Entre meus rins…

As coisas continuam… e continuam sempre.

E eu…

19 de setembro de 2007

Dou voltas em torno de mim. Minha estupidez é enorme. Minha falta de gosto também. Quando me encontro caçando inimigos, quem é mesmo o perdedor aqui?
Meu orgulho ferido e decadente me faz levantar pirâmides. Corto os pulsos. Tomo veneno pra entorpecer. Ataco pra defender. Tenho medo de gente.

Tenho medo de mim. Tenho uma maneira insípida de viver uma vida insípida. Crueldade? Não, só falta de jeito. No fundo eu devo querer deitar sob uma árvore pra ver o sol nascer. Esses é que são felizes.

E eu, sob meus panos, só observo. E finjo descaso. Eu finjo força. Eu caio em desatino, mas silenciosamente, pra que ninguém conheça minhas febres.

Tenho areia nos sapatos. Preciso de um tempo.

Na beira do poço…

3 de agosto de 2007

À beira do poço, brinco… Já não sonho mais com meus pequenos desprazeres, aprendi que bem ou mal, a solidão acompanha, e que isso tão é tão assustador assim.

Vão-se os dedos, os anéis e tudo o mais que cheire lembranças no meu sentir. À beira do poço brinco de afogar mágoas. Mas elas flutuam, e brilham lá embaixo, só pra me lembrar o quão insípida eu sou.

À beira do poço brinco de atirar pedras, pois eu também atiro pérolas aos porcos, porque isso dói, e porque a minha estupidez prende algumas coisas incômodas na garganta. Coisas que meu velho baúzinho azul não quis mais comportar, e que eu carreguei num cesto de palha.

E nada tira da minha pele o desprezo pelas mãos alheias. No mais, apago toda e qualquer doçura que não venha de mim. E eu estou amarga. Na falta da doçura própria, eu fico com meu gosto de neutro, um gosto tão sem gosto que corrói as entranhas. Um gosto tão insípido quanto todo o meu altivo sagrado feminino.

18 de julho de 2007

Taça quebrada…
Caem os cacos, roseira verde, o sentir em vermelho com cuidado pra não desatar.

Vai-se a ferida, fica a carne. Vai-se o desamor, fica o maciço no peito, e as minhas mágoas não fazem verão.

Minhas mágoas não movem os pápeis. Não subtraem um pingo de desconforto deste meu dia de Frida.

Dia dos namorados…

13 de junho de 2007

Você tem um quase rompimento no dia 10, você esperneia, reclama, cava coisas pra atirar na cara do outro, porque ele anda relapso demais…
E nem parece se importar com o namoro de vocês…

Você chora, se sente péssima… Você está na TPM! Não, você já está menstruada, oras…

Aí no dia 11 você nem olha pra cara do namorado direito, tem crise de gastrite nervosa, passa mal e vomita no banheiro da faculdade.

No dia 12 você abre a caixa de entrada de e-mails, e lê todos os poemas que o namorado mandou, fica toda derretida, e vai, feliz da vida, comemorar o dia dos namorados, o primeiro de vocês, o primeiro de uma relação que está fadada ao fracasso, mas que talvez por isso seja tão suave e doce.

E tudo dentro daquele quarto parece surreal: As mãos dele, o perfume, o frio na pele, o torpor, a respiração dele… Tudo é quase uma oração, e você fecha os olhos pra guardar bem aquele momento.
Porque aquele momento é só de vocês…

Feliz Dia dos Namorados atrasado pra todo mundo, e que a paixão escorra por mim, e por todos…

Apaixonar-se de novo, pelo mesmo homem, é uma sensação única!

" Para mi corazón basta tu pecho,
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.

Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.

He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
Y entristeces de pronto, como un viaje.

Acogedora como un viejo camino.
Tu pueblan ecos y voces nostálgicas.
Yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma."

                                                                               Poema 12, Neruda.

