Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Idas e voltas…

5 de março de 2007

Num belo dia a menina volta pra casa…

 

Em um lindo dia ela pega suas tralhas, seus acertos, suas falhas, bota tudo dentro de uma mochila velha, põe nas costas e volta.

Volta, porque se perdeu no caminho de ida. Esqueceu os mapas, as recomendações, esqueceu os números de telefone de emergência, esqueceu os nomes de pessoas que poderia procurar em tal e tal lugar.

 

A menina volta porque precisa descansar. Cansou-se de dormir na grama, olhando estrelas. Ela volta porque o mundo é imenso, e seus pés estão cansados (mundo, mundo, vasto mundo…), volta porque a perfeição não se vende em qualquer esquina, e costuma ter um preço exorbitante!

E ela não conseguiu dinheiro algum vendendo ilusões e sonhos para os transeuntes.

 

 A volta não é doce, mas conforta. Saber onde está se pisando dá uma sensação de segurança que lhe faltou durante toda a jornada. Ela senta-se na janela pra observar a paisagem lá fora, que provavelmente não verá por muito tempo. Os campos, as montanhas, todo o mundano e o sagrado fundidos numa massa única e vivente.

Ela vê a vida através do vidro.

 

A menina volta, mas não se sente em casa. Falta algo. Os móveis estão empoeirados. Ela abre as cortinas para que o sol entre. Ela toca as paredes, pra encontrar algo seu.

Lembranças… O dia em que descobriu que o amor incondicional tinha um preço. O dia em que soube que sua mãe não era Deus, logo, ela morreria um dia, todos morreriam.

O dia em que decidiu sair de casa, porque tinha medo de perdê-los, e porque não queria assistir a isso.

 

O cheiro de mofo. O jardim tomado pelo mato, as aranhas tecendo eternidade no canto das portas. Ela não está melhor agora que acordou seus fantasmas. Seu quarto, suas coisas, agora tão incomuns. Ela voltou, mas não encontrou seu lar. Não se encontrou nos velhos azulejos rachados da cozinha, nem ao pé da escada, nem nas janelas.

 

Ah! As janelas! Ela as abre, ela convida o mundo para entrar. Ela só quer companhia. As suas certezas não estão mais lá, sua velha caixinha de papelão, onde guardava a coleção de figurinhas ainda está na gaveta, é tudo de palpável que ela tem.

Algo flutua no ar cansado…

 

Num belo dia, a menina sai de casa…

 

Ela sai porque ali não era o seu lugar. Porque descobriu que a casa de cada pessoa é dentro de si mesma, e ela ainda é imatura demais pra mergulhar em si sem se magoar, sem se ferir.

Ela sai porque precisa fugir até que sua companhia seja suportável.

 

Ela sai pra salvar o que restou de seu passado. Sim, ela também não é Deus. Será esquecida. Seu rosto ficará empoeirado como os móveis de sua antiga casa. Ela sai porque precisa caminhar, pegar ar. Ela sai porque sua existência a sufoca de quando em quando.

Ela sai, sem data pra volta.

 

 Ela vai atrás da coragem para voltar o olhar pra si mesma, e ver seu mundo.

Arquivado em: Sem categoria I

2 Comentários »

  1. Comentário por Aline... — 6 de março de 2007 (8:47)

    Migaaaaaaaaaa amo-te… d+… Estou aqui pra ti tb…
    =)… bjus…

  2. Comentário por Aline... — 6 de março de 2007 (12:32)

    Miga keru colooooooooooooooooooo… :(…
    bjin…
    amo-te…

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