Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

A minha desmedida…

16 de janeiro de 2007

Pra que lado foi minha vida? Eu não sei, não sei. E justamente por não saber é que anseio tanto por respostas. Eu queria arrancar os sentimentos do peito, como ervas daninhas da terra. Eu queria arrancar o amor do peito, antes que ele criasse raízes. Não sou capaz.

Eu queria ser capaz de dizer não, de dizer que na minha vida as decisões são minhas. Perdi o rumo. Perdi o prumo. Perdi as razões porque nunca as tive. Perdi a vontade porque ela me era comodismo. Perdi guerras por piedade. Perdi por covardia. Por amar demais ao outro.

 Mexo e remexo no que sobrou de mim, no animalesco retrato abstrato que sobrou do que era. Eu era sem ser. E eu não sou mais. Não sou sendo, nem sou sem ser. Não sou nada, porque o nada é a essência de mim. Eu sou vazio, silencioso e frio, vazio sem razão de ser.

Não tenho saída, me fadei à solidão por amar demais. Me fadei à solidão sem suportar minha presença, me prendi aos outros, enquanto me fechava em mim. Me bato, me debato. Existir me deixa um espinho na alma. Existir é pesado demais. Não suporto existir.

Céus!!!!!!!Como eu queria o colo de minhas amigas, como eu queria um lugar no mundo pra curar as dores, como eu queria trégua pra cuidar de mim. Eu quero um momento, um instante no relógio que pare para que eu respire. Preciso abrandar a intensidade de meus sentimentos, porque assim eles ainda me destróem.

 Ou destróem o que acredito ser eu. Onde eu existo, tem lugar para ser sem se machucar?

 

A Medida da paixão

 É como se a gente não soubesse

Pra que lado foi a vida

Por que tanta solidão

E não é a dor que me entristece

É não ter uma saida

Nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido

 Foi tão distraido

Que nem me avisou

Foi, o amor se foi calado

Tão desesperado

Que me machucou

É como se a gente pressentisse

Tudo que o amor não disse

Diz agora essa aflição

 E ficou o cheiro pelo ar

Ficou o medo de ficar

Vazio demais meu coração

                                              Lenine.

 

*Minha amiga veio no escritório agora pouco, com seu abraço ela me salvou da loucura…Aline, valeu por tudo , amiga, mesmo

** "Ele" ainda faz as coisas de sempre, me machucando como sempre. Sendo como sempre foi…

***Falta de tempo, e preciso parar os ponteiros da minha vida: tic-tac, tic-tac,tic…

Um brinde…

15 de janeiro de 2007

Ontem resolvi assistir aos curtas que estão em cartaz, graças a um programa da Petrobras "Curta petrobras às 6", tive um assombro ao entrar na sala do cinema, duas pessoas. Uma sala gigantesca e duas pessoas?? Pensei comigo: o que é que você faz aqui, sua maluca, enquanto todos os outros jovens da sua cidade estão por aí, lotando barzinhos e enchendo a cara?

 Bom, definitivamente não sou como os outros jovenzinhos da minha cidade…Me afundei na cadeira e aproveitei. Três curtas ótimos, o último "Todos os dias são iguais" me deixou um gosto tão familiar na boca (e é assim que espero todos os dias um caminhão de flores…).

Depois volto às sensações que este curta provocou em mim…

Quando terminou a sessão, não me contive e comentei com os dois rapazes que estavam na sala comigo o "anseio cultural do povo desta cidade", uma confissão de que minha cidade já não me bastava, e um convite para um café, apresentações feitas, vamos ao café.

Entramos numa livraria, subimos uma escada charmosa e pedimos à atendente, super educada, eu fiquei com meu expresso, forte e sem açúcar, de sempre. Os dois são maravilhosos, discussão animada, eu acabei dando aos meninos (não tão jovens assim), bilhetes para meu infinito particular.