*Obrigado pela noite… e se na Ernesto Giesel, às 23:25 da noite do dia 12 de Junho, sob estouros de fogos, música de São João e luz de fogueira, você não pôde ouvir bem: Eu te amo.

 

 

Nota de esclarecimento…

5 de junho de 2007

As mudanças aconteceram. Algumas mudanças de planos me deixaram um tanto frustada, e eu me descobri mais covarde do que supunha…
Coisas da vida…

Da minha vida que agora tem companhia do cachorro de manhã, sono em dia, planos de exercícios físicos pra combater a lei da gravidade, falta de organização e banhos quentes…

O amor vai tímido, nada além do previsto, é um caminhar leve e doce, às vezes pra felicidade, às vezes pra morte, tudo depende do dia e da Lua, como diz a Taty…

Eu vou, e isso basta.

* Sem net, não tá fácil postar… Preciso URGENTEMENTE dar um jeito no pc novo que tá enconstado num canto do quarto, medidas JÁ!

Mariana foi pro mar…

28 de maio de 2007

A Mariana sou eu mesma…

Mudando, torcendo pra que a mudança dê certo, cruzando os dedos pra dias mais lindos, como aquele slogan da Dakota.
Dei muito de mim pra coisas que não me trouxeram nada, foi dedicação demais pra reconhecimento nenhum, perdi coisas demais num esforço inútil. Desgaste desnecessário de energia, que de meu só deixou um estômago em polvorosa, compromissos desmarcados, olheiras e uma expressão eternamente abatida.

Falta eterna de tempo. Fiquei, e ainda estou, em falta com as pessoas mais importantes da minha vida. Não pude acompanhar os primeiros meses do meu filho como eu queria, não pude sequer ir à escola da Kassinha pra falar com a professora dela, porque ela necessita de atenção especial, porque ela já lê livros inteiros sozinha, e com facilidade, e ela é impaciente e não suporta acompanhar o desenvolvimento do resto da sala.
Porque faltei inúmeras vezes aos encontros com minha irmã…

Tomara que tudo saia bem. No sábado de manhã, a moça mostrando os dotes culinários (que são pouquíssimos) em um chocolate quente pro namorado (chocolate meio amargo, leite condensado, canela em pau, conhaque, creme de leite… pequenas coisas que fazem toda a diferença). À tarde, encontro com as amigas, eu dando uma de fotógrafa,e o 300 pra assistir com o quarteto, o Cyles, o maridão da amiga e o meu genro, mais colinho do namorado…

* Saudades da minha irmã.
** Domingo à noite, muita raiva!!!!!!
*** Hoje torcendo, torcendo muito!!! Querendo colo das amigas, porque me sinto culpada, e a culpa pesa. Louca pra ir pro mar logo!
**** Às vezes te amar é tão complicado. Depois eu me perco em você e tudo parece tão simples. Apenas não feche a porta, pra que eu possa entrar.
***** Ex-namorado deixando recado no Orkut: “Saudades. Eu sei o que é isso desde agosto de 2006. Mas tudo bem, quem sempre esteve sozinho do lado de fora já se acostumou com essa situação. ESPERO QUE ESTEJA FELIZ E BEM ACOMPANHADA. BEIJOS E SE CUIDA”. A moça se sentindo triste, muito triste, por saber que ele ainda sofre. Queria poder fazer alguma coisa pra aliviar isso, mas acho que me aproximar dele agora só o faria sofrer mais.

(O meu ficou com uma cara melhor…)

Uma canção de Bethânia…

24 de maio de 2007

O raio de Inhansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Inhansã também sou eu
Que Santa Bárbara é santa que me clareia

A minha voz é o vento de maio
Cruzando os ares, os mares e o chão
E meu olhar tem a força do raio que vem
de dentro do meu coração

Eu não conheço rajada de vento
Mais poderosa que a minha paixão
E quando o amor relampeia aqui dentro
Vira um corisco esse meu coração

Eu sou a casa do raio e do vento
Por onde eu passo é zunido é clarão
Porque Inhansã desde o meu nascimento
Tornou-se a dona do meu coração

O raio de Inhansã sou eu
Cegando o aço das armas de quem guerreia
E o vento de Inhansã também sou eu
Que Santa Bárbara é santa que me clareia
                                                           A Dona do Raio e do Vento

* Sem tempo pra viver tudo, vivendo só o que é bom.

