Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Tudo de mim…

26 de abril de 2007

Eu tenho fome de gente…
De vez em quando a solidão me incomoda, de vez em sempre eu corto uns pedacinhos doloridos de céu pra colar no teto do meu quarto.
Quando eu quero companhia, é que eu me isolo, quietinha no meu canto, tenho medo de invadir o outro, sem contar a coisa de manter a imagem de durona.
A mulher aqui não é o super-homem. Pronto, confessei.

Quando estás junto a mim
E o silêncio é quebrado pela nossa respiração
Ofegante
Trêmula
E o frio da noite se transforma em nosso suor e
Não quero mais
Que isso acabe
Seu olhar se dirige ao meu
Seu sorriso, tímida.
As suas mãos conhecem o meu prazer
E tudo que eu posso fazer é retribuir o seu carinho
Te dando o maior amor que alguém já pôde sentir
Não quero mais isso acabe nunca mais
O seu olhar que se dirige ao meu
Por que eu gosto
Do seu cheiro
Gritos, gemidos…ah
E o meu coração
Batendo em suas costas
E a vida então surgindo de ti
Não quero mais que isso acabe
Nunca mais que isso acabe
O seu olhar que se dirige ao meu
E tudo que eu posso fazer é retribuir
O seu carinho
Te dando o maior amor que alguém já pôde sentir
Deixo tudo de mim
Deixo tudo de mim
Deixo tudo de mim
                                       *Tudo de mim, Ira!

*Minha irmã viajou pra resolver uns pequenos enlaces do processo dela, logo agora que eu queria um colo.
**Ando melancólica. Ando estranha, sei lá. Nem pra escrever tá dando vontade.
***Será que alguém aceita tudo de mim???? Será????

 

 

Ela x ele na cidade sem fim…

23 de abril de 2007

Ela não tem preço
Nem vontade
Ela não tem culpa
Nem falsidade
Ela não sabe me amar
Ela não tem jogo
Nem saudade
Ela não tem fogo
Nem muita idade
Ela não sabe me amar
Ela não saberá
Coisa de amor
De irmão
Que ela insiste e que me dá
Toda vez que eu tento
Ela sofre
Poderia ser medo
Mas como é possível
Mas então seu amor não é meu
Nem eu o seu
Pois então que será minha amada
Amadora?
Ele não tem preço
Nem vontade
Ele não tem culpa
Nem falsidade
Ele não sabe me amar
Ele não tem jogo
Nem saudade
Ele não tem fogo
Nem muita idade
Ele não sabe me amar
Ele não saberá
Mas então seu amor não é meu
Nem eu o seu
Pois então que será meu amado
Amador?
Se eles não têm pose
Nem maldade
Eles não têm culpa
Nessa cidade
Eles não sabem amar
Coisas da vida

* A culpa não é nossa???
**Passeio noturno pela principal avenida da cidade, eu, Tolstoi e meus pensamentos, nos abordaram, nos convidaram pra sentar, me serviram e me trataram como uma rainha, sim, a beleza tem algo de bonito.
Não faz mal algum ao ego…
***Nada como andar sozinha pra se redescobrir no mais belo de si mesma…

