uma amiga da Aline, conversamos, e depois de resolver meus assuntos, e ela os dela, fomos a um posto de gasolina beber à ignorância da humanidade, à hipocrisia imperante neste nosso mundinho de Deus.

Descobri que ela se parece muito comigo, os vazios inconformados, a falta de acordo com o resto das pessoas, porque não aceitamos a comodidade de viver de acordo com as normas ditadas desde o princípio dos tempos.

 Ainda não tinha terminado de reler G.H, mas não tive dúvidas: arrastei o livro na mesa até as mãos dela, e disse que ela precisava daquilo, como eu um dia precisei, existem certas coisas que mudam a vida de uma pessoa, livros são, com certeza, os que mais têm este dom.

 Bebemos cerveja quente, e fumamos cigarros, uma mesa num posto de gasolina, num lugar abandonado pela civilização, vários mundos que se encaixavam, se debatiam, se encontravam.

 Tivemos uma tarde para cuspir verdades, como vespas, e talvez essa tenha sido uma das melhores tardes de minha vida. Quando pude me confessar, sem precisar suavizar a intensidade do meu existir. Quando pude confessar que não me arrastarei pela vida, como vermes pela comida podre, e encontrei nos olhos de uma mulher de 22 anos, com a qual minha relação se resumia à cumprimentos secos, trocas de cigarro e pedidos de fogo.

Agora leio Dostoievski (Recordações da Casa dos Mortos), escuto Placebo e David Bowie (Without You I’m Nothing), minhas mãos já estão mais obedientes, o coração pulsa com normalidade, a alma está inquieta, o que é bom. e estou mergulhada em mim.

 

Sou minha casa. E começo a me acostumar isso.

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