Suavemente leve…

22 de maio de 2007

Às vezes me pego tão feliz que tenho medo. Ontem foi assim. Ter medo da felicidade é algo comum?

E esquecido o cansaço, a dor, eu fico etérea, como quando chego ao orgasmo, e pareço voltar suavemente de um outro mundo. Tudo se pinta de suavidade e leveza, e eu sinto vontade de abraçar o mundo, como eu abraço o outro, é que eu preciso manter-me no real, e parece que se eu não segurar em algo bem firme, vou me desprender como folha do galho.
Por isso abraço o mundo. Por isso abraço o outro. Porque eles são meus elos com a realidade.

* Eu sou mais minhas amigas lindas e queridas, que me dão colo e mexem no meu cabelo quando estou carente de atenção e zelo (porque eu não aprendi a cuidar de mim), sou mais um abraço forte, um sorriso largo (tão raro) do namorado, sou mais uma conversa com minha irmã, deitada no tapete da sala e comendo brigadeiro de colher. Sou mais estas pequenas coisas que me fazem levantar da cama todos os dias, vestir uma calça jeans, meter um salto e sair pra luta!
** Sábado, surtos culturais, evento organizado por um amigo muito amado, do qual fui faxineira, organizadora, vendedora e cliente, pau pra toda obra! Todas nós somos! O evento teve palestra sobre literatura marginal, show de rock e venda de produtos, pena ter sido um fiasco quase que total.
Vendi R$ 48,00 e ainda tô achando que foi muito! Nada como um homem meio vulnerável pra fazer você exercitar suas manhas. Um pouco de malemolência e o pobre faz o que você quiser!
-Ajuda do namorado, mil vezes obrigado! Às vezes ele é um amor!
*** Rito de passagem: já dura dez dias, haja purificação!
**** Trilha do dia: Cristal, da Stevie Nicks.

As pessoas mudam…

18 de maio de 2007

As pessoas mudam. Ponto. E a capacidade de adaptação é sua melhor aliada nessas horas. É que ninguém te avisa que vai embora. Os outros vão se desprendendo, é um desenlace de mãos.
-Ninguém sabe te explicar o por quê.
Por mais que você esperneie, berre, se debulhe em lágrimas…Eles não voltam, estão sempre partindo um pouco mais a cada dia que passa.
-Cada vez mais distantes.
E chega uma hora em que você descobre que você também muda. Que você também parte um pouco a cada dia. Você nota que muito do que era não existe mais.
-Não adianta chutar o balde.
Você sente raiva, muita raiva! Você esbraveja, mas a sua raiva é pra esconder o medo. Medo de ficar sozinho. É que você ainda não aprendeu como colocar as meias na secadora, elas sempre passam pelo filtro. Você só não quer perder as meias. Nada demais.
-Você realmente gosta das suas meias.
As pessoas mudam. Você sempre perde as pessoas. Não há meios de possuí-las. Mas elas podiam ao menos avisar que estão mudando. Um bilhete de “Estou indo”.
É tão ruim desconhecer alguém conhecido. É como perder um pouco de si. Junto com o outro, junto com a parte do outro que se perdeu, você perde um pouco da sua identidade.
-Olhar no espelho e não saber quem você é dói.
“Em noites frias eu costumo tomar café sentada na janela. Fico olhando o escuro, pedindo para que exista algo além de minha solidão. Eu fico quieta, ouvindo um som qualquer, de grilo ou de vento.
-Eu fico relembrando a minha vida, as pessoas que fizeram parte dela. Eu busco uma coisa boa.
É doce, mas triste. É triste, mas doce. Ter consciência de que quem você ama não vai estar sempre no lugar em que você o deixou ameniza o choque. Mas não a dor.
-Eu sento na janela do meu quarto em noites frias, pra dissolver a falta que algumas pessoas me fazem.
Saber de todas estas coisas, e não ter o poder de mudar isto é, por vezes, incômodo. Mas é bonito. Dá uma leveza. É como ter ar pra respirar. Felizmente, nem tudo depende de mim. Esse desprendimento é suave.
-Odiaria ser a única responsável por minha solidão.”