Meu namorado…

20 de abril de 2007

Ele vive perdendo as calças. Elas desgastam no vão das pernas, ele sente pena de se desfazer delas.
Ele adora camisetas, sobretudo as não-amarelas. Embora ele tenha voltado a usar as tais para recomeçar.
Ele gosta de saladas no vapor, e quando conta como cozer os legumes, é quase a declamação de um Celan vinda de sua boca.
Ele não passa desodorante depois do último banho do dia, é um Narciso incorrigível que gosta de dormir com cheiro do corpo.
Gosta de café doce e forte, na mesma proporção, e tira sarro de mim porque considera café algo muito simples de ser feito.
Me chama de “garota do chocolate” ou de “sorriso de janela”. Diz que não me entende.
Não rói unhas, mas fica puxando a cutícula com os dentes, num gesto de me enche de agonia.
Só compra cds originais, e isso tem mais a ver com sua arrogância natural do que com contribuição com músicos.
Ouve Stones, mas prefere indie rock. Não costuma ouvir as minhas indicações sonoras, Teresa Cristina e Badi Assad continuam a serem ignoradas no cd que eu gravei pra ele.
Não come sozinho em restaurantes, porque acha que todo mundo está olhando pra ele, mas quando almoçamos juntos, e eu peço, com cara de cachorro largado, pra ele me “ajudar” a comer, ele até que ajuda direitinho.
Parece uma traça de tanto que lê, é fominha, pega uns dois ou três livros de uma vez, e vive com um nas mãos, mais pra fazer charme.
É metido. Pedante. E minhas amigas dizem que ele só fica legal quando está bêbado.
Passou dos trinta e ainda é um idealista. Utópico. Revolucionário.
Quando segura o choro, seus olhos ganham um brilho parecido com o reflexo de luz nas gotas de água quando se está molhando as plantas do jardim.
Tem cílios incrivelmente grandes. Eu invejo os cílios dele. Não gastaria um centavo com rímel se tivesse um igual.
Bebe cerveja devagar, elegantemente, e eu pareço um camelo sedento.
Sua maior paixão são pessoas. As filhas. E quando me fala delas eu fico com inveja, pois também queria ter tido um pai assim, tão apaixonado e babão, pra contar aos amigos o quanto eu era maravilhosa.
Escreve incrivelmente bem. De vez em quando eu fico passeando por suas palavras, como que para pegar algo daquela profundidade pra mim.
É tão inteligente que, em certos momentos, me enerva o fato de ele não calar a boca, e de ter sempre algo a opinar sobre tudo o que vem à discussão.
Fica lindo com a barba por fazer, mas eu peço pra ele tirar. Tem a fisionomia grave. Diz que é feio e tem cara de anjo.
Não gosta de calcinhas na cor bege. Mas quase nunca pára pra reparar no arco-íris que eu uso quando estou interessada em sexo.
Não gosta do sorrisinho particular que eu estampo no rosto, e eu, pra contrariar, abro ainda mais o sorriso malicioso.
Não gosta que eu sinta as dores dele, e não compreende que é involuntário.
Quer comprar uma casa pra que as filhas possam existir sem topar com os cantos de mesas nos fins de semana.
Ele tem um blog, e já causou muito suspiro em mulheres pelo país todo. Sua linha imaginária é traço diário no meu céu.
Quer melhorar. Acha que um dia vai pintar um mundo mais bonito pra ele e pra suas meninas, e eu não duvido disso.
Não me ama, mas também nunca me iludiu.
E eu o amo de maneira tão leve que às vezes nem sei se é amor ou se é um sopro de vida que eu roubei da boca dele.

*Hoje, desordem disfórica pré-menstrual, e eu taquei fogo no doce de minha vida…
**Pedido de desculpas… aqui também.

Je suis la jeune fille aux cheveux blancs…

19 de abril de 2007

"Je suis à l’age où l’on ne dort nulle part
Les seuls lits dont je rêve sont des quais de gare
J’ai loué un placard pour mes robes d’hiver
J’ai tué les parents
Oh je veux partir sur la seule route où il y a du vent
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs
Mon amoureux dit qu’il ne me connaît pas
Il vit loin de tout, il vit trop loin de moi
Sur le plus haut volcan où l’amour est éteint
Il reviendra demain
Oh je veux partir sur la seule route où il y a du vent
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs
Oh je veux partir sur la seule route où il y a du vent
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs
Je suis la jeune fille aux cheveux blancs"
                                                                     *La jeune fille aux cheveux blancs
 

Minhas palavras andaram inquietando gente. Não se pode agradar a gregos e troianos. De vez em quando os silêncios são tão pesados, que eu não suporto mantê-los. E grito.

Hoje minha amiga teve que segurar a minha barra via e-mail, logo cedo, primeiro ela expondo os problemas dela, e eu aconselhando (É, existe alguém tão lunática quanto eu nesse mundo pra ouvir o que eu digo), depois eu confessando coisas, e ela me falando exatamente o que eu tinha dito a ela! A gente é louca. Chorei com ela. Chorei enquanto a gente conversava. Meus olhos pareciam ter chispas de fogo, de tão vermelhos.
Se não fosse por ela, já teria surtado.

Cobranças, cobranças, cobranças…

* Ontem, encontro no corredor da faculdade. Meu ex-namorado, Felipe Hilleshein, confesso que há muito tempo ninguém me olhava daquele jeito, como se quisesse parar o mundo pra sentir os poros da minha pele, nem me lembrava de como isso era bom.
Ainda sou desejada! E isso é maravilhoso!

** Ninguém tem um nada tão carregado de coisas quanto eu!

*** Line, eu amo você, minha amiga…

Quando abril acabar…

18 de abril de 2007

Quando abril acabar, a grama do meu jardim terá secado de todo, meu filho terá completado seis meses, e meu sobrinho comemorado seu primeiro aniversário. Minha irmã terá brigado comigo porque não viajei. Ela está mobilizando a cidade toda, e não é exagero, até o prefeito está contribuindo com a festa. Ela terá repelido todas as minhas justificativas, a vida dela é cor-de-rosa, a minha é um quadro abstrato.

