Bipolar sem gelo…
10 de abril de 2007
Se fosse fazer uma lista sobre as coisas que não me agradam, ela seria imensa, cansativa e piegas. Não sou fã de listas, afinal, alguém tão instável quanto eu muda de gosto e desgosto como as árvores de folhas no outono.
Fico bem assim, desajustada. Quase não me basto em mim, então me expando, poeira cósmica, com a leveza de uma brisa qualquer…
Dias confinada em casa, quase fui à loucura, sou gente, preciso de uma fuga, mas com a mãe doente foi praticamente impossível um minuto sequer de paz. Fui obrigada a vivenciar todo o amargor e a doçura de conviver comigo…
Falando em doce e amargo, ontem um amigo (que é o homem da minha vida, e da vida da Fí também), o Tigrão, disse que eu tenho transtorno de bipolaridade. Não tenho não, só não sei fazer com que tantas de mim entrem em consenso sobre como coexistir pacificamente e de maneira indolor.
Resultado? É pipoco em quantidades titânicas.
Então eu vou desenterrar meus mortos (e todo mundo os têm), vou entrar em contato comigo, no mais profundo de mim mesma, como dizia Clarice, quando escrevo estou morta. Eu morro quando vivencio, me mato quando descrevo. Não sei se a gente vive um pouco a cada dia, ou se a gente morre um pouco a cada dia.
Se for necessário escolher, é lógico que eu vou ficar oscilante, decisões não são o meu forte! Nunca foram, eu me ajeito, já acostumei.
Na minha desmedida nem eu me encaixo. Forço a porta. Forço a entrada. Às vezes eu fico de castigo do lado de fora, tem momentos em que eu não me entendo, em outros não me suporto, mas crio uma doçura cativante por mim mesma.
Sigo. Ora me amando, ora me amaldiçoando. O importante é que eu siga.
Minha caminhada ainda não magôou ninguém, faço o máximo pra não ferir o outro. Nem sempre é possível, mas ninguém pode me dizer que é proposital.
* "Nunca te vi, sempre te amei", ô filme lindo. Helen Hanff é minha paixão por livros antigos, velhos mesmos, cheio de dedicatórias, anotações, em sua totalidade. è como se ao tocar as páginas eu pudesse sentir a vida daqueles por quem o livro passou.
Eles fazem parte de mim. Sou inavadida, e os invado.
E essa sensação é deliciosa!
** Presente de Páscoa do namorado: um livro delicioso, e com dedicatória, pequena, mas pra ele, que tem sangue de vendedor, é quase um estupro!
*** Melhoras da mãe… está chata, insuportável. Egoísta e arrogante! Voltou ao estado normal…


Comentário por Aline... — 11 de abril de 2007 (9:49)
Morrrr… Te amo… A vida da gente oscila numa velocidade né? Um dia estamos bem , no outro não tão bem… Mas a força que vejo em você de “ser” feliz também vejo em mim… Só assim para esquecermos o problemas que atingem nossa alma…