* Eu queria muito que vocês ouvissem a trilha sonora deste post. De verdade.
** Minha reconciliação comigo vai bem. Sim, eu olho o céu. Faz toda a diferença…
*** "A vida é una e indivisível, mas mesmo assim vivível", é, a frase é horrível! Eu tive que postar!
**** A música é esta aqui:

"just before our love got lost you said,
"I am as constant as a northern star."
And I said, "Constantly in the darkness
Where’s that at?
If you want me I’ll be in the bar.
" On the back of a cartoon coaster
In the blue TV screen light
I drew a map of Canada
Oh Canada

With your face sketched on it twice
Oh, you are in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you, darling
And I would still be on my feet
I would still be on my feet.
Oh I am a lonely painter
I live in a box of paints
I’m frightened by the devil
And I’m drawn to those ones that ain’t afraid

I remember that time you told me, you said,
"Love is touching souls"
Well surely you touched mine
‘Cause part of you pours out of me
In these lines from time to time

Oh, you’re in my blood like holy wine
You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you, darling
And I would still be on my feet
I would still be on my feet

I met a woman
She had a mouth like yours
She knew your life
She knew your devils and your deeds
And she said,
"Go to him, stay with him if you can
But be prepared to bleed"
But you are in my blood
You’re my holy wine
So bitter, Bitter and so sweet
Oh, I could drink a case of you, darling
And I would still be on my feet
I would still be on my feet."
                                                     A Case of You, Joni Mitchell


As pessoas mudam. E eu mudo também… Sempre em frente…

Lua minguante…

17 de maio de 2007

Das muitas e muitas voltas que meu pequeno mundo dá, algumas tonteiam minha cabeça…

Em busca de elos perdidos pra me encontrar. Há coisas que faziam parte de mim e que foram abandonadas. Há pessoas que eu costumava amar, e hoje quase não as valorizo. Tenho sido irresponsável, o Sagrado Feminino que habita em mim me cobra hoje minhas faltas. Tenho sido injusta, tenho me esquecido de mim.

Preciso recuperar certas coisas, antes que eu as perca de todo. Preciso me recuperar, antes que eu me dissolva inteira. Preciso encontrar as minhas peças, as peças próprias de mim, não posso mais me compor com peças alheias. Não serão naturezas diferentes que vão constituir a minha. Eu tenho que ser todo pra ser parte.

Eu costumava dançar. Eu cultuava a minha natureza. Eu sabia observar coisas não tão óbvias. Eu era mais rica em sentir. Eu era o sentir. Agora busco novamente o meu caldeirão fervente. Busco minhas ervas. Busco meus sabores, são tantos os ingredientes de minha infusão! São tantas as folhas que devem cair! São tantos labirintos aqui dentro!

Meus laços sagrados, quase esquecidos. Todos ainda vivos! Meus desejos guardados em caixa fechada, de madeira nobre. Meus pedidos de Eternidade, feitos em pápeis embebidos em mel. A verdade que fluía livremente de minha boca.

Hoje iniciei o meu ritual. É indispensável que uma morra pra outra renascer. Já escolhi quem morre. E ela mingua como a Lua, pra que a outra renasça inteira.

* Cortes serão necessários. E ninguém é seguro de mim.
** Ame-se, e será amado. Clichê, mas real. Apaixone-se por você, e o mundo também ficará apaixonado.
*** Pra agradecer à Deusa que habita a minha existência, “Amas Veritas”.
**** “Há só essa Lua”. Há muito mais.

« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://entremeusrins.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.