Falei sobre mim como se os conhecesse há anos, confessei, delatei medos e desejos. Questionei minha humanidade na mesa de um café, com dois desconhecidos. Questionei vida, comodidade e mudança. Ontem conheci duas pessoas incríveis, o Eduardo e o Daniel, e foi engraçado me abrir tanto, como nunca tinha feito, com eles.

Mais um de meus acessos de loucura, o Eduardo acabou me abrindo os olhos para uma coisa que eu fingia não ver: Não é que minha cidade já não me satisfazia, não é ela. Sou eu. O problema todo está em mim. Quando pensei em me mudar pra São Paulo (dizendo que lá é um lugar efervescente de cultura, desculpa idiota), eu queria na verdade fugir de mim, das raízes que criei aqui, das pessoas que me conhecem.

 Eu queria fugir de minha essência. Não era desejo de mudança, era incapacidade de mudança. Como nada aqui parecia dar certo, eu esconderia o fracasso indo para um lugar onde ninguém saberia quem sou, bem mais cômodo, né?

Acordei com um balde de água fria na cara (Acorda, menina!). Eu quero gritar minhas verdades, eu preciso gritar! Preciso assumir falhas, preciso assumir que não quero ser amiga, quero ser a atriz principal. Preciso de um pouco de egoísmo, pra salvar minha centelha humana da beatitude. Preciso acordar!!!!!!

 Ontem brindei minha libertação com café e água. Brindei minha libertação com dois desconhecidos depois de assistir a uma sessão de cinema vazia.

"Um brinde à libertação da Glenda", e me apaixonei por essas duas pessoas. Como não fazia há muito tempo…

 

*Enquanto escrevo, minha amiga me faz perguntas eternas de: Será que a gente chega no céu? Será que a gente cai? Será que dá pra pegar nuvem? Alguém pode responder pra essa criatura de 29 anos?

**Esqueci minha sanidade. Não quero mais.Tô bem sem ela.

***Meu filho está cada vez mais lindo, mais fofo. E a mãe dele cada vez mais amada por mim. Karol Karolyna,minha amiga, obrigada por tudo. Estou sempre aqui, minha querida…

Rebelde COM causa…

12 de janeiro de 2007

Pra começar bem o dia, minhas bandas favoritas: The Smiths, The Cure, The Rolling Stones, The Clash, The Beatles (quanto The…) sem falar no Iggy Pop. Pra começar minha paranóia, um quê de revolta, contra tudo e contra todos, eu estou de bom humor!

Num misto de amor próprio e tendências suicidas, eu vou fazer tudo o que achar que devo hoje, não vou engolir sapo à seco, nem meio úmido, não vou mentir pra proteger ninguém, NÃO vou, NÃO estou, NÃO quero. Definitivamente NÃO. Estou tirando férias, sem data pra volta, estou saindo de mim pra perambular por aí, onde ser é menos pesado e triste.

Aproveitando meu lampejo de rebelião, quero deixar claro que apenas uma pessoa é responsável por meu estado de espírito, isso é verdade, dependo dela pra estar bem ou pra ficar mal. Ela é a única responsável por minha felicidade, preciso dela, preciso muito da presença inconseqüente dela. Ela pode me destruir num assopro. Agora vos apresento esta pessoa, a benção e a maldição de minha vida: Eu.

Ninguém tem tanto poder sobre mim a ponto de deixar minha existência mais feliz, ou mais negra e pesarosa. Não é por aí, não. Eu consigo existir muito bem sozinha. Estou farta das pessoas me dizendo que deveria arrumar alguém, que sou jovem demais pra estar sem namorado (ou namorada). E estou farta das pessoas me dizendo que, se eu "o" amo, devia lutar pra ficar com ele. Estou farta de opiniões, que não pedi, sobre como conquistar alguém.

É o seguinte: Deixo que as coisas aconteçam de maneira natural, em todos os campos de minha vidinha insignificante. Não é por que amo alguém que PRECISO estar com essa pessoa, eu fico muito bem sem ela. Comigo não tem essa de "amo você, sem você eu não vivo". Têm milhares de coisas que não tenho, apesar de querer muito, e ainda estou viva, acho eu, a não ser que esteja escrevendo do céu (coisa que acho muito difícil, até porque não sou lá de acreditar em céu e inferno…).

