Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Meus ingredientes…

6 de fevereiro de 2007

É o veneno quente que me leva…

 

Sacolejando os átomos e requebrando os quadris, lá vai minha matéria, toda solta e desatada.

Lá me vou, pra casa que a noite assusta, e tenho tido noites polares. Anda que o lobo já vem.

Dorme o amor, que a alma não aguenta. Divide a dor, que o peso é de pedra. Colhe os frutos, que eles apodrecem no chão…

 

Recomeço de coisa sem final, já vi esse filme. Retiro o Repeat do display. Montanha-russa. A queda.

O que vai em mim é caldeirão fervente, infusão de ervas, receita do livro secreto da família. Vão segredos milenares e juras eternas.

Vão promessas, e sigo sendo só expectativa.

 

O que vai em mim…Sentidos e sensações, vão todas as minhas dores de calvário, todo o ódio recolhido em baúzinho de madeira velha, com todo cuidado que é pra não cair. Vão em mim todas as revoltas e revoluções, brado que ecoa no vazio. Vão em mim as falhas tortuosas dos meus descaminhos. Vai o peso das derrotas napolêonicas também, que espada desembainhada tem dois fios de corte…

 

Me levo pela mão, corre que o escuro já vem…

 

Vai em mim o amargo da decepção. E o gosto insistente da mania de ser injustiçada. Me desdobro o papel, origami que fui. "Nem Freud te entenderia", eita menina má. Vai tristeza, que é bonita, e que a gente não cansa de cantar. Não obstante, vão em mim todos os tormentos dos mortais, o canto suplicante dos que agonizam.

 

 Vão o temor e o medo (sim, me vai o medo no coração, Taty…), o receio de não conseguir, de não ser boa o bastante, o medo paralisante do abandono, pois aprendi a ser só, mas não aprendi a dispensar uma mão qualquer como guia, mania de proteção…

 

Recolho cacos pra me constituir, alma de vitral que tenho, corre que a pedra já vem…

 

Vai desejo e ansiedade, que a moça não espera, e tem pressa de viver. Vai a mania de entrega total, que expõe a fragilidade da natureza feminina. E vai a ânsia de salvar o mundo, colocando-o numa caixinha de vidro. Vai inconstância em titânicas proporções, e aqui perco o equilíbrio.

Vai saudade, que machuca, mas que embeleza um samba e a vida.

 

 Mas vai em mim o melhor do humano, vão o generoso e o solidário. Habita em mim a consciência do Eterno. Vai em mim amor aos montes, sou toda amor extremado. Vai em mim a Intensidade que dói. Vai em mim a doçura e a leveza do Existir, embora esses ingredientes da minha confusa mistura sejam constantemente anulados diante da força de minhas falhas e faltas. Vai o melhor de minha essência, e isso é sereno como água de lago. Calmo como amor que morreu.

 

 Corre menina, que o dia já vem…

 

 

Arquivado em: Sem categoria I

2 Comentários »

  1. Comentário por taty — 6 de fevereiro de 2007 (23:31)

    Lindoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!

    Muito especial seu texto! adorei!

  2. Comentário por Aline... — 7 de fevereiro de 2007 (7:27)

    Vão se os dedos, ficam os anéis…

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