Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Menina da lua…

4 de abril de 2007

 Hoje eu arrasto correntes, hoje levantar da cama foi quase impossível, hoje eu levo milênios de sofrimento nos olhos…
“Sempre fugindo”, foi o que me disse um amigo no MSN, disse que fujo mais de mim mesma. Eu tenho medo do alcance de minhas retinas.
Às vezes conviver comigo é insuportável.

Eu choro, porém, mesmo que eu esperneasse até o animalesco, eu não sairia de mim. Eu choro por falta do que fazer. Eu choro porque sou humana, e porque calo coisas na garganta. Coisas ásperas. Coisas que nunca vou poder contar a ninguém, coisas minhas que eu queria dividir, ao menos para suportá-las.
Sufocar estas coisas tem sido tão difícil.

Queria confiar em alguém o suficiente para dizer ao menos uma ínfima parte de todo este sal. Acho que contaria para o primeiro que aparecesse, desde que disposto a me ouvir.
Desespero, e uma vontade infinita de enfiar uma bala na cabeça, pra conter a velocidade do pensamento, meu pensar me nauseia.

Eu choro porque não quero ficar só. Mas todos estão fadados à solidão. Eu tenho medo de mim. O poder que eu exerço é fúria.
Chego à margem da loucura presa em mim: amaldiçôo a beleza em mim. Amaldiçôo o vivo em mim. Amaldiçôo o que há de bom em mim.

Não há uma só alma pesarosa sob este sol a que eu pudesse recorrer deste silêncio mortificante. O que faz parte de mim?
Sinceramente, as respostas abandonam-me.
Minhas lembranças são fel.

Menina da lua…

Leve na lembrança
A singela melodia que eu fiz
Pra ti, ó bem amada Princesa,
olhos d’água
Menina da lua
Quero te ver clara
Clareando a noite intensa deste amor
O céu é teu sorriso
No branco do teu rosto
A irradiar ternura
Quero que desprendas
De qualquer temor que sintas
Tens o teu escudo
O teu tear Tens na mão, querida
A semente
De uma flor que inspira um beijo ardente
Um convite para amar

Entre seus rins…

3 de abril de 2007

Dos meus amores anarquistas só a intensidade…
A volúpia, o frenesi. Dos meus amores a lembrança no corpo, os dedos na pele, impressões digitais de eternidade.
E de repente as mãos no meu quadril centram o meu universo. Bebo da boca do outro a vida. Dou-lhe a vida que há em mim, em troca.

No enlace de pernas sinto todo o Universal em mim. Sou a chave. Transbordo sentidos. São mãos, braços e pernas. São olhos, cheiros e poros…
O que importa é o ser uno. Ser uno é a busca inconsciente do humano em mim.

O vermelho risca meus céus. Eu tinjo o neutro em mim com fatalidades e extremos. Nada tem meio termo, e eu me abandono no outro, como folha morta se abandona ao outono.
A entrega vira o essencial nos rabiscos da minha pele. Mergulho num mar sem fim de sensações.

Não existe certo e errado. Não existe Bem ou Mal…
Minhas profundezas fervem paixões.

Do meu amor, só o gosto inebriante na língua. O gemido sufocado. O beijo que cala pra não alarmar…

Eu senti. Um sentir tão profundo e tão visceral. Eu fui o outro. Eu me confundi no sangue do outro…
E agora vou dissolvendo sua natureza, seu gozo e sua febre, nas minhas veias.

"Meu exílio
É em seu corpo inteiro
És meu país estrangeiro
Como eu gosto de você"
                                               
*da música que inspirou o nome deste blog…

Pombos e outras coisitas mais…

2 de abril de 2007

Suspirando aliviada, porque quase que a moça parte dessa pra outra, que não melhor ou pior, mas outra… Por causa de um maldito Chevette, pode?!?!?!

Sexta… Almoço com as amigas e o namorado, depois deixar o namorado no trabalho e ir com as amigas, as duas mais loucas que você, para o inferno na cidadezinha-capital-péssima qualidade de vida culturalmente falando! Braços dados, literalmente dados, porque as três nasceram com vaginas em vez de pênis, e isso muda totalmente a perspectiva de vida…

Adjetivando o raio do lugar da pior maneira possível, a amiga que sempre fura com você ainda pára pra comprar elástico pra cabelo! Daí pra frente, um buraco só, infestado de pombos, e a moça, que odeia pombos, que tem verdadeira fobia de pombos, que enfrentaria dois Chevettes pra não encarar um pombo, sentada ali, num banquinho ordinário, ouvindo uns sertanejos horrendos, com agudos rasgados.
As moçoilas acabaram cantando pra passar o tempo, céus!!!! O que a gente não faz pela amizade?!?!?!

Quando finalmente saímos daquele antro, e chegamos à escola em que íamos estagiar, mais mortas que vivas, colocaram a gente numa salinha ordinária de espera! Assim não dá, a gente olhava aquele colégio e pedia socorro, era feio demais pra três mocinhas lindas como a gente gastar o tempo disponível lá.
Resultado? Fugimos! Isso mesmo, três mulheres fugindo feito crianças! A gente pularia o portão se ele não estivesse aberto!

Pra aliviar, uma caminhada longaaaaaa até o shopping, ovomaltine no Bob’s, exposição do Beatles (bem ralé, é verdade!), comprinhas na praga moderna do cartão de crédito, chocolates! Trufas, e o ovo de Páscoa do namorado… Saímos de lá sem sentir as pernas!

Sofá da Yaisa pra resolver, a Aline incorporando a Bichinha Pobre, eu com os chinelos do marido da Yaisa… Caminhada no parque, caminhada não, putinhada no parque, nada como crianças pra te chamar de tia! Ai ai…

 Depois, saída pra comprar pizza, um Chevette assassino que quase me faz virar um tapete, banho, ônibus (a amiga Furona bateu o carro…), e ainda tínhamos energia pra suspirar pelo mocinho que estava ao lado, ô moço bonito! Aula na faculdade, na verdade, dormimos as três na aula, com direito à Yaisa babando no caderno!
Ninguém é de ferro!

Sábado, o namorado ligando pra acordar, aula de Libras, a moça atrasada, como é de costume, café da manhã no chão do estacionamento! E eu relembrando a porra louca em mim, quando a gente sentava na frente do bar pra encher a cara de cachaça barata!
Ai, meus quinze anos…

Depois, casa da irmã, pra chegar lá e a ver dando um piti DAQUELES, o motivo? Um fora, o primeiro da vida dela (ser linda tem suas desvantagens!), resultado a heroína aqui descendo no shopping pra comprar uma blusa (a irmã da moça não tinha uma blusa que servisse, na visão dela, é claro), e uma bateria de escola de samba, campeã do carnaval carioca, esquentando a cuíca, na minha cabeça!

 À noite, cinema com dois amigos e o namorado, crise de enxaqueca, os rapazinhos falando pelos cotovelos, a menina aqui xingando a santíssima trindade e todo o resto, incluindo a lista IMENSA de santinhos!

Comprimidos e mais comprimidos… Nada como lembrar daquele Dimorf com 30mg de morfina que está lá guardadinho em casa…

De sobra? Só o estômago gritando seus adjetivos, chamando esta que vos escreve de maluca-suicida-infeliz, nada demais…

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