Chega de idéias mirabolantes pra desencalhar esta coisinha aqui, chega de tentar me empurrar homens vazios, entediantes, de cabecinha oca e masculinidade exagerada. Daqui a pouco vão me apresentar um cara que mastigue fume e cuspa no chão. Não, chega desses "encontros às escuras".

Como disse a um amigo (Nilton?!?!?!?), eu não quero qualquer coisa, ainda não estou desesperada!!! Enquanto minha vida estiver suportável, eu continuo sozinha. Enquanto não encontrar alguém interessante, minha boca vai continuar exatamente do mesmo modo, criando teias de aranha. Enquanto eu respirar tranqüilamente sem a ajuda daquela "pessoa que completa minha vida", vou ficar trocando figurinhas com a solidão.

 Eu me basto, ao menos por enquanto.

Sigo meu dia, cantarolando "London Calling" do Clash, tem coisa melhor do que aquela música que fica na sua cabeça o dia todo, movimentando seus pés? Tá aí, achei companhia, acho que vou continuar solteira por tempo indeterminado, com minhas bandas, meus livros, minha poesia, e meus AMIGOS, acho que são eles que me fazem gostar tanto de estar só.

Eles completam aquele vazio que eu teria pela falta do outro.

 

*Kássinha, a tia vai continuar solteirona, pelo visto…

**O Lú vem em maio, meu amor vem em maio pro Brasil. E pra ficar! ***Nilton, acho que continuaremos "ostrados", aqui entre nós, acho que prefiro assim.

****Saudades de minha amiga que foi para Ananindeua…Miní, eu amo você…

*****Será que encontro alguém que goste das mesmas coisas que eu, e que ainda não esteja incluído na minha lista de amigos??

******Ainda procurando minha sanidade, mas muito bem sem ela…

As chaves de mim…

11 de janeiro de 2007

Hoje perguntei a alguém que amo se tinha visto minha sanidade por aí, meu amigo respondeu, com toda a sensibilidade que só ele tem, que ela devia estar "tirando férias na inexistência", ele me conhece da maneira mais profunda, ele não me entende, ele me sente…

A esse amigo eu entreguei as chaves da minha alma, ele entra e sai de mim quando bem entende, (alma nova pra explorar, Érico…), ele tem meu amor entre os dedos.

Basta conversarmos e minha sensibilidade aflora, ele resgata minha essência, me devolve pra mim quando me perco, todos devem ter alguém assim, ou já devem ter tido, em algum momento. Alguém que te lembra quem você é, justamente por ser um pouco de você. Como um reflexo de espelho que ganhou vida e vontade própria.

Ele ganhou as chaves antes de todos, exceto de minha irmã, que as têm desde meu nascimento, e transita livremente entre meus rins. Falando com ele, lembro-me das pessoas a quem eu entreguei as chaves de mim, foram poucas, algumas se foram silenciosamente, levando-as consigo, algumas estão muito longe, mas me visitam regularmente, no mais íntimo de mim, como que pra me cumprimentar com um "Oi".

Antes eu distribuía chaves como quem joga migalhas aos pombos, hoje estou bem mais cuidadosa, e seletiva, alguns poucos amigos me conhecem em verdade, mas quase nenhum completamente. Para certas pessoas eu sou exatamente aquilo que elas acham de mim. E só.

Melhor assim, deixo que apenas as pessoas especiais pra mim provem meu gosto, me degustem, descubram meu sabor, que oscila entre doce e amargo.

