Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Correndo atrás do candeeiro…

27 de fevereiro de 2007

"Candeeiro…

Eu careço de luz o ano inteiro, minha gente ainda dança fevereiro, e eu correndo na rua a lhe chamar…

Candeeiro…

 A estrada já vai escurecendo, minha gente se olha e não tá vendo, querosene acabou, vou lhe chamar…"

 

Eu careço de luz, eu careço do veneno, eu careço de Intensidade. Eu careço de coisas tantas, que a falta deve ser só pra me humanizar. Se eu tivesse tudo o que penso precisar, seria quase Deus. Deve ser punição para minha soberba.

Mania de querer coisas demais…

 

Ontem, no caminho pra faculdade, fiquei atônita, estática, observando meu rosto refletido na vidraça do ônibus, chovia. O céu tinha um negro que eu pintei, que é só meu. Meu rosto, a harmonia dele, as sombrancelhas arqueadas, o olhar tedioso de quem nunca está onde está, os suspiros de evasão. Ainda sou bela. Sim. Minha beleza e juventude ainda estão frescas, apesar de tudo. Apesar de minhas investidas contra elas. Apesar da dureza que cultivei para comigo mesma.

Isso me comoveu. Tive vontade de riscar o céu de vermelho.

 

Mais um momento revoltoso. Mais um mar de fúria pra colocar na estante, com meus outros bibêlos. Lembranças…

A sensação passa rasgando a pele, até que eu a force a se dissipar. Sugo o mal com lábios sedentos. Meu descompasso é só mais um fragmento da imperfeição de minha natureza.

Não há o que revidar. Dor é dor, e é merecida.

 

Ódio e amor saltam e se beijam. Confundem-se. Meus descontroles magoam. Profundamente. Aos outros e a mim, mas quando os eixos de meu plano cartesiano se aproximam, eu os afasto, como se espanta moscas em dias quentes.

Bem que eu quis tentar um caminho diverso, uma maneira mais tranqüila, mas pra quem traz no sangue o rumor das Guerras, fica difícil cair no obsoleto.

 

"Em todo o samba que eu faço, tem espaço, eu ponho o mar". Cabe mares e mares dentro das minhas esperanças. Cabe oceanos de paixão na minha desmedida. Na minha eterna ilusão fiz-me amada e amante.

A doçura de uma ilusão paga os preços.

 

 

*Ontem eu e "ele" brigamos. O coloquei contra a parede, e "ele" não sabe lidar com isso. Senti-me mal depois, mas não me apetece esperar coragem de um homem que não se importa em ser chamado de covarde por meus lábios, os mesmos que dizem, às vezes, que o amam.

**O gosto que impera na minha boca lembra vagamente a amargura.

***Lendo Simone de Beauvoir, A Mulher Desiludida, a capa? Uma mulher desenhando a si mesma, um processo de construção de si que me recorda o meu eterno empilhar de pecinhas.

****Não quero ficar sozinha hoje. A solidão me assusta mais do que nunca agora. Não quero morrer, e ser encontrada um mês depois, em estado de putrefação!! (Como estou sórdida!).

*****A oportunidade colorida que me acenava me disse adeus ontem. Perdi a vaga de estágio por 15 min. Hoje bateram no carro logo cedo…O caótico anda a espreitar-me.

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1 Comentário »

  1. Comentário por Aline... — 28 de fevereiro de 2007 (10:48)

    Miga desculpa por naum contar akilo que leu no blog mas naum keria relembrar o que passamos… Miga apenas digo que foi feio… Demais… Bjus amo-te…

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