Quando abril acabar, vou estar arrancando os cabelos, porque nunca consigo tirar do papel meus planos. Eu estarei flácida, porque não pratico mais exercícios nem cuido da alimentação. É bem provável que tenha emagrecido uns dois quilos, culpa da minha falta de ânimo com tudo, e meus cabelos estarão com a mesma cor castanho-avermelhado-de mechas loiras.

O Érico vai ter me ligado umas dez vezes, e eu não terei atendido nenhuma das ligações, porque não quero que ele me veja assim, caída. Meu ex-namorado vai me convidar pra sair, e eu vou riscar umas vinte desculpas manjadas do caderninho, porque o restante eu já usei. Terei visto a Fí umas duas vezes, no máximo, e terei limpado a geladeira dela nessas duas visitas, porque aquilo é um caos, e eu não agüento aquela bagunça.

Terei mais 60mg de morfina no sangue. Ainda não terei decidido se faço terapia. Terei gastado dinheiro com Lp’s que o Pietro vai ter separado pra mim, mesmo estando preocupada com o cartão de crédito. Terei lido mais uns três livros, mas não farei os trabalhos da faculdade. Vou passar por umas duas crises de abstinência de nicotina. Vou ter pensado em morte quatro vezes.

Quando abril acabar, eu e minha mãe teremos brigado umas sete vezes. Eu a amaldiçoarei umas setenta! A Laura ainda estará com a Clarice. Não terei começado a auto escola, nem saído do emprego. Vou olhar umas duas vezes os classificados. Não vou ter ido ao dentista, e o siso vai continuar me incomodando, ainda não terei comprado o mp4 do meu irmão.

A meia-lua estará lá na loja ainda, e o Jamaica vai me xingar de filha da puta umas quinze vezes além do normal. Terei tido mais algumas crises, brigado com o namorado, e me perguntado que diferença eu faço na vida dele. E na das pessoas da minha vida.
Terei chorado pouco. Me amado menos ainda.

Não terei visto a Kassinha. Não terei cumprido minhas promessas. Não terei assistido Frida. Não terei me perdoado. Quando abril acabar, uma de minhas orquídeas terá florescido, e eu não poderei acompanhar a sua breve floração. Meu corpo estará fechado.

Quando abril acabar, eu estarei sozinha como sempre. Serei acometida de uma tristeza profunda, mas só a minha sombra me consolará.
Por favor, quando abril acabar, bata na minha janela.

“Purify the colors, purify my mind
Purify the colors, purify my mind
And spread the ashes of the colors over this heart of mine!”
                                                                Neigborhood#1 (Tunnels)-Arcade Fire

 

Meu filho….

Eu sou carioca…

17 de abril de 2007

Ela é carioca
Ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar
Eu vejo na cor dos seus olhos
As noites do Rio ao luar
Vejo a mesma luz
Vejo o mesmo céu
Vejo o mesmo mar
Ela é meu amor, só me vê a mim
A mim que vivi para encontrar
Na luz do seu olhar
A paz que sonhei
Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais
Ela é carioca
Ela é carioca
Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais
Ela é carioca
Ela é carioca

Não sou carioca, mas nunca fui tão moça de João Gilberto. Há um certo veneno no sorriso fino. Há uma malemolência no quebrar dos quadris. Há um ardor inocente nos olhos castanho que fitam, surpresos, todo um mundo que cabe em um encontro.

Eu tinha esquecido de como era bom…

No balançar dos cabelos. No movimento das mãos. Eu sou petulante! Eu quero ser vista. Eu tenho um ar fresco no semblante…
Meus gestos são imãs para espressões atentas. Minha boca é palavra indefinível que não diz nada e é tudo. Minha boca ganha vida, pra sentir sabores diferentes.

Eu afogo os marinheiros, eu os levo pro fundo do mar. Agora eu sou do mundo. O mundo é minha casa. Meu conforto é lugar quente. Minha paixão é uno. Meu corpo é fonte. Minha saliva é sede.

Meu universal cabe nas mãos em concha de alguém, num gesto que significa tanto a salvação da água, quanto a perdição da cachaça que desce quente.

*Sábado, festa com as amigas, afinal, “quem não gosta de samba, bom sujeito não é”.
**Domingo, piririco, chocolate, música clássica e cansaço pra purificar.
***Segunda, riso das amigas, vontades caladas, e vinte e quatro horas num dia.
****Hoje… eu sou menina de João Gilberto. Hoje eu sou do mundo, e o mundo é meu.