 Quem tiver coragem de provar, que prove. Quem tiver coragem de entrar, que entre. Eu me abro como céu limpo depois de temporal. Algumas pessoas recebem convites, outras ficam agarradas à grade. Mas as chaves de mim não vou ceder tão facilmente, é preciso merecê-las, e pouca gente me convence…

 Apenas hoje eu abro minhas cortinas, entrem e sentem-se, este é o espetáculo da vida de um resto de divindade, algo pequeno, o sumo do descartável. Posso não ser tão interessante, mas garanto que sou um prato cheio pra qualquer psicólogo…

 Hoje serei uma menina boa, recebam as chaves de mim…

 

*E lá vou eu me expor de novo……………

**Se alguém encontrar minha sanidade, por favor, mandem-na por Sedex 10, eu pago quando chegar aqui.

***Alguém aí conhece receita pra largar cigarro, estou com crise de abstinência de nicotina, das bravas. Cenoura e canetas já foram usadas…

Desculpas?????

10 de janeiro de 2007

O dia de hoje arrasta-se com uma tristeza leve, exceto durante o pouco tempo em que estive conversando com minha "mais amada formiguinha", minha cabeça esteve longe, sem que nem eu mesma soubesse qual o paradeiro de meus pensamentos.

 Consegui resolver meus "problemas mais urgentes", sem maiores complicações, meu corpo está exausto e a mente inquieta. Sou total desordem e caos hoje.

Ontem eu vi "ele", à noite, por uns cinco minutos, nada demais, mal nos falamos. Sou vítima de minha inconstância, não tinha nada que ter ligado pra ele, cinco minutos depois queria sair correndo antes que ele chegasse. Será que apenas esta criatura aqui faz esse tipo de coissa?

Uma vez confidenciei no outro blog que não há nada que me incomode mais que meu próprio desamor, dito isso, e repensando agora, talvez o que realmente me incomode é minha falta de consenso, sou toda desacordos, e isso é o que me causa mais problemas, se digo algo ao telefone, faço exatamente o contrário ao vivo, e assim sigo meu caminho…

Enquanto conversava com um amigo muito querido, eu lhe confidenciei que ando um pouco incomodada com essa condição imutável de solitária, sei que isso vai passar rápido, é questão de dias, mas enquanto não passa, fica esse espinho cutucando a alma, e essa sensação de que ainda resta humanidade dentro deste meu poço de existir.

Resolvi deixar a faxina acontecer naturalmente, pois quanto mais me forçava a jogar algumas coisas para fora do meu terreno abstrato, mais essas coisas se agarravam a mim, violentando a vontade para criar raízes, iam se dissolvendo no meu sangue, corroendo as certezas de mudança que eu estava cultivando artificialmente.

Minha faxina será feita de modo natural, e definitivo, mas não vou ficar aqui de braços cruzados esperando benção dos Céus (infelizmente, ou felizmente, minha crença religiosa é diferente da crença da maioria das pessoas, e eu não posso simplesmente dizer que deixo nas mãos de Deus…"), tenho força suficiente para provocar as mudanças necessárias, só quero tornar isso um processo menos doloroso, não estou renunciando.

Sinto falta dos meus amigos, a maioria está viajando ou quase nunca aparece, hoje a solidão a qual me habituei está me incomodando um pouco, parece que estou esperando um presente, um ônibus, um telefonema que nunca chega, é uma maneira engraçada de se dar conta que ainda, mesmo que apenas em raras vezes, sinto falta de alguém.

 

*Estou enlouquecendo…isso aqui tá parecendo pedido de desculpas com justificativa, não tem nada de errado, mas parece que eu queria me desculpar por alguma coisa…Ô insanidade…

**Acho que vou à casa da minha irmã, tem reunião do 1° batalhão do quarteto Fantátisco, vamos cozinhar(rsrsrs)!!!!!!!!!! Eu,minha irmã, Tigrão e Salsicha (ô quarteto…).

***Ao amigo de Porto Alegre, formiguinha mais amada e homem especial: Eu adoro você, meu querido, sua companhia salva meus dias. Meu querido, gracias pela força e pela sua amizade…

Faxinas e revelações…

9 de janeiro de 2007

Estava lendo o blog da Patricia, e o que ela postou ontem me fez recordar tudo o que preciso fazer, e que tinha colocado num canto esquecido da minha alma.

