Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Prece…

23 de janeiro de 2007

Hoje sou como jangada deslizando no rio, tranqüila e silenciosa, pra buscar meu porto, meu barranco de areia, onde eu finalmente parar.

Hoje sou como mata fechada, com seus cantos de pássaro e barulho de riacho. Sou templo intocado, oferenda pra divindade.

Hoje sou ansiedade aquietada, paz de alma, embrulho fechado. Escuto meu sambinha, guardo meus brinquedos na caixa de papelão, prendo o cabelo e mexo os quadris. Uruguaina que sou.

 

Serpente que se enrosca na árvore da vida, vou sacolejando o dna divino que me foi dado. Sou toda quietude inquieta de véspera. Meu samba não vai morrer. Jogo sal na minha terra sagrada. Levo o cântaro na cabeça. Tenho areia de deserto entre os dedos. Cada vez mais incompreensível, trinca de portão escancarado. Sou palavra que não soube ser dita, e se fechou no mar sem fim da garganta.

 

Amo, ano, ando. E por desamor aprendi a amar outro. Por transparência sofri milênios. Por sinceridade machuquei em exposição, e ainda tenho os joelhos ralados como troféus da audácia que alimentei. Cada qual que sinta em suas entranhas o amargo da verdade que vos digo.

Abro o portão para solidão. Minha paz vos deixo, minha paz vos dou…

 

Acalmo o furor de minhas tempestades, até que um raio divida ao meio o palpável de mim. Até que a chuva lave o errado de mim, o torto que não é nem esquerda nem direita. Até que meu contrário escorra pela pele úmida. Acalento o descartável natural em mim, a última cartada, o desespero resignado do que já não tem saída.

 

Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de mim! Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, tende piedade de mim! Cordeiro de deus, que tirai os pecados do mundo, levai-me a paz…

 

Trazei meus pecados de volta, trazei meus erros de volta. Libertai-me da santidade. Salvai o que ainda é humano em mim. Perdoai-me a beatitude e a compaixão. Perdoai-me o amor desmedido. Abençoai minha inconstância, e afastai de mim a perfeição.

Assim seja.

 

 

* "Passa nuvem negra, larga o dia, e vê se leva o mal que me arrasou, pra que não faça sofrer mais ninguém", a Gal canta em meus ouvidos, nós estamos ilhadas…

Arquivado em: Sem categoria I

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Feed RSS dos comentários deste post. URL de TrackBack

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://entremeusrins.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.