Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Na beira do poço…

3 de agosto de 2007

À beira do poço, brinco… Já não sonho mais com meus pequenos desprazeres, aprendi que bem ou mal, a solidão acompanha, e que isso tão é tão assustador assim.

Vão-se os dedos, os anéis e tudo o mais que cheire lembranças no meu sentir. À beira do poço brinco de afogar mágoas. Mas elas flutuam, e brilham lá embaixo, só pra me lembrar o quão insípida eu sou.

À beira do poço brinco de atirar pedras, pois eu também atiro pérolas aos porcos, porque isso dói, e porque a minha estupidez prende algumas coisas incômodas na garganta. Coisas que meu velho baúzinho azul não quis mais comportar, e que eu carreguei num cesto de palha.

E nada tira da minha pele o desprezo pelas mãos alheias. No mais, apago toda e qualquer doçura que não venha de mim. E eu estou amarga. Na falta da doçura própria, eu fico com meu gosto de neutro, um gosto tão sem gosto que corrói as entranhas. Um gosto tão insípido quanto todo o meu altivo sagrado feminino.

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