Começando o dia ao som dos Stones, nada melhor pra me animar do que aqueles pés teimosos que ganho quando os escuto, as pernas criam vida própria…

 Vamos à faxina!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Primeiro as primeiras coisas (alguém que lê isso aqui vai se lembrar desta frase…), têm sentimentos que não me fazem bem e que preciso jogar fora, pessoas que pertencem ao meu círculo de relações com as quais eu não suporto me relacionar, pessoas que vivem querendo te deixar mal, volto para os braços de amigos mais leais e verdadeiros …

Me enganei durante muito tempo, e enganei outras pessoas, fingindo estar bem quando não estava, gostar quando odiava, tentando suavizar a profundidade de minha decepção. Acho que não preciso mais disto também. Essa minha mania de proteger o outro causa males irreversíveis na minha alma, porém ela está enraizada em mim, aprendo a conviver com essa minha vocação pra "mãe do mundo", mas sem me ferir por causa dela.

Velhas lembranças que costumam amargar a língua também devem ser descartadas, assim como velhos gostos que não cabem mais no armário das preferências. Das pessoas e dos acontecimentos de minha vida retiro o sumo apenas, a essência não-corrosiva que pode ir e vir livremente nas minhas veias sem me causar mal algum.

Isso é o que preciso fazer, mas, em verdade, acho difícil que minha medíocre condição humana me permita de fato estes feitos gloriosos que anseio. Sou mulher, tenho mágoas e marcas que não somem a um simples desejo, tenho pedras junto à garganta que não se desfazem por mais que eu tente. Meu rancor é desobediente…

Acordei hoje lembrando-me de um incidente que aconteceu recentemente, na última vez que nos vimos, "ele" me mandou sair da vida dele, como um cachorro que vc manda sair do sofá depois de coçar a cabeça dele. Nem tinha me dado conta, mas isso me veio à mente hoje, e fiquei me perguntando até que ponto o amor pode resistir às provações. Creio que até o ponto onde começa o desprezo.

E não estou aqui para suportar o desprezo de um homem. Ainda que o ame.

 

* Viu? Eu mesma me contrario, eu mesma me desminto. Sabe a Deusa onde vou parar com essa mania de sinceridade e transparência. Assim nunca consigo me proteger.

**Tem um número de celular que vem me dando dor de cabeça nas últimas semanas, o dito cujo me mandou uma mensagem ontem: "Você é um anjo!". Sinceramente, esta pobre alma não faz idéia de como sou, por que o que menos existe em mim são qualidades angelicais, estou mais pra moradora eterna do purgatório.

 ***Acho que a vida está sutilmente começando a sorrir pra "ele", como se desse os primeiros passos em relação a uma melhora. Não posso afirmar nada, mas espero sinceramente que seja real. Espero que ele fique bem. Da minha maneira, e na minha condição, tudo o que posso fazer é observar o desenrolar do fio de sua existência. Acho que é o suficiente.

****Fiz um poema ontem, desinteressado, sem nenhuma pretensão, é o primeiro poema meu que coloco aqui, não é grande coisa, mas achei bonitinho…

                      "Uma formiga atravessa minhas palavras…

                       Ela invadiu a forteleza em mim,

                       pra formigar entre as linhas…"

Só eu mesmo pra ter meu momento de revelação vendo uma formiga atravessar a minha agenda…

A respeito de ser ostra…

8 de janeiro de 2007

Ostrei-me de novo (Nilton, acho que será o único a entender isso…), nada têm conseguido animar meu fim de semana, as pessoas que convivem comigo me dizem o tempo todo que estou "apagada", antes mesmo de me dizerem "Bom dia!", não imagino a causa desse súbito "desbotamento" de alma, mas fato é fato, tem algo errado comigo…

 E como é de se esperar, as coisas para minha irmã não estão bem. A descrença cresce cada vez mais dentro de mim, e saio por aí, catando migalhas luzentes de humanidade nas pessoas, me agarrando à elas como um náufrago.

