Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

Dois perdidos numa história suja

18 de março de 2009

As coisas estranhas que fazemos, e que achamos estarem certas, servem muito como tapas na cara, sem luvas, sem atenuantes, sem vergonha. Quando se passa algum tempo com alguém, e esse alguém muda, ou não muda, é justo forçar mudanças com pontapés? E, se depois de tudo errado, você descobrir que a mudança não era, assim, algo a se desejar tanto a ponto de nausear. E como se arrepender quando se quer cometer o mesmo erro, ainda que a culpa seja do erro que tem pernas e persegue a gente?

Questões meio estúpidas, de quase nenhuma relevância. E ainda que eu persista, eu não posso pedir “Aretha, sing one for me”, embora essa seja a tradução mais próxima de uma tradução que esse corpo feito de carbono pode imaginar. Engraçado, a gente busca tanto uma coisa, e, de uma hora pra outra, ou a coisa muda, ou você muda - Síndrome de Cristina. Terminamos. Terminei, pra bem falar a verdade. Ele sofre, eu sofro por três - eu fiz, eu fiz, eu quis. E as pessoas me perguntam “mas por quê?”, e eu nunca sei o que responder.

A gente conversa, a gente ainda se abraça, e é como se os corpos fossem muralhas, que se chocam, se buscam, se precisam, mas que de alguma maneira, por alguma razão, se repelem, ou não se aproximam de todo. Ele talvez tenha medo, ou se sinta sem compreender o que aconteceu com as coisas da nossa cesta. Eu, talvez, tenha usado palavras erradas e permitido erros que agora não podem ser consertados. Eu acho que fui despejando as coisas da cesta pelo caminho, antes de chegar em casa. E agora eu não acho as coisas. Eu acho que eu coloquei outras coisas na cesta que era nossa, e, por isso, ela deixou de ser nossa de uma maneira inteira.

Talvez eu possa arrumar toda essa bagunça, mas quem diabos vai arrumar a bagunça que eu fiz em mim? Porque essa vai dar um trabalho de Hércules. Eu acho que ganhei no pipoco, eu acho que eu destrui uma coisa muito bonita, e eu me culpo por isso, mea culpa, mea culpa! E se eu bater nos seios sei que vou sentir um gosto meio diferente do que o das primeiras vezes. E, se eu surtar de fato, a quem caberá as cores de Almodóvar que estão na caixa, sangria desatada, sangre, sangrias… que elas são compressas que aliviam a dor.

Quando se comete grandes erros, qual a melhor maneira de corrigir os acentos?

* O que pensar de Anna Karenina?

* Hey, Aretha, Sing one for me
Let him know
Our life’s in misery
Will you sing a song
That will touch his heart
And make him sorry
That we are apart
(Cat Power - de novo ela)

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