Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Tudo é morte…

13 de março de 2007

“Tudo era morte. Eu pensava na Gwen, eu pensava no corpo da Gwen apodrecendo”. Essa fala é da personagem central do The Good Girl. Foi o que me veio à cabeça quando ontem, ao meio-dia, eu recebi o telefonema no celular, avisando que minha avó falecera no Hospital do Câncer.

 

Eu pensei nela, na vida dela, uma senhora tão ativa, tão independente, cuidava da casa, de sua horta, sempre verdinha, fazia tapioca pra mim! Estava sempre disposta, alegre. Eu pensei na dor, câncer na laringe, cigarros! Eu pensei nas palavras de minha mãe: “A jugular rompeu, eu tentei estancar o sangue, mas não consegui. Ela sangrou até morrer”.

 

Eu pensei nos milhares, nas estatísticas elevadas, nas avós, mães, filhos… Eu pensei que será minha mãe, minha irmã, meus filhos. Eu quis meter uma bala na minha cabeça, porque eu não quero assistir a isso, se eu tivesse uma arma, creio que teria metido mesmo!

 

Nunca quis acreditar na mortalidade das pessoas que amo. Não aceito, nunca pude aceitar. Odiei Guimaraens Rosa, porque ele havia mentido! Sim, as pessoas morrem, sim! Elas não ficam encantadas, elas são soterradas, apodrecem, e servem de comida aos vermes. O que há depois da morte? Terra e podridão!

 

E nada do que você faz aqui vai amenizar o seu futuro: escuridão e silêncio. O vazio. A falta. Nada do que você fez servirá, você vai morrer como todo mundo, vai entrar em decomposição, vai confundir-se com a terra.

Você será esquecido depois de algum tempo, será apenas um punhado de fotos velhas e amareladas.

 

Tudo aquilo em que eu pensava era: se eu morresse hoje, quem choraria por mim? Quantos tentariam suicidar-se? Quantos entrariam em depressão? Quantos sentiriam realmente a minha falta?

 

Poucos, bem poucos, eu sei. Terminaria esquecida e, depois de uns anos, ninguém se lembraria de levar flores ao meu túmulo. Alguns tantos iriam ao velório, é certo, e ao enterro, dar os pêsames à família, dizer que foi uma fatalidade, eu era tão jovem, e essas coisas banais.

 

O ser humano está fadado à solidão, e ao esquecimento. Mas nós não admitimos isso, nosso legado é eterno! Nossas obras nos tornarão imortais! Mentira! Mentira! Mentira covarde!

 

Tudo é morte. Eu penso na minha vó, eu penso no corpo da minha vó apodrecendo. Eu penso em mim, na minha vida vazio, sem sentido, sem motivo. Odeio meu emprego, odeio o mundo de vez em quando, odeio o egoísmo de Deus. Odeio o meu conformismo…

Queria meter uma bala na minha cabeça!

UMA VOZ NO VENTO…

Uma voz no vento
Chama azul do dia
Doce perfume, canção
Uma voz no tempo
Resiste na noite
E as lágrimas fogem de ti
Uma voz no vento
Uma voz me chama
Brisa de amor, doce coração
Uma voz no tempo
Carinho na alma
E as lágrimas fogem de ti

Se quem chegou, partiu
Se quem virá, já foi
Só pra quem fica os dias são todos iguais
Mil sonhos pra enterrar
Ventos e vendavais
Corpo e alma afetam
Se os anos pesam demais no coração

E as lágrimas fogem de ti
E lágrimas fogem de mim
E um rio se forma de nós.

Arquivado em: Sem categoria I

3 Comentários »

  1. Comentário por Aline... — 14 de março de 2007 (8:44)

    amo-te… apenas amo-te…

  2. Comentário por Taty — 14 de março de 2007 (15:30)

    Oiii menina!!!

    Puxa que triste tudo isso! que deus ajude seu coraçãozinho ficar em paz!

    beijinhos, se cuida

  3. Comentário por Valter — 16 de março de 2007 (1:19)

    Nossa.. ufa… esse foi profundo… e é incrível essa sua capacidade de interagir com os mais variados veículos de comunicação. As citações, intencionais ou não, em seus textos são fantásticas. Nesse vejo latente o Augosto dos Anjos…
    Bjos… e continue escrevendo sempre.. que você irá longe, muito longe.

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