A convivência com minha mãe está cada vez mais difícil, e quase já não somos capazes de conviver no mesmo ambiente sem que troquemos farpas. Eu admiro aquela mulher, admiro a força dela, mas ela se deixou amargar pela vida, e hoje sua existência resume-se a defender o que ela construiu como suas inquestionáveis verdades. E suas verdades não são as minhas…

Ontem eu e meu ex-namorado (que voltou pra ficar na cidade, de uma vez…) conversamos mais tranquilamente do que nas últimas vezes, e eu vi minha vida passando enquanto aqueles olhos verdes me fitavam (o telefone toca…é ele!), a surpresa, o gosto daquele homem na minha pele, o bom humor que temos quando estamos juntos. Ontem me olharam com olhos de homem,de uma maneira como há muito não era vista.

Ele me olhou com olhos de desejo. Minha alma ardeu.

Quanto a "ele", temos nos falado pelo msn, hoje ele me perguntou como ia minha alma, pobre infeliz! Nem eu mesma sei como ela está, nunca soube. Minha alma é incomunicável, não presta contas ao resto do corpo. Só não quero ver meu sentimento definhar, mas tem sido cada vez mais difícil, é uma luta tola, inútil.

Me sento para recolher os cacos que me formam, estou bem, penso eu, mas isso é exercício constante. Minhas partes não são compostas de terceiros, sou toda minha. A vida segue, o deus Tempo não perdoa, avança levando consigo amores, sonhos e dores. Leva consigo um pouco de mim, pra semear entre os campos secos das lembranças…

 

*Meu ex-namorado ligou agora pouco, pra me dizer que estou maravilhosa, e que a mudez de ontem deveu-se a esse simples fato. Sou amiga de meus ex-namorados, amiga e só, mas confesso que ele mexeu comigo ontem, o problema é que eu me "ostrei", e não quero confusão…

**Nilton?!?!?!?!?!?!?!?!!?!?

***Ostrada, sim! Mas não mal amada…estou bem com a solidão…

Confissão…

5 de janeiro de 2007

"Volto pra mim, perseguindo memórias, para o conteúdo do cavalheirismo e dos sonhos…" Esse é um trecho de uma música japonesa que costumava ouvir quando criança, e que me veio à cabeça hoje, assim, por acaso.

Giram em torno de mim os fantasmas que alimentei, as guerras que travei, as derrotas que amarguei. Giram em volta de mim os amores que perdi, os sonhos que despedacei com as mãos, minhas mulheres, os homens que amei. Giram incessantemente para me lembrar o gosto de minha essência.

Me confundo com solidão…

E hoje me sento à frente de minhas palavras para assistir minha vida jorrar de minhas entranhas, como água de fonte, corroendo como ácido os alicerces da existência que criei. Hoje me sento para assistir a exposição de minhas verdades nuas, as verdades que escondi de mim mesma, como se fosse possível fingir que meu interior estava oco de sentimentos, que a revolta natural que trago de herança de minhas bruxas de Salém desfez-se, como fumaça no espalmar sonoro de minhas mãos.

Cerro os punhos por que o inimigo esteve sempre aqui, cercando minha natureza indócil, obrigo os olhos a se abrirem para que vejam a luz cegante de um Sol que queima a máscara protetora que me forcei a usar. Eu agito a bandeira de minha batalha, como o último suspiro de vida que o guerreiro se dá ao luxo de dar.

Ficam em minha alma os destroços, as marcas, as cicatrizes feitas pelo aço quente que cortou a pele, fica a impressão de força e coragem de uma mulher que suportou as duras penas que lhe impuseram, resignada como pássaro que perde o direito de vôo. Fica em minha alma a desolação do campo minado de corpos inertes, com cheiro de dor e de gritos.

Estou me expondo, desnudo-me porque sou incapaz de continuar a manter o pesado fardo da proteção, e que venham, então, os que desejarem minha queda, que venham aqueles que desejarem ver a vergonha estampada no rosto, manchando a glória com que a beleza me agraciou.

