Insensatez…
8 de maio de 2007
Hoje a cidade amanheceu fria, quis casar com meu infinito, que há tantas anda melancólico como um chá sob um edredom…
Na imensidão que é meu caldeirão de sentir, já amei e jurei de morte, já acabei com tudo, e queimei as lembranças, já fui Penélope, já fui Hera, Circe, já fui Latona e Afrodite.
Minhas grandes solidões são impostas por minha semente de Narciso, eu me obrigo a queimar no vapor quente porque preciso preservar toda a beleza de uma imagem no lago. Minha imagem me matará, sei bem eu, mas não posso desprender-me dela, morro, mas ela permanece intacta através de Mnemósine.
Tudo é muito injusto. A chave permanece dentro de mim, e eu hesito usá-la. Minha infelicidade é pomo de Discórdia, não há Paris, nem Heitor, nem Helena. Sou incapaz de me olhar com um pouco de zelo, de ser mais cuidadosa, o furor de minha natureza me impede o mediano.
Pra começar o dia, um turbilhão de culpa, e “Insensatez” nos ouvidos…
Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado
*A doce canção de Vinícius…
**Eu peço perdão pelo silêncio, por exigir demais, e querer sempre além do que podes me dar. Perdão apaixonado, na escola da vida fui aluna repetente, rebelde e transgressora.
***Pra entrar em acordo comigo, eu vou é cuidar de mim primeiro, e depois eu penso em amar o outro


Comentário por C.Y — 9 de maio de 2007 (11:11)
Insensatez… com certeza qualquer semelhança comigo é mera coincidência.