Monólogo…
28 de fevereiro de 2007
Minha prima me disse hoje que nunca estou pra ninguém, muito menos pra mim mesma: “Você não está. Você nunca está. Você não está nem mesmo pra você mesma!”.
O soco no estômago. Sinto-me nausear.
Não estar? Como nunca estar? Eu? Eu? A que sempre esteve no lugar certo pra ser vista quando alguém precisasse de algo? Como um colete salva-vidas boiando no sal do mar.
Não… Não… Não! A cabeça não aceita. O espírito inquieto não aceita. Mil vezes não!
Estão derrubando meu castelinho de areia!
-Ei! Cuidado aí, seu grosso… Isso é o fruto de uma vida toda. Você não pode vir aqui e destruir. Não. Não. Eu não vou permitir!
- É a minha vida! Não entre chutando a porta. Cuidado porque, apesar de mirradinho, é tudo meu. Demorou, sabe? Demorou pra que eu conseguisse isso aqui. Não, não use tanta violência, as minhas coisas quebram, vieram naquelas caixas com um “Cuidado! Frágil!” bem grandão! Vê bem aonde você vai pisando com essas patas que fariam inveja ao Pé Grande.
Eu sei que não é de fazer brilhar a retina. Insignificante? Pois sim! Que seja! Mas se você tivesse idéia de como doeu… Ah, se você soubesse! Eu sofri muito, mesmo. Pode olhar, estão aqui ó… As marcas, tá vendo? E são tão profundas que em algumas noites eu as sinto latejar, muitas vezes eu nem durmo, de tanto que dói.
-Foi tanto sofrimento que, sem brincadeira, podia competir com qualquer mártir. Mas eu tô aqui, bem vivinha, Vivinha da Silva. Eu sei que não é meu nome de batismo, aliás, eu nem fui batizada! Mas ia cair bem, seria uma tradução.
Quem sabe, hum… Vejamos… Resistência? Não, não. Muito pesado.
Mas olha, por favor, não pense que eu sou toda dor, não. Eu fico alegre. Fico feliz. Sou normal, comunzinha que chega a dar dó, verdade. Mas vê o lado bom: não sou tão incompreensível, é só ter um pouco mais de vontade. Pode vir, que eu não mordo, mordia, mas isso foi quando tinha três anos e mordi a professora da creche (isso é verdade! Pode perguntar pra minha mãe), ela devia ser uma chata!
-Só tô pedindo atenção com minhas coisinhas. Quando não se têm muito, o Universo pode caber numa caixinha de fósforos. Não, não vamos falar de fósforos, porque eu parei de fumar, e estou nervosa. Podia segurar minha mão? É só pra eu sentir uma presença qualquer, depois eu solto, prometo.
Olha moço, sei que assusta. Mas já que você veio até aqui, já que você fuçou minhas feridas com este dedão que deve apavorar homens com mais de quarenta anos… Podia ficar esta noite? É que tá chovendo, e eu tenho medo de trovões.
Nem precisa dormir do meu lado, dizem que eu ronco. Pode deixar que eu durmo no sofá.
-Não se preocupe não, que é só esta noite. E o Smive nem vai te incomodar, ele é um cão muito educado, a única alma viva que me espera chegar em casa à noite.
Companheirão mesmo. Você vai ver, quem sabe até vocês ficam amigos e saem pra passear de vez em quando? Só não vai agora, por favor. É que eu tenho medo da solidão.
E você ia molhar seus sapatos com o chuvão de lá de fora.
-Boa noite.


Comentário por Taty — 28 de fevereiro de 2007 (19:16)
Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei
Eu te estranhei
Me debrucei
Sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito (Nos teus pelos)*
Teu pijama
Nos teus pés
Ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
se cuida garotinhaaa, a chuva vai passar, mas durante a espera use capa de chuva… pois deixar de viver é imperdoável!
Beijos
taty
Comentário por Aliadopoars — 28 de fevereiro de 2007 (20:51)
Se deixar, eu fico, mesmo!!!
Bjks