Há muito perdi a leveza que os confidenciava, há muito arrasto correntes, acho que sempre as arrastei, me enganando quando dizia que minha alma era leve como pluma que páira no ar. A revolta maior estava em mim o tempo todo. E eu fui a única culpada por tudo o que vivi, nunca poderia dizer o contrário, desde menina que aprendi a tomar as rédeas da minha vida, e por isso mesmo, talvez, tenha sido sempre tão solitária.

Eu me abandonei em algum momento, em algum momento onde ser era pesado demais pra mim, eu abafei o grito que ansiava por liberdade, tateando no escuro as paredes da casa que chamo de mim. E agora, por coragem ou covardia, abro as cortinas de meu teatro eterno, deixando à mostra o quanto posso ser frágil. Ou o quanto posso ser forte.

Na brevidade de minha juventude ainda me permito errar, e ferir-me, se preciso for, porque não supoto mais a idéia de mentir, manchando a honra que ganhei quando nasci mulher. Não sei se alguém irá me compreender, melhor assim, perigoso seria alguém que se aproximasse tanto de mim a ponto de entender a imensidão silenciosa de meu existir.

Solidão confunde-se comigo…

Derrotada, volto para mim, em amplidão, volto para a pessoa que abandonei em algum ponto de minha caminhada pelo Universal, volto por que sei que preciso dela, volto pra ela para voltar pra mim. Este foi meu arrastar pelo direito de vida.

Hoje mato-me novamente, porque fui tola ao supor que o sacrifício de minha alma era um preço justo a ser pago pela felicidade, e justamente quando fui totalidade é que me perdi. Me permito o direito de velar meus mortos.

 

Acabou. O teatro humano de Perséfone acabou. Minha vida é breve primavera.

Deixo meus fragmentos pelos caminhos deste mundo…

Dos homens que amei…

O primeiro homem que amei foi meu pai, que nunca conheci, eu o amei com ódio pelo abandono, eu o pintei como herói em minhas noites de choro compulsivo. Ele é o homem que sempre me protegeu, justamente por que nunca existiu. Não na realidade humana de minha vida, talvez na de minha mãe…

Depois, o segundo homem que amei foi minha mãe, pela áspereza de seu modo comigo, e, talvez pelo ódio que sentia por meu pai, e por mim, já que tenho os olhos dele estampado na pintura de meu rosto, ela foi o homem-mito, inabalável e forte, que observei sempre com olhar que oscilava entre admiração e medo.

 Mais tarde amei meu irmão mais velho, que conheci aos seis anos, ele era a vivacidade e a liberdade que minha natureza feminina ansiava. Com ele, meu irmão mais novo, a quem era desviado o carinho e a atenção que devia ser dirigida a mim, eu o amei em segredo, por que precisava deixar clara a insatisfação que sentia diante dele.

Veio o primeiro amor de infância, o menino mais popular da escola, não sei se amei a ele ou ao desejo eterno de possuí-lo, e o desejo eternizou- se nas minhas raízes, eu era feia, inteligente e briguenta, coisas que um menino rodeado de garotas não costuma apreciar no alto de seus nove anos.

Então,o primeiro namoradinho, aos sete anos, o qual dividia com uma amiga de sala, as segundas, quartas e sextas eram minhas…Na quinta-série, o namorado que despertou em mim os desejos de mulher, e que fez aflorar minha feminilidade, foi a primeira vez que beijei com a boca aberta, sentindo a língua quente dentro de minha boca, lembro-me que foi numa brincadeira de "verdade ou desafio", e que virei quase um tomate seco de vergonha.

Depois o amor por um primo, acho que até hoje estremeço quando ele chega perto, mas minha irmã mais velha chegou primeiro e levou aquele gaúcho de quase 1,90m pra ela, depois que ela foi embora e se casou, ele veio do Rio Grande para passar um dias em quase, e se atirou em cima de mim, eu resisti, em honra à memória de minha irmã.

