Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Miní…

24 de janeiro de 2007

Não está fácil controlar meus abismos, hoje uma amiga que está milhares e milhares de Km daqui me ajudou a segurar a barra. Nos conhecemos há quase uma década, e ela sempre foi meu apoio e compreensão quando precisei, da mesma maneira que fui o apoio e compreensão dela.

Eu e ela nos completamos, nos entendemos, nos suprimos de tudo o que precisamos.

 

Por ironia do destino tivemos que nos separar, ela foi morar em Ananindeua, no Pará, e nos vimos uma ou duas vezes depois disso. Mas nosso amor não diminuiu, sem um centímetro sequer. Ela é meu porto seguro, onde descanso da agitação de meus mares intranqüilos. E eu sou o cais onde ela atraca sua vida…

 

Ainda guardo todas as fotos, os bilhetes amassados, que fugiam das mãos e dos olhos dos professores. Guardo as cartas, as letras de música. Ela é quase 70% minha caixinha de lembranças, e nunca vi lembrança tão viva quanto ela, tão presente quanto ela, nem saudade tão doce. É pra ela que eu volto quando o novo me cansa. É pra ela que eu volto, quando preciso de mim, ou quando esqueci quem era.

 

 Guardo dela o melhor de mim. Ela conhece o melhor e o pior de mim. E me ama. Nunca precisou amenizar verdades para me poupar, ela é toda sinceridade, mas um sinceridade sensível e doce, que se impõe mais pela afeição que provoca do que pela crueza. Guardo em mim o melhor dela.

 

Há muito não nos falavámos com tanta intensidade, e intensidade profunda, como hoje, quando lhe confessei que me sinto sozinha, e que está muito difícil suportar a solidão que eu mesma me impus, da mesma maneira que confessei isso a uma outra amiga, essa virtual, mas muito querida também, só não corto os pulsos porque tenho amor a mim, não fosse, este blog seria desativado,ou a dona dele (rsrsrsrs).

 

Está cada vez mais complicado conviver comigo, e não tenho escapatória, sou obrigada e me fecho em mim, acuada como um bicho assustado, enraivecida, raiva colérica de mim mesma. Meu algoz e minha cura, eu sou o avesso de mim.

Me amo e me odeio em pé de igualdade, não sou capaz nem de decidir o que sinto mais fortemente aqui no peito. Não aprendi a decidir.

 

Viva. E agradecida, elevo a voz e canto à Deusa sua lealdade, que não é a minha. Me encontrei nas palavras de uma amizade antiga. Mergulhei em minha amiga para resgatar os destroços de mim, e foi como perder toda a matéria, e não ocupar mais lugar nenhum no espaço.

 

 

 *Miní, minha amiga tão amada, obrigado por nossos inúmeros anos, pelo apoio e força, pela sinceridade e amor. Não se sinta culpada, desconhecemos o roteiro da vida, e seguimos encenando…

**Saudades de minha irmã, nossos horários continuam sem colaborar, queria a paz que ela me dá. Paz inconformada.

***A Nana, minha irmã mais velha, está trabalhando, fico aliviada daquela cabecinha de vento, de alma leve, tão leve quanto folha caindo em tarde de outono, começar a pisar um pouco na realidade.

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