 

Faltou luz…

13 de abril de 2007

Ontem eu vi deus! Ontem, acabou a luz da minha cidade. E nós tateamos no escuro… Ontem eu caminhei sob a garoa fina, sentindo o vento frio no rosto. E quando a situação tinha tudo pra dar errado, tudo correu de maneira tão tranqüila e doce.

Nós precisávamos disso. Era um presente que eu tinha que me dar. Estar ao lado dele, sem me preocupar com o arrependimento que sempre o acometia depois do desejo.
Estar, e ser, ao lado dele. Em sua frente… Nele, na atmosfera de seus poros.

Nós merecíamos isso…

*Minhas paixões andam comedidas, e eu tenho medo de dizer que amo. **Outro fim de semana sem tempo! Curso de Libras, festa de medicina da UFMS, limpeza da casa, lavagem da roupa, trabalho por começar, um dvd do Cure pra assistir, quem sabe um teatro ou um cinema domingo à noite… Tô cansada por antecipação!
***Inquietações que segredo: o namorado visita sua antiga casa, que nunca deixou de ser a casa dele (o que é bom), e junto com ela, revolve seus fantasmas e dores… Ciúme? Não. Medo. Medo de que isso o leve novamente para aquele inferno de sentimentos n’alma.
**** A face de deus? Tem um rosto grave, mãos firmes, cabelos grisalhos  e boca fina, traço de pincel. Tem sono e seu abraço é capaz de acalmar todo o mar em mim.

Simples assim…

11 de abril de 2007

De vestido preto e pés descalços. Com os cabelos brincando com o vento. Com os dedos brincando com o ar…
Simples como uma canção do Tom, como ler poesia e suspirar, como sorrir quando se está apaixonado. Eu tenho apego à simplicidade.

Dos meus muitos extremos já ganho brilho e emoções o suficiente. Tem certos dias em que a minha paz mora no abraço de alguém. No riso largado, dado com folga. Numa roda de conversa com as amigas. Tem certos dias em que eu choro só pela beleza de chorar.
Ah, tem certos dias…

Como criança assustada, eu vou abrindo as portas da casa que adentrei. Com ar de surpresa, tenho olhos vivos, que captam o som de espalmar de mãos. De vestido preto e unhas vermelhas eu vou empilhando minhas pecinhas Lego, pra construir um cotidiano mais suave.
Borboletas azuis brincando no jardim. Menina passeando as mãos nos cabelos do namorado.

Ontem, discussão acalorada do mulherio do 3° semestre de Letras sobre relacionamentos, ciúme, a mania que a gente adquire de moldar o outro, a ilusão de que, quando se ama alguém é porque esta pessoa nos completa (cara metade não existe!).
Engraçado como quase ninguém aceita que para um relacionamento é necessária a presença de duas pessoas, inteiras, completas, e não de duas metades. Se assim fosse, as colas instantâneas iam vender horrores!

Tão simples. Tão difícil. Fazer o quê?

 *Companhias sonoras do dia: O “Coisa com coisa”, do Pedro Miranda, o “Mind, body and Soul”, da Joss, o Kavita 1, da Mariana Aydar (indicação do namorado!), o “Automatic for the people” do R.E.M e o “Le Fil” da Camille (assim, sem sobrenome mesmo, Pietro!), uma francesinha arretada!

** Dissecando “O reino deste mundo”, depois de dias sem ler nem a Veja da semana. Um Flaubert me espera. Para o Borges eu abaixo as armas, por enquanto…

*** Uma coisa bonita? Não sou boa nisso, fica apenas a confissão de um sentimento que venceu o amor próprio, o medo, o desprezo e o descaso. Ficam as minhas impressões na sua pele, dos dias em que tua pele foi o meu mundo. Ficam meus beijos ansiosos. Fica todo um caminho em que silenciei a minha dor para carregar tua espada, e apoiar-te em meus ombros quando vacilavas. Ó Narciso, tu que te definhas, por amor à tua glória, dirige teus olhos à infeliz ninfa que nada pôde lhe responder, graças à fúria de Hera.
Eis aqui Eco, o rochedo em que podes apoiar teu passo. Meu amor é onde me resguardo.
Importa-me a tua paz mais do que a tua presença.