Amei meu professor de matemática da sexta-série, Charles, achei que o amaria pra sempre.

 O primeiro namorado sério, jogador de vôlei, devido aos seus 1,93m, dele ganhei várias noites com dor no pescoço, quando acabou, não foi preciso que um dissesse isso ao outro, acabou naturalmente, e tínhamos consciência disso. Foi o suficiente.

Quando iniciei o primeiro ano do colegial tive aquele "amor que mamãe não aprova", o primeiro deles, um rockeiro largado, que amei por olhares, ele disse-me que eu era demais pra ele, bonita demais, inteligente demais e rica demais. Ficou com sua namoradinha que gostava de rock n’ roll e que tinha uma banda…

Pra esquecê-lo flertei com um outro rapaz, que tinha hipnotozantes olhos verdes, ficamos nisso quase um mês, então ele veio falar comigo…Com este homem tive três anos de namoro, foi com ele que perdi a virgindade, foi com ele que aprendi a esperar por um homem, foi com ele que aprendi que uma mulher deve bastar a si.

Amei o Júlio, que é um amigo maravilhoso, e que amo muito, ficamos algumas vezes, mas ele dizia que eu era "pra frente demais", ainda hoje brincamos que devíamos ter casado, ele diz que a culpa é minha, hoje vive sob o olhar da namorada, ciumenta como um cão, e que não gosta de mim, pra variar…

 Surgiu então o Giuliano, que conheci graças à solidão, eu era do matutino, ele do noturno, nos comunicavámos pelas mesas, ganhei ansiedade diária por causa disso, decidi que ia conhecê-lo, e conheci. Foi um encontro de minha solidão com a solidão dele.

Este foi o homem que amei em verdade, que amei em minha verdade. Onde existi em mim.

Este foi, sem dúvida,o homem que mais me amou. E foi por isso que terminei o relacionamento.

Amei, e amo alguns amigos, que carrego pela eternidade: Tigrão, Luiz Guilherme, Luan, Mimi, Adriano, Daniel, Jorge, Érico, Éder, Cidão,Nilton… e a lista é grande, eles são amados em mim…

 

Neste ano conheci um homem, um homem que despertou o melhor e o pior de mim, um homem admirável, forte, um homem que errou na sensibilidade, que foi vítima do amor por uma mulher, e que fez desse amor sua vida e sua casa. Quando ela resolveu que era hora de terminar 15 anos, esse homem desabou. Este homem foi tormento, espinho na alma, mas ontem enquanto encostava minha cabeça em seu peito, minha alma sentiu paz. Não vamos ficar juntos, eu sei. Mas ontem aquele homem me deu a sensação de estar em casa.

Aquele homem ganhou a mim no dia de ontem.

Ele foi minha casa.

Tradução de ano novo…

3 de janeiro de 2007

Meu ano começou, e daí? Não fiz planos para me obrigar a tirá-los do papel, não fiz simpatia, nem balanço de fim de ano. Nada de metas ou objetivos. Que o ano corra com suas próprias pernas…

Passei o dia escutando Chico Buarque, e a quanto tempo não faço isso. Passei o dia cuidando das coisas "chatas" de minha vida, a parte burocrática, a parte que menos gosto. Mantenho a cabeça ocupada, ao menos.

Hoje, enquanto conversava com um amigo, disse que tenho vocação pra ostra! E tenho mesmo, tenho uma capacidade incrível para me esconder do mundo. Analiso minhas situações à distância, uma de minhas personagens visualiza friamente, enquanto a tresloucada aqui comete suas barbaridades insanas.

Até que tentei ser mediana, ao menos um pouco, mas não adianta, nasci com a máxima de "Ame ou Odeie", algumas vezes amo, em outras vezes consumo de ódio, pra amar de novo no dia seguinte, assumo minha instabilidade, que é a única coisa estável em mim.

Sigo meu caminho assim mesmo, e acabo dando um jeito,às vezes sou dissimulada, às vezes mártir, às vezes implacável, às vezes doce como brisa outonal.

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