Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

A minha crueldade…

30 de janeiro de 2007

Hoje sou toda Chico, arrumo o quarto do filho que morreu, sou toda dor de instinto, sou toda a falta que sobrou…

 

Um velho amigo veio ao escritório hoje cedo, me ver, ficou sentado, me observando por minutos que pareceram horas. Este amigo me declarou amor em silêncio, e como sentir isso dói! Como sentir o amor escorrendo na pele dói. Como eu quis morrer, como eu quis morrer…

 

Dói porque eu não pude aceitar ser amada, porque eu fui injusta comigo mesma, e me julguei incapaz de merecer o amor que me devotavam. Durante toda a minha vida eu me neguei o direito de sentir o amor do outro. Eu me neguei o direito de vida. Eu me neguei o sentir, porque não consegui enxergar que eu era boa. Como fui cruel.

 

Este meu amigo me amou durante longos anos de sua vida. Durante terríveis longos anos, em que eu desprezei seu amor. Sempre acreditei que estava usando da sinceridade, que fere mas que se faz necessária, quando lhe pedia que me esquecesse. Ele não me obecedeu.

 

E hoje, quando, ao se despedir, este amigo beijou-me as mãos, minha verdade oculta apresentou-se à luz. Quando sua cabeça se inclinou, e seus lábios tocaram tão pura e resignadamente meus dedos, me senti uma sacerdotisa. A pureza imaculada de Vesta.

 

Tantos foram os sentimentos que me tomaram…tantos fantasmas que me assaltaram. Tamanho foi meu sofrimento, que creio ser impossível me olhar no espelho, não suportaria me analisar nos olhos. Minhas verdades, as verdades que eu escondi! Que ocultei até mesma de mim. Como é grande a dor, céus! Como é grande este sofrimento!!!

 

Por que não há como culpar outra pessoa, não há como transferir a culpa pra alguém. Não há meio. Li o blog de uma amiga hoje (http://tatyana.legal.zip.net) , onde ela dizia que sempre usou régua muito justa consigo mesma. Como foi custoso me identificar ali.

 

Que o amor tenha piedade de mim!! E que ele volte às minhas entranhas.

 

"Ah.. G.Y, doce é o seu veneno que cura. Meu olhar tinha razão quando falava de seus olhos, tão limpos eles são, parecem o total eclipse da Paixão. Já havia tempos que eu passava fome de mim mesmo. Você trouxe de volta a existência escondida em mim. Antes dos nossos diálogos eu era apenas um castelo de ilusões, mas nós conseguimos a queda, graças a palavras destruidoras de conformismo e rótulos, que saíram de nossas almas. Sejamos o deserto onde não há nada, apenas a nossa paixão pelo Desconhecido. Sejamos o adubo que alimenta a terra e constrói a cítrica do amor. Adubo de restos fragmentados do vazio, que por justiça se torna o supra-sumo de toda vida. Que a minha loucura seja perdoada, pois metade de mim é amor, e a outra metade… é Você".

 

Este é um presente do Érico pra mim. E me prova o tamanho da minha crueldade para comigo mesma…

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1 Comentário »

  1. Comentário por Daniel — 6 de fevereiro de 2007 (16:05)

    Glenda kd vc??? to achando q não vou conseguir tomar aquele café com vc hein…precisamos colocar a prosa em dia e acabo de descobrir q temos a Janis em comum.. eu adoro cry baby

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