 

Bipolar sem gelo…

10 de abril de 2007

Se fosse fazer uma lista sobre as coisas que não me agradam, ela seria imensa, cansativa e piegas. Não sou fã de listas, afinal, alguém tão instável quanto eu muda de gosto e desgosto como as árvores de folhas no outono.
Fico bem assim, desajustada. Quase não me basto em mim, então me expando, poeira cósmica, com a leveza de uma brisa qualquer…

Dias confinada em casa, quase fui à loucura, sou gente, preciso de uma fuga, mas com a mãe doente foi praticamente impossível um minuto sequer de paz. Fui obrigada a vivenciar todo o amargor e a doçura de conviver comigo…

Falando em doce e amargo, ontem um amigo (que é o homem da minha vida, e da vida da Fí também), o Tigrão, disse que eu tenho transtorno de bipolaridade. Não tenho não, só não sei fazer com que tantas de mim entrem em consenso sobre como coexistir pacificamente e de maneira indolor.
Resultado? É pipoco em quantidades titânicas.

Então eu vou desenterrar meus mortos (e todo mundo os têm), vou entrar em contato comigo, no mais profundo de mim mesma, como dizia Clarice, quando escrevo estou morta. Eu morro quando vivencio, me mato quando descrevo. Não sei se a gente vive um pouco a cada dia, ou se a gente morre um pouco a cada dia.
Se for necessário escolher, é lógico que eu vou ficar oscilante, decisões não são o meu forte! Nunca foram, eu me ajeito, já acostumei.

Na minha desmedida nem eu me encaixo. Forço a porta. Forço a entrada. Às vezes eu fico de castigo do lado de fora, tem momentos em que eu não me entendo, em outros não me suporto, mas crio uma doçura cativante por mim mesma.

Sigo. Ora me amando, ora me amaldiçoando. O importante é que eu siga.
Minha caminhada ainda não magôou ninguém, faço o máximo pra não ferir o outro. Nem sempre é possível, mas ninguém pode me dizer que é proposital.

*  "Nunca te vi, sempre te amei", ô filme lindo. Helen Hanff é minha paixão por livros antigos, velhos mesmos, cheio de dedicatórias, anotações, em sua totalidade. è como se ao tocar as páginas eu pudesse sentir a vida daqueles por quem o livro passou.
Eles fazem parte de mim. Sou inavadida, e os invado.
E essa sensação é deliciosa!

** Presente de Páscoa do namorado: um livro delicioso, e com dedicatória, pequena, mas pra ele, que tem sangue de vendedor, é quase um estupro!

*** Melhoras da mãe… está chata, insuportável. Egoísta e arrogante! Voltou ao estado normal…

 

Chovia nas ruas…

5 de abril de 2007

…Do meu coração.
Hoje eu vou costurando os fios pra remendar o estrago. Dói, dói. Mas reclamar não vai me fazer esquecer.
Ontem eu torcia pra que um daqueles carros que passavam em alta velocidade viesse pra cima de mim.

Caminhei a esmo. Chorei em ônibus. Sofri milênios de dores. Desfiz toda a matéria, e fui só solidão. Senti, senti. Senti o quanto a falta magoa.
Eu toquei minha harpa, sob os salgueiros.

Entoar meus cânticos é dolosoro.

Conversa com a irmã, banho de vida pra lavar a alma. Ela chorando dissabores amorosos, e eu falando de Darwin! Ela disse que vou acabar ficando louca…

Feriado?!?! A retirante cuida da casa, da mãe que está doente, e desmaiando, cuida da vida na faculdade, é Páscoa (dispenso o chocolate, ninguém gasta comigo nessa época…), descanso zero…

Melhor assim, sem tempo eu evito que a cabeça gire demais.

*Taty, tô melhor, minha amiga…
**O namorado tornando o dia mais leve, matando minha sede na própria boca.

Chovia nas ruas do meu coração, das feridas abertas tive a dor e o vermelho vivo, do agüaceiro a certeza de que não se foge das verdades assim, imune.
Da acidez da loucura ficou uns riscos, uma tristeza sem nome, e um medo do vazio…

 

 "O que se vê é vero
o teu sabor eu quero
mas nem só beleza eu vi
Vi cidades degradadas
pessoas desamparadas
nas grades da solidão
Fogo nos campos nas matas
queima de arquivo nas praças
chovia nas ruas do meu coração

 Vi cidades turbulentas
chacinas sanguinolentas
pensei que morava nas terras do mal
Choro dos filhos, maldades fora dos trilhos,
cidades
pensei que sonhava e era tudo real

Vi uma estrela luzindo a minha porta
bateu querendo me namorar
lua cheia clareava
imaginei que sonhava e era tudo real
Ninguém mais coça bicho de pé
nem ninguém caça mais arrastapé
viva é assim é o que é "
                                                                 *Vero

Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://entremeusrins.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.