Afasta de mim esse cálice…
30 de março de 2007
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Arrancando as vísceras, pois eu não aprendi delicadeza na escola da Vida.Fui má aluna, matei essa aula, provavelmente no dia em que matei a diretora do colégio.
Ando farta, e reclamo em grito, berro. Um dia alguém vai ter de escutar.
Não há como fugir eternamente do cuspe ácido. Eu regurgito todo o verdadeiro em mim. Urro desértico, eu vou tacando pedras, rebeldia herdada dos livros de história e das biografias de capas vermelhas. Sentimento ganhado de muitos e muitos filmes pra dar nó no pensamento.
Minha cabeça faz mil rotações por segundo, às vezes eu me agarro nas pedras pra não cair…
Custa-me aceitar esta estagnação. Custa-me engolir o conformismo goela abaixo, “cálice de vinho tinto de sangue”. É impossível digerir as pedras da alienação do Império humano.
Eu prefiro a crueza animalesca. Ao menos fica bem claro quem é o predador e quem vai virar comida. Esse troca-troca de papéis me enerva. Corrói-me as entranhas.
E fica todo mundo com cara de paisagem, de não é comigo. Puta que pariu! Será que alguém mais poderia ajudar na bateção de panela? Cheguei à conclusão de que, se eu não posso mudar o mundo com minhas revoluções particulares e solitárias, ao menos posso incomodar MUITO, com barulho ensurdecedor!
Bem sei que minha fúria inflamada perante a inércia humana não faz verão, mas fazer o que, a pessoa aqui é idealista mesmo, nasci na época errada, tenho braços fortes e minha geração não carrega bandeira alguma a não ser a do Mc Donnald’s e de alguns ícones descartáveis mais…
Que fazer?
Eu sigo o caminho das pedras por opção. Eu costuro bandeiras com os farrapos que restaram de outras eras. Eu faço meu brado ecoar por todo o mundo. Grito até a rouquidão.
Sigo abrindo caminho nesta floresta de hipocrisia e mentira.
Minha faca tem dois gumes, com uma eu dilacero o estúpido do Mundo, com a outra eu me mato lentamente.
No fim, nós dois estaremos destruídos.

