Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Estágio de Observação…

4 de novembro de 2007

IMPRESSÕES GERAIS
Estágio Supervisionado – Observação

  Durante a observação das aulas na Escola Estadual Hércules Maymone ficou claro o descaso, por parte de todos, com estes estudantes. O número de alunos em cada sala é muito baixo, prova da evasão escolar, prova do desinteresse dos pais, prova da falta de qualidade de ensino em uma escola considerada modelo em todo o estado.

  O diretor do colégio quase nunca é visto pelos alunos, chegando mesmo a ser motivo de chacota entre eles. Quando se encontra na escola, tudo o que ele faz é repreender os alunos. Os professores faltam sem justificativa, os coordenadores tiram licenças de um dia para o outro, não há pessoas suficientes para cuidar dos alunos. A falta de estrutura da escola é uma coisa alarmante.

  Não há motivação para que eles estudem, nenhum tipo de atrativo é utilizado. Aulas monótonas, longas, cansativas! A professora de Língua Portuguesa tem dificuldades titânicas em controlar os alunos, em desvincular-se do livro didático e em utilizar métodos que tornem sua aula mais atrativa.

  A leitura não é incentivada, nas aulas de português o máximo que os alunos lêem são os enunciados das questões, e alguns poucos que fazem as atividades, suas respostas para cada exercício. É absurda a quantidade ínfima dos alunos do nono ano, do turno vespertino desta escola, que não se embaraçam na pronúncia e que não pecam quanto à pontuação.

  A maioria dos estudantes é de classe baixa; chegam à escola com fome; como não uma base familiar sólida, que lhe ensine valores e o quanto o estudo é importante, vem com intenção de brincar e de encontrar os amigos, e apenas isso. São mal-educados, gritam com a professora, fazem o que querem, não obedecem ordens, não fazem as atividades, alguns chegam até mesmo a se recusar a ler.

  Brigas e ofensas são comuns. Até mesmo a professora é ofendida. Muitos alunos não chegam sequer a copiar as respostas que são postas no quadro. A professora entra e sai da sala, e nada muda nos alunos. Educação crítica, aqui, é apenas um termo bonito, adotado pelo livro didático, que os alunos desconhecem.

   Educação crítica e formadora aqui é utopia.

  Quanto às aulas do sexto semestre do curso de Letras, só posso observar que saem desta Universidade professores sem base, sem visão crítica, sem ética. Talvez seja essa a razão de alunos como os de hoje, desinteressados e descrentes.

  Em um dos recentes trabalhos propostos ao quarto semestre aprendemos que o erro do aluno é também uma etapa no processo de ensino-aprendizagem, e que jamais um professor deve constranger o aluno diante do restante da sala, pois, é claro para todos nós, a possibilidade de traumatizar a criança é enorme; o que dizer então da professora que, após a apresentação de um dos grupos, lhes chamou a atenção, como se estivessem no sexto ano, na frente dos colegas de classe e dos seus calouros? Que tipo de constrangimento ela não causou aos alunos, na frente de todos, ao utilizar aquela maneira para abordar os erros da apresentação, que, sabemos todos, deviam ter sido abordados posteriormente, entre ela e os integrantes do grupo, ou, ao menos, de maneira mais sutil?

  Além disso, o que considerar da apresentação do grupo 07, na qual uma briga digna de alunos de quinta série não foi controlada nem pelos alunos que estavam apresentando, nem pela professora? Briga essa que originou brigas ainda maiores mais tarde, chegando até mesmo a ofensas pesadas entre os futuros formadores da educação neste país.

  Salvo duas ou três apresentações, o que a maioria fez foi tentar ludibriar os seus alunos de sétimo ano – quarto semestre, dando uma prova do tipo de educadores que estão saindo para as salas de aulas. Educadores que não têm ética entre si, quanto mais aos alunos, orientados por pessoas que agem de maneira contrária ao que pregam, que tentam enganar os alunos com imagens e palavras bonitinhas, desconsiderando a realidade das crianças e da educação neste país. 

  Aqui também formação crítica é utopia.

* Este é o relatório que vou entregar à professora que orienta o meu estágio de Língua Portuguesa, a mesma que fez o papelão que contei acima. Este é o relatório que talvez diminua bastante minha média final, e minha já baixa popularidade com ela.

** Sobre a escola? Estudei lá os meus três anos de ensino médio, no turno matutino, e tive lá os melhores professores de minha vida, inclusive um, em especial, que acreditou no meu parco potencial, não só no meu, mas no de muitos alunos. Lá existem professores incríveis, sim, mas estão tão raros…
Saudades do Valter e da Irene… 

*** Quase desistindo dessa loucura maravilhosa que é ser professor